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PROFISSIONAL?

Única? Exclusiva? Inédita?

Única? Exclusiva? Inédita?

Porto Alegre (diferencial de mercado) – Deixa eu ver se entendi… Em nossa galáxia existe apenas uma “preparação profissional para o ENEM/UFRGS”. Ah, bom! E agora temos uma universidade com ENEM próprio, diferente dos demais ENEMs, o que exige um trabalho exclusivo.

E é um curso profissional. Profissionalizante? Claro, os estudantes fazem o cursinho uns 3 anos seguidos, logo, merecem um diplominha, não?! E se é profissional já não seria melhor ir direto pro “mercado” ganhar dinheiro ao invés de frequentar faculdade mais uns pares de anos?

Tudo límpido agora.

Maaassss, ainda me restou uma dúvida: onde são formados os profissionais que dão aulas na preparação profissional para o ENEM/UFRGS? Fiquei instigado a fazer uma conversão na carreira e dar aula em cursinho. Qual o nome dessa licenciatura? Tá na lista do Sisu?

UFRGS TEM MEDO DA USP?

Cadê a livre concorrência?

Cadê a livre concorrência?

Porto Alegre (santa coincidência) – Por três anos consecutivos as provas do vestibular da UFRGS são agendadas nos mesmos dias do vestibular da USP. Haja conjunção astral!!!

Escrevi sobre isso em janeiro, especulando sobre a nossa autoproclamada “melhor universidade do Brasil” estar fugindo da concorrência direta com a Universidade de São Paulo – ler aqui.

Pois bem, a USP anunciou seu cronograma no dia 03 de agosto passado (ver aqui), exatamente um mês antes da UFRGS – ver aqui. E mais uma vez o “destino” proíbe – na prática – que os candidatos concorram a ambas instituições, tendo em vista que as provas de seleção ocorrerão nos mesmos dias.

A UFRGS marcou as provas entre os dias 10 e 13/01/2016 já sabendo que sua colega paulista realizaria a segunda fase da seleção entre 10 e 12/01/2016. Nestes dias a universidade do sul aplicará provas em 4 cidades escaldantes, enquanto a instituição do sudeste torturará jovens em 28 municípios.

Onde fica a tão badalada meritocracia nessas horas? Os estudantes não deveriam ter o direito de optar? A UFRGS não teria o direito de concorrer aos candidatos da USP?

Pergunta: quem ganha com isso? Hipótese… A milionária arrecadação de inscrições da UFRGS? E também tem a tese da “invasão paulista”, conhece? Não?! Leia aqui.

Pra quem não sabe… Promovo uma campanha ampla e irrestrita, interinstitucional anti-vestibular. Se tiver paciência ou curiosidade é só buscar “vestibular” aqui no blog e verá todas as bobagens que já escrevi a respeito. E sigo na luta!!!

ENTRANDO EM GREVE

Governo não dialoga: greve é a alternativa

Governo não dialoga: greve é a alternativa

Porto Alegre (a UFRGS não será a última!) – A greve dos docentes das instituições federais de ensino superior teve início em 28 de maio e contava até o momento com a adesão de 35 instituições – ver aqui. A Seção Sindical do ANDES na UFRGS convocou Assembleia Geral dos Docentes para a noite de ontem na qual se decidiu pela nossa entrada no movimento.

Assim, hoje a reitoria será informada oficialmente e, cumprindo a lei de greve, paralisaremos nossas atividades a partir de segunda-feira, dia 29 de junho. Seremos a 36ª instituição federal a aderir à greve. Em 2012 brincávamos se a UFRGS seria a última a entrar na greve ou se seria a única a não entrar… a história mudou. Somos a primeira do Rio Grande do Sul e desejamos assim estimular outros colegas a se juntarem a nós, não sendo únicos ou últimos…

Deliberamos também que uma das medidas imediatas a serem adotadas será a retenção de conceitos, não postando as notas das disciplinas sob nossa responsabilidade no portal da universidade.

Discutimos a situação das negociações nacionais, sem nenhum avanço por parte do Governo Federal, o qual protela contatos e busca ganhar tempo e esvaziar o movimento.

Debatemos também as pautas de reivindicações nacionais (aqui) e não restou dúvidas de que temos motivos e razões de sobra para ingressar na greve.

E também iniciamos uma rica discussão sobre as nossas lamentáveis condições de trabalho na UFRGS. A universidade de “excelência” é uma lenda, a qual estamos desmascarando. Ao tratar da pauta local, notamos que a nossa reitoria omite informações, por exemplo, sobre os cortes orçamentários, e atua deliberadamente contra nossos direitos, como no sequestro de nossas progressões funcionais.

No levantamento sobre as condições das unidades de ensino temos relatos, por exemplo, sobre as condições degradantes do Instituto de Psicologia, da precariedade absurda em que se encontra o Instituto de Artes e dos perigos a que estão expostos os que trabalham e estudam no Colégio de Aplicação.

Sobre a Faculdade de Educação também listamos uma enormidade de aspectos que explicitam a inexistência da propalada “excelência”. Mas isso é tópico para outros posts, nos próximos dias…

Agora é hora de informar a comunidade e mobilizar @s colegas. Nem todos entrarão em greve, como sempre. Alguns jamais entrarão em movimentos coletivos, é fato. E como sempre as formas de participar da greve serão distintos. Nem todos que apoiam a greve estarão nas manifestações ou assembleias. Alguns participarão mais no contato com os estudantes. Outros preferirão estar presentes nos debates apenas nas suas unidades. E movimento é assim, múltiplo.

Agora é hora de juntar forças com os trabalhadores técnico-administrativos, já em greve desde o final de maio. É hora de aprofundarmos as relações com @s estudantes, mantendo o caráter formativo do movimento grevista e partilhando pautas, como as reivindicações de melhores condições de segurança nos campi, ampliação e melhoria nos restaurantes universitários, na moradia estudantil etc.

O movimento grevista não é pra enfraquecer ou derrubar um governo. É pra disputar com setores conservadores e reacionários os rumos do Estado brasileiro. É pra mostrar a força dos movimentos sociais e garantir que direitos não sejam reduzidos, para que racionalidades economicistas não nos conformem em arcar com ajustes de uma sociedade injusta.

Aos que quiserem acompanhar os nossos passos e partilhar de nossa luta é só se manter em contato com a Seção Sindical do Andes na UFRGS.

CRECHE UFRGS E GREVE

Piquete da greve na UFRGS em frente da creche

Piquete da greve na UFRGS em frente da creche

Porto Alegre (polêmicas…) – Hoje de manhã a creche da UFRGS não abriu. A entrada foi bloqueada por servidores em greve. Pais, mães e filh@s chegaram e tiveram que voltar pra casa. Isso está gerando indignação, revolta, movimentos.

Também estive no frio da manhã com o Rodrigo e voltamos pra casa. Mas antes conversei com os manifestantes.

Toda greve gera transtornos e sempre prejudica o funcionamento regular de atividades. É uma medida extrema, desgastante. Mas ainda acredito que eficaz frente à insensibilidade de patrões e governos.

Considero desrespeito original e muito mais grave os governos não negociarem com o funcionalismo, obrigando-os a usar a greve como instrumento de pressão.

Considero desrespeitoso e desleal que as conversas sobre os rumos da creche não sejam abertas, francas e não sermos chamados para pensar o futuro da instituição.

Considero gravíssimo que a maioria das professoras da creche tenham contratos precários, terceirizados, ganhem muito pouco e estejam ligadas à mesma empresa que faz a limpeza da UFRGS, a qual vem atrasando salários e desrespeitando relações básicas de trabalho – e sobre isso temos sido coniventes.

As super competentes mulheres que educam nossos filhos na creche recebem da terceirizada algo próximo de R$1.000,00. Se fossem funcionárias públicas e estivessem no mesmo plano de carreira em que se enquadram os colegas do Colégio de Aplicação ganhariam mais ou menos R$3.000,00, teriam estabilidade e direitos trabalhistas.

Não penso que um desrespeito legitima outros desrespeitos. Acho apenas que somos bastante seletivos em nossas indignações, nos voltando com muita força contra um sindicato e seus trabalhadores e sendo muuuuito tolerantes com a reitoria e com o governo. Ou seja, quando quem pisa no nossos calos é grande nós somos menos bravos…

E tendemos a lutar muito pelo que entendemos ser nossos direitos e muito pouco (ou nada) pelos direitos alheios, inclusive daqueles que garantem a educação de nossos filhos e lhes asseguram direitos…

Gostaria que pudéssemos aproveitar a oportunidade que o movimento grevista nos proporciona para discutir o que realmente pode mudar a realidade da creche, dando dignidade a TODAS as trabalhadoras.

Não consigo reivindicar boas condições de trabalho, salário e direitos só para mim e pros meus filhos. Quero que os demais colegas da UFRGS, em especial os técnico-administrativos e – mais ainda- os terceirizados tenham sua dignidade respeitada, e possam também criar seus filhos com os mesmos direitos que eu tenho.

Sem falar de quem não é da UFRGS e não tem direito algum à educação infantil… Mas isso fica pra outro dia. Seguimos na luta!

PEDAGOGIA UFRGS

Professoras em formação exigem respeito

Professoras em formação exigem respeito

Porto Alegre (estudantes: seres passivos ou ativos?) – Pra quem militou no movimento estudantil como eu a resposta poderia parecer óbvia. Mas com tanta gente que “muda” (de lado) nesse mundo… Ainda mais depois obter diplomas, doutorados, empinam o nariz e passam a enxergar por outros ângulos (melhores que os demais mortais, claro).

Eu certamente mudei bastante, mas não tudo, e preservo minha convicção de que estudantes de pedagogia devem ser abordadas como professoras em formação (Xiiii, o cara não disse nada com nada). Vou tentar me explicar: noto que muitas vezes as estudantes são tratadas como imaturas, irresponsáveis. Suas opiniões não interessam, suas visões são tortas, suas decisões equivocadas, suas ações desastradas. Logo, não se enquadram na categoria das professoras – nem em formação.

Nessa percepção elas são postadas na humilde posição de receptoras de conhecimento, sendo este advindo de entes superiores, seus mestres. São plantinhas que precisam florescer, sendo regadas, preservadas e cuidadas por expertos da universidade. E um dia, quando receberem um diploma, poderão ser consideradas “prontas”.

Assumo que não consigo ser coerente com essa minha convicção o tempo todo, em todas as minhas interlocuções. Sim, fui (de)formado numa sociedade autoritária, meritocrática etc e ainda não me livrei de algumas dessas bagagens incômodas. Mas sigo tentando. E também assumo que carrego nas tintas por aqui, pois as intervenções que desqualificam as estudantes de pedagogia são sempre mais sutis.

Acredito que alguns docentes fazem isso sem maldade alguma, sem intenção de desqualificar. Fazem porque foi assim que aprenderam e vivenciaram, e não sabem fazer diferente. Talvez não tenham parado para refletir especificamente sobre isso, dado o milhão de outros compromissos e prazos que nos atormentam. Mas há também aqueles convictos do papel subalterno das estudantes e que consideram perda de tempo levar a sério os seres inferiores. E aqui as coisas são enrustidas, dissimuladas, não assumidas.

É mais fácil perceber essa abordagem detratora das estudantes pelas omissões do que pelas ações, mais nas ausências do que nas presenças, na não exposição de opiniões mais que na sua explicitação. Ignorar as estudantes e desdenhar delas é a tônica. E há também quem tenha uma posição consistente de atacar e rebater qualquer fala de estudante, sem dar espaço para compreender, acolher.

Estudantes não são minhas iguais nem numa sala de aula e nem nos debates curriculares. Sou um funcionário público, tenho obrigações, funções e responsabilidades que são diferentes, são minhas, e que compartilho com colegas docentes. Minha trajetória também me coloca num ponto diferente do debate, sem dúvida.

Mas estudantes são minhas iguais em dignidade. Elas merecem meu respeito tanto quanto os docentes, sem nenhuma diferença. Merecem ser ouvidas. Suas ideias devem ser consideradas. Eu tenho obrigação de olhar nos olhos delas e responder suas questões, com honestidade. Suas opiniões, por mais absurdas que possam parecer, exigem de mim escuta atenta, compreensiva.  As divergências que tenho com estudantes (e tenho e terei várias) precisam ser expressas com franqueza, mas sempre com a cautela necessária para não transmutar automaticamente minhas diferenças com elas em desigualdades. Ou seja, eu não tenho e não terei razão o tempo todo pelo simples fato de ser docente. E eu posso – e quero – aprender (e muito) no diálogo com elas.

Assim, estudantes de pedagogia não são apenas alunas (no sentido original dos “sem luz”). São professoras em formação. São especialistas em educação num processo de aprimoramento pessoal e profissional. Elas devem tomar posição agora, e não somente após terem um canudo universitário em mãos. Elas precisam ser críticas já, e não apenas nos seus futuros empregos. Elas tem o direito de decidir os seus rumos enquanto caminham, conosco, na graduação da UFRGS. Precisam vivenciar democracia para se fortalecerem como democratas. Elas devem assumir postura docente no seus percursos formativos, no processo em que estão inseridas na licenciatura.

Nós, docentes, temos o dever de apoiá-las nesse processo, oferecendo oportunidades de contato próximo das questões sobre o curso que elas escolheram. E precisamos ser compreensivos o suficiente para saber, de antemão, que elas também vão errar, vão exagerar, vão se omitir. E que nós temos a obrigação profissional de dialogar com elas sobre isso, tentando julgar e punir menos,  questionar e orientar mais. Com respeito, olhos nos olhos, não de cima para baixo.

CRECHE UFRGS VAZANDO

Creche fechada: vazamento da caixa d´água

Creche fechada: vazamento da caixa d´água

Porto Alegre (é um rio? é uma piscina?) – Ontem a creche da UFRGS não funcionou. Hoje não funcionará. Um vazamento na caixa d´água – é o que dizem – segue sem solução, as crianças sem atendimento, as famílias se virando pra contornar o transtorno…

Foram dois dias para diagnosticar o problema. Até agora um mistério… de onde vem tanta água?

Se houver alguma mãe ou pai da creche que entenda de fenômenos sobrenaturais, poltergeist ou milagres aquáticos favor comparecer ao local… Ouvi dizer que cientistas de São Paulo já estão a caminho da nossa creche para tentar importar esta criatura miraculosa e aplacar a crise hídrica por aquelas bandas…

 

PEDAGOGIA UFRGS

Um curso mutante pela própria natureza

Um curso mutante pela própria natureza

Porto Alegre (processo de reforma curricular) – Currículo é um troço bem interessante. O do curso de pedagogia mais ainda – ao menos pra mim. Constantemente estamos defendendo a manutenção, o aprofundamento e a ampliação de várias questões (disciplinas, abordagens, formas de organização etc) ao mesmo tempo em que há movimentos contínuos de alterações, não só pontuais e cosméticas, mas também de fundamentos e de espinha dorsal. Se o mundo muda, se a educação deve dialogar com a realidade, nada mais esperado que um processo espiral de debates curriculares na pedagogia, criando potencialmente um curso mutante, plástico, aberto, estimulante, excitante…

Lembro que iniciei meus debates a respeito do tema logo no primeiro semestre do curso de pedagogia, como estudante, em 1991… Aprendi demais, participei de diálogos que abriram meus horizontes sobre as licenciaturas, sobre a formação de professores, sobre a educação como um todo. Foi um banho de realidade e de teorias. E tudo isso porque tive a oportunidade de partilhar estes momentos tanto com minhas colegas veteranas quanto com muit@s docentes do curso, com as visões e opiniões as mais diversas. Isso foi um curso a parte, insubstituível na minha trajetória.

Daí que tenho defendido as discussões públicas e conjuntas entre docentes e estudantes acerca da reforma curricular do curso de pedagogia da UFRGS. O processo, em si, é riquíssimo e tod@s, sem exceção, crescem muito ao participar. Ouso afirmar que o processo é múltiplas vezes mais pedagógico do que qualquer resultado que consigamos obter, porque bem mais heterogêneo, amplo, plural e rico do que é possível caber em qualquer grade curricular…

Enumero alguns argumentos para afirmar a riqueza dos debates coletivos e sem segregações:

1) Há docentes do curso de pedagogia que não são pedagog@s, logo, não necessariamente têm uma visão global dessa licenciatura e nem sempre compreendem a importância de áreas distintas da sua (e não defendo exclusividade de pedagogos entre os docentes, muito pelo contrário!);

2) Entre @s docentes pedagog@s a amplíssima maioria (senão tod@s) foram formad@s quando o curso tinha outra lógica, com especializações / habilitações distintas / separadas. Esta concepção foi superada na última reformulação das diretrizes curriculares. No entanto, há colegas que seguem fazendo a discussão como se ainda prevalecesse a lógica das especializações / habilitações – agora coabitando dentro de um único curso;

3) Praticamente tod@s os docentes foram formad@s em licenciaturas que separavam claramente disciplinas teóricas de disciplinas práticas, forjando uma dicotomia que deseduca, rotulando as abordagens e suas contribuições, segregando o que deveria estar em diálogo constante. Ao partilharmos o debate coletivo remamos contra essa correnteza, conhecendo melhor o outro, compreendendo mais sobre as suas abordagens;

4) Praticamente tod@s @s docentes foram formad@s em licenciaturas que isolavam as disciplinas tidas como práticas e os estágios ao final dos cursos, após – e somente após – @s estudantes acumularem “bagagem” teórica para olhar e se relacionar com a realidade. Outra vez, esse paradigma foi ultrapassado pelas novas regras para o curso de pedagogia (2005/2006), mas basta olhar para nossa grade pra identificar esta lógica firme e forte. Para superar isso precisamos afinar olhares e pensar alternativas;

5) @s estudantes ganhariam demais ao compartilhar com os docentes o que estes podem aportar através de suas visões, dúvidas e propostas para um novo currículo. Mas @s estudantes podem aportar um conhecimento que nenhum professor tem: o de vivenciar o currículo atual, passando por diferentes semestres e áreas. E outra inédita contribuição discente reside no fato del@s não se verem eventualmente constrangid@s a defender espaços / créditos para este ou aquele departamento, esta ou aquela área específica.

Enfim, os tópicos acima são apenas alguns de muitos outros que caberiam aqui… Certamente voltarei várias vezes ao tema – prometo!

Mas sigo acreditando na riqueza do debate público e conjunto entre docentes e discentes. Penso ser um desperdício e um empobrecimento se apartarmos as discussões, tendo professores de um lado e estudantes de outro.

E seguirei prestigiando todos os espaços de debate presenciais, ao vivo e a cores. Mas vou usar este blog para seguir dialogando tanto com minhas colegas docentes quanto discentes, na certeza de aprender demais com ambas.

CONTRA A EXPULSÃO DE ESTUDANTES 1

DCE vence reitoria na justiça

DCE vence reitoria na justiça

Porto Alegre (“Excelência” é fazer justiça) – A reitoria da UFRGS perdeu para o DCE na justiça – ver aqui e aqui. É verdade, a medida que inclui a expulsão de estudantes foi respaldada pelo conselho universitário, o qual infelizmente vem demonstrando ser pouco mais que um braço da reitoria… (ver a Resolução 19/2011 aqui)

Alguns dias atrás fui cutucado pela colega Nair Silveira, do Instituto de Psicologia, para fazermos um movimento contra a lógica repressiva, arbitrária e excludente, de viés meritocrático que agora o Diretório Central dos Estudantes derruba pelas vias judiciais. A proposta da Nair é deixarmos claro que não há consenso na universidade sobre a linha dura adotada. Mais, defendemos radicalmente a adoção de ações includentes, receptivas, aconchegantes, solidárias, de apoio, de assistência estudantil, de suporte – em especial para os estudantes com dificuldades em seguir seus cursos no tempo “ideal”. Estes, no geral, são justamente os mais pobres, os trabalhadores, os que têm filhos… enfim, os que se afastam do perfil classe média, dependente da família, dedicação exclusiva aos estudos.

Sim, sempre existiram e existirão aqueles que se aproveitam para abusar do coletivo e se perpetuar na universidade, segurando uma vaga sem aproveitamento por mil razões, às vezes absurdas. E não se pode concordar com isso. Mas esse fato não pode servir de subterfúgio para aproveitar a “deixa” e jogar pra fora jovens que querem estudar, mas estão com dificuldades reais. Pior é fazer isso sem que medidas pedagógicas concretas sejam adotadas pela instituição. Cadê o nosso papel educativo? Ele não deveria preceder o papel repressivo? Ou melhor, a educação não deveria substituir a repressão numa universidade?

A reitoria já declarou que vai recorrer da decisão judicial. A busca desenfreada, fria e calculista pela “excelência” agradece – se temos um problema… jogamos ele pela janela… Uma pena, o reitor e seus assessores poderiam parar para refletir antes de reafirmar sua postura. Desejamos que o Poder Judiciário ensine a UFRGS como defender a educação pública de qualidade…

Assim, deixo pública minha oposição à lógica implantada pela UFRGS e repasso o chamamento da Nair Silveira: professores, funcionários e estudantes, unidos contra a lógica repressiva, meritocrática e excludente!

CRECHE UFRGS SEMIABERTA

Vai reabrir sem comida… E atenção estudantes da UFRGS: cardápio da semana que vem é MARMITA

 Porto Alegre (balança, mas não cai…) – A direção da creche está chamando pais e mães para reunião com as educadoras amanhã, 25/02 (4a f), pro pessoal saber quem serão as profes de seus pequenos e o horário de funcionamento, a partir de 5a feira. Então, faltou avisar que a Multiágil deixou de tanta picaretagem e pagou suas dívidas com as trabalhadoras que educam nossos herdeiros. Menos mal.

Mas falei com um ex-educadora que está processando a empresa porque a mesma se recusa a pagar sua rescisão contratual. E afirma isso na frente do juiz, com a maior cara de pau! I É indigno, além de injusto. To na campanha junto com a ASSUFRGS: fim das terceirizações! Concursos públicos e dignidade pras trabalhadoras – não só da creche, claro, da limpeza, da segurança, da manutenção…

E a reabertura da creche vai ser parcial, com certeza. Pra quem não sabe o prédio verdinho acima atende em horário integral, manhã e tarde. Como o rolo das cozinheiras não foi equacionado, nada de comida. Só lanchinho. E vindo de casa. Alguém tem notícias da dita reunião que haveria hoje com a empresa (kamikaze?) que vai assumir os restaurantes universitários e creche? Assinaram o contrato? A reitoria disse que divulgaria um cronograma de normalização da comilança. Algum sinal de fumaça? Well, semana que vem, com toda a estudantada de graduação de volta – e faminta! – o caldo vai engrossar. Espero, desejo, apoio!

 

 

 

CRECHE UFRGS FECHADA

 

Crianças e pais da creche da UFRGS no gabinete do Reitor

Crianças e pais da creche da UFRGS no gabinete do Reitor

Porto Alegre (problema crônico) – A creche que atende os filhos dos servidores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul vem sofrendo frequentes problemas e descontinuidades na execução de seus trabalhos. Sou pai de estudantes da creche desde 2011 e já passei por vários perrengues.

Em minha opinião a raiz do problema é a terceirização dos contratos dos trabalhadores, o que inclui além da limpeza e segurança, a cozinha e, pasmem, as educadoras. Pra deixar o quadro mais complexo, a empresa que atualmente faz a limpeza de toda a universidade é a mesma que contrata nossas professoras… chama-se Multiágil. Seja o fim de contratos, seja atrasos de pagamentos, seja não liberação de vale alimentação etc os problemas da precarização das condições dessas trabalhadoras é absurda. Como todos sabem, terceirizados não tem direitos trabalhistas, estabilidade e ficam à mercê de empresas nem sempre tão sérias.

Hoje fui à reunião de início de ano, onde tradicionalmente as mães e pais são recebidos para informes, além de conhecerem os professores de seus filhos e o cronograma de adaptação dos pequenos. Mas o script foi outro. Sem cozinheiras e sem professores, as atividades não serão retomadas. O contrato da alimentação está sem empresa e as educadoras estão paralisadas por não terem recebidos seus direitos, conforme previsto e acordado com a Multiágil, que vem enrolando o povo todo há semanas. Logo, justíssima a reivindicação.

Indignações de todos e várias tentativas de encaminhamento, em meio a certa falta de rumo, alguns pais decidiram ir à reitoria buscar respostas com as autoridades.

Uma hora após chegarmos uma comissão de funcionários, mães e pais, sindicato (ASSUFRGS) e direção da creche foi recebida.

Gestores da UFRGS e comunidade da creche reunida

Gestores da UFRGS e comunidade da creche reunida

Na foto acima quem está falando é a Vice Pró-Reitora de Gestão de Pessoas (Progesp), Vânia. Resumindo:

1) amanhã, no final da tarde, haverá uma reunião com a 4a colocada (vixe, que pindaíba… as três anteriores caíram fora!!! Não cheira nada bem…) na licitação de alimentação para assinar contrato. Previsão de entrada em funcionamento: incerta. Esta empresa também será responsável pelos restaurantes universitários.

2) enquanto estávamos reunidos a Multiágil ligou e afirma ter feito os pagamentos atrasados das educadoras. Só teremos confirmação amanhã na abertura do horário bancário.

3) foi marcada reunião entre a Progesp, a Multiágil e as educadoras amanhã (3a f) às 7h30, na creche.

Enfim, a reabertura depende das educadoras, de fato, receberem, e finalizarem sua paralisação. Ainda assim, restará uma creche sem comida, o que deve durar algumas semanas… Seguimos atentos, defendendo o direito das crianças à educação infantil.

 

INVASÃO PAULISTA

invasão paulista

Porto Alegre (depois de longo verão ausente…) – Provocado por minha querida ex-orientanda Tina, volto a este humilde blog. A polícia federal me convocou para depor sobre a acusação de ter informações privilegiadas e prever o futuro. Alunos e outros malucos que me ouviram recentemente afirmando que a UFRGS tem medo da concorrência e que se a meritocracia por estas bandas fosse levada ao extremo, os estudantes de nossa prestigiosa universidade viriam de outras regiões e estados. Me declaro culpado, e tem prova disso em post que publiquei em janeiro aqui. Reportagem da Rádio Gaúcha mostra os dados deixando clara a mudança de perfil dos ingressantes – leia aqui.

Fiz umas tabelinhas para ilustrar a “invasão” dos “estrangeiros” nas terras do sul.

sisu x vest ufrgs geral

Note que praga. Pelo nosso glorioso vestibular, considerando as vagas de todos os cursos, conseguimos peneirar bem, e temos somente 3,9% de estrangeiros em nossas salas de aula. Já via Sisu os forasteiros chegam a absurdos 40,1%. Onde isso vai parar?

E notem o descalabro abaixo, nooosssaaaa senhooooraaaa….

sisu x vest ufrgs medicina

Diante de nossos incrédulos olhos estão as estatísticas do ultra concorrido curso de medicina. Via magnífico vestibular da UFRGS passaram pelo funil apenas 7,1% de gente de fora dos pampas. Já através do matadouro ENEM/SISu foram 81% de coisas ruins. Só os paulistas ocuparam 23 das 42 vagas, ou seja, 54,8% de conterrâneos meus. Sobrou só 19% pra médicos gaúchos…

Enfim, na primeira vez que estamos usando ENEM/SISu, com meros 30% de vagas em jogo, já fica claro o rumo da prosa. Se a UFRGS adotasse a prova nacional abolindo o vestibular em pouco tempo quase ninguém falaria tu ou tomaria chimarrão em nossos campi… E eu iria embora pra Patagônia, porque de paulista eu aguento só eu, e olhe lá, rarara.

Segue firme e altiva nossa eterna luta pelo fim dos vestibulares e do ENEM/SISu. Vagas pra todos em universidades públicas, gratuitas, laicas, democráticas e de qualidade social!!!

NOSSA UFRGS

O rapaz vai estudar em universidade dos Estados Unidos. Fez vestibular? Não!

O rapaz vai estudar em universidade dos Estados Unidos. Fez vestibular? Não!

Gramado (sem internet ontem a noite – fim do vestibular: a luta continua) – Tem gente na UFRGS que vive dizendo: somos uma universidade de “excelência”, de “padrão internacional”, bla, bla, bla. Então, na hora de selecionar estudantes que tal ver como fazem outras que, segundo múltiplos critérios internacionais, são consideradas universidades de qualidade?

Os norte-americanos são os pais da meritocracia, os arautos da concorrência, os pregadores do livre mercado, a pátria do self-made man (aqueles que se fazem por conta própria – leia aqui um artigo interessante). E os EUA figuram em qualquer ranking (ai, ai, ai, ai…) internacional de universidades, comparecendo com mais instituições do que qualquer outro país. Logo, os tupiniquins que acreditam em seleção, em meritocracia e em universidade de ponta deveriam ao menos saber e refletir sobre os modos de ingresso naquelas universidades.

Pois bem, o Gustavo, moço da foto acima, foi aceito para estudar na Stanford University (consta entre as 10 mais gostosonas nos rankings badalados). O rapaz que se faz por contra própria brasileiro conta como fez pra chegar lá (leia aqui).

Ele ensina e lista “alguns pilares avaliados na seleção de candidatos para os colleges” (por estas bandas diríamos faculdades ou universidades):

1) redações para entender o perfil e as histórias do candidato

2) nível de inglês (língua usada nas universidades americanas)

3) testes padronizados

4) cartas de recomendação

5) notas na escola

Os vestibulares, na melhor das hipóteses, cobrem dois dos tópicos acima: eles são um tipo de teste padronizado (item 3) e avaliam competência linguística (será?) com redação e prova de língua portuguesa (item 2 – inglês é a língua preferencial dos States…). Mas atenção, os testes padronizados ianques não são feitos em cada universidade, são testes nacionais. Aqui no Brasil costumam comparar estes testes (SAT e ACT) com o ENEM. No entanto, os testes norte-americanos não substituem os outros quesitos listados pelo Gustavo, ao contrário do ENEM que vem sendo utilizado como único ou principal meio de seleção, logo é uma comparação equivocada.

Frente a frente com a seleção meritocrática norte-americana os nossos vestibulares (e o ENEM) são simplórios e reducionistas. Os vestibulares ignoram a trajetória dos estudantes, a inserção social e acadêmica dos candidatos, as suas relações e compromissos coletivos, a sua vida escolar, os seus anseios e projetos. Isso tudo que os brasileiros descartam é a essência da seleção dos súditos de Obama. Taí algo que, por coerência, os meritocratas brasileiros deveriam refletir por dois segundos antes de seguir defendendo ENEM e/ou vestibulares cegamente. Perto das melhores universidades do mundo nossas seleções de estudantes são tacanhas, burocráticas, estreitas…

E tem mais… a batalha contra os vestibulares segue firme!

NOSSA UFRGS

Corredor polonês na saída de vestibulando ontem, domingão, no Colégio Militar

Corredor polonês na saída de vestibulando ontem, domingão, no Colégio Militar

Gramado (no meio do mato! – fim do vestibular 2, a missão) – E o corredor polonês não tem nada a ver com o soldado. Os candidatos tinham que enfrentar um montão de gente querendo entregar folhetos de faculdades privadas, cursinhos pré-vestibulares e até uma moça fazendo pesquisa de opinião.

Pra quem não sabe eu tenho super poderes. Ao meio dia, sol a 32 º C, pude exercitar minha amplíssima capacidade de ler pensamentos. Veja o resultado:

Candidato 1 (saindo estafado) – “Poxa, só uma propaganda? Eu quero colo. Cadê minha mãe?”

Corredor polonês 1 – “Ahaaa, sabe o que esse aí vai fazer em 2015? Pagar o meu salário!”

Candidato 2 (felizinho da vida) – “Sai urubu!!! Eu vou entrar na UFRGS e não preciso de vocês!”

Corredor polonês 2 – “Mais um pato! De cada 10 esperançosos que passam, 9 são meus potenciais clientes e só 1 vai entrar na UFRGS”

Well, os vestibulares (e o ENEM também) são um grande negócio. Muita gente ganha dinheiro graças ao funil mantido pelas universidades. A começar, os cursinhos pré-vestibulares, sem dúvida, vendendo sonhos. As instituições privadas de educação superior também sambam no mesmo enredo, realizando os seus “concursos” seguindo o calendário das grandes e famosas – disso volto a falar em outro post -, mas também a própria “comunidade” acadêmica.

Mas não podemos esquecer que professores, funcionários e estudantes da UFRGS (e de outras também) trabalham nos vestibulares e são remunerados, para além dos salários federais. Logo, os vestibulares terão muitos defensores internos, independente de discussões sociais ou teórico-metodológicos, pois seus ganhos financeiros são paupáveis.

Umas continhas. Se a proporção de pagantes do vestibular 2015 da UFRGS for equivalente ao do ano passado, teremos ao menos metade dos inscritos pagando valor integral, ou seja, 20.000 candidatos pagando R$110,00. Logo, R$2,2 milhões captados. Assim, não é exagero dizer que vestibular é um negócio milionário também para a universidade.

Fato que é caro montar boas provas, sem vazar informações, com sigilo dos elaboradores de questões, com uma logística envolvendo vários locais e dias de concurso. Porém, resta uma parcela suficiente para distribuir entre os adeptos do vestibular dentro da universidade, o que é e será um argumento forte para convencer uma parte da comunidade sobre a necessidade de preservar o vestibular…

NOSSA UFRGS

Logo da universidade (e o galã é o nosso reitor, o Alex)

Porto Alegre (Fim do vestibular 1) – Pros gaúchos o primeiro parágrafo é estúpido, mas pro povo do resto do Brasil é aula de alfabetização. Vamos lá: não somos uma sigla, como UFMG ou UFRJ, logo, nada de U-F-R-G-S. Somos um nome próprio, com identidade e sotaque. Pronuncie: “Úrguez”. Não é “Úrguiz”. Atenção, cariocas, sem Xix no final! E esqueçam do F. Ninguém fala “Uférguez”.

Claro,” nossa UFRGS” porque ela é pública. Como instituição federal é mantida com recursos do teu bolso, do meu bolso, do nosso bolso. Ela é propriedade do Estado brasileiro e tem como função servir ao povo do país. Acaba de completar 80 anos, com forte trajetória acadêmica, assim, é uma universidade consolidada. Mas é importante questionar o quão pública ela é e como vem servindo à população brasileira. A universidade cresce e vem se modificando na busca de aperfeiçoamento. Hoje vou falar sobre alterações no vestibular.

No exato momento em que escrevo e posto este texto cerca de 40 mil candidatos se acotovelam em busca de aproximadamente 4 mil vagas. A conta é simples, mas os números não falam, nós é que damos significados aos dados quantitativos. Um exemplo: nossa sociedade (doente?) acha normal, aceitável, que 30 mil pessoas não tenham direito a estudar na UFRGS. Ao contrário, julgamos ser saudável que a juventude se torture anos a fio com o singular objetivo de pisar no pescoço de outros 9 concorrentes.

A edição de hoje do jornal Zero Hora questiona “o futuro do vestibular” e aponta seu potencial substituto, o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), como única alternativa. Este será o primeiro ano em que a UFRGS preencherá vagas via ENEM / Sisu (Sistema de Seleção Unificada, mais info aqui). Serão 30% das vagas, um teste.

Bem, na míope percepção deste que vos escreve, vestibular e ENEM são farinha do mesmo saco. Apesar das reais diferenças entre os dois mecanismos há um princípio que os une pela raiz: são, ambos, instrumentos de exclusão, montados para justificar e legitimar que poucos tenham acesso à Educação Superior. E, cereja no bolo, ainda culpabilizam as vítimas pelo seu próprio fracasso. Acredito que precisamos mudar a sintonia do debate e defender o direito de acesso ao ensino superior para TODOS (sem vírgulas, sem senões). Seguimos…