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PROFISSIONAL?

Única? Exclusiva? Inédita?

Única? Exclusiva? Inédita?

Porto Alegre (diferencial de mercado) – Deixa eu ver se entendi… Em nossa galáxia existe apenas uma “preparação profissional para o ENEM/UFRGS”. Ah, bom! E agora temos uma universidade com ENEM próprio, diferente dos demais ENEMs, o que exige um trabalho exclusivo.

E é um curso profissional. Profissionalizante? Claro, os estudantes fazem o cursinho uns 3 anos seguidos, logo, merecem um diplominha, não?! E se é profissional já não seria melhor ir direto pro “mercado” ganhar dinheiro ao invés de frequentar faculdade mais uns pares de anos?

Tudo límpido agora.

Maaassss, ainda me restou uma dúvida: onde são formados os profissionais que dão aulas na preparação profissional para o ENEM/UFRGS? Fiquei instigado a fazer uma conversão na carreira e dar aula em cursinho. Qual o nome dessa licenciatura? Tá na lista do Sisu?

INVASÃO PAULISTA

invasão paulista

Porto Alegre (depois de longo verão ausente…) – Provocado por minha querida ex-orientanda Tina, volto a este humilde blog. A polícia federal me convocou para depor sobre a acusação de ter informações privilegiadas e prever o futuro. Alunos e outros malucos que me ouviram recentemente afirmando que a UFRGS tem medo da concorrência e que se a meritocracia por estas bandas fosse levada ao extremo, os estudantes de nossa prestigiosa universidade viriam de outras regiões e estados. Me declaro culpado, e tem prova disso em post que publiquei em janeiro aqui. Reportagem da Rádio Gaúcha mostra os dados deixando clara a mudança de perfil dos ingressantes – leia aqui.

Fiz umas tabelinhas para ilustrar a “invasão” dos “estrangeiros” nas terras do sul.

sisu x vest ufrgs geral

Note que praga. Pelo nosso glorioso vestibular, considerando as vagas de todos os cursos, conseguimos peneirar bem, e temos somente 3,9% de estrangeiros em nossas salas de aula. Já via Sisu os forasteiros chegam a absurdos 40,1%. Onde isso vai parar?

E notem o descalabro abaixo, nooosssaaaa senhooooraaaa….

sisu x vest ufrgs medicina

Diante de nossos incrédulos olhos estão as estatísticas do ultra concorrido curso de medicina. Via magnífico vestibular da UFRGS passaram pelo funil apenas 7,1% de gente de fora dos pampas. Já através do matadouro ENEM/SISu foram 81% de coisas ruins. Só os paulistas ocuparam 23 das 42 vagas, ou seja, 54,8% de conterrâneos meus. Sobrou só 19% pra médicos gaúchos…

Enfim, na primeira vez que estamos usando ENEM/SISu, com meros 30% de vagas em jogo, já fica claro o rumo da prosa. Se a UFRGS adotasse a prova nacional abolindo o vestibular em pouco tempo quase ninguém falaria tu ou tomaria chimarrão em nossos campi… E eu iria embora pra Patagônia, porque de paulista eu aguento só eu, e olhe lá, rarara.

Segue firme e altiva nossa eterna luta pelo fim dos vestibulares e do ENEM/SISu. Vagas pra todos em universidades públicas, gratuitas, laicas, democráticas e de qualidade social!!!

NOSSA UFRGS

Logo da universidade (e o galã é o nosso reitor, o Alex)

Porto Alegre (Fim do vestibular 1) – Pros gaúchos o primeiro parágrafo é estúpido, mas pro povo do resto do Brasil é aula de alfabetização. Vamos lá: não somos uma sigla, como UFMG ou UFRJ, logo, nada de U-F-R-G-S. Somos um nome próprio, com identidade e sotaque. Pronuncie: “Úrguez”. Não é “Úrguiz”. Atenção, cariocas, sem Xix no final! E esqueçam do F. Ninguém fala “Uférguez”.

Claro,” nossa UFRGS” porque ela é pública. Como instituição federal é mantida com recursos do teu bolso, do meu bolso, do nosso bolso. Ela é propriedade do Estado brasileiro e tem como função servir ao povo do país. Acaba de completar 80 anos, com forte trajetória acadêmica, assim, é uma universidade consolidada. Mas é importante questionar o quão pública ela é e como vem servindo à população brasileira. A universidade cresce e vem se modificando na busca de aperfeiçoamento. Hoje vou falar sobre alterações no vestibular.

No exato momento em que escrevo e posto este texto cerca de 40 mil candidatos se acotovelam em busca de aproximadamente 4 mil vagas. A conta é simples, mas os números não falam, nós é que damos significados aos dados quantitativos. Um exemplo: nossa sociedade (doente?) acha normal, aceitável, que 30 mil pessoas não tenham direito a estudar na UFRGS. Ao contrário, julgamos ser saudável que a juventude se torture anos a fio com o singular objetivo de pisar no pescoço de outros 9 concorrentes.

A edição de hoje do jornal Zero Hora questiona “o futuro do vestibular” e aponta seu potencial substituto, o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), como única alternativa. Este será o primeiro ano em que a UFRGS preencherá vagas via ENEM / Sisu (Sistema de Seleção Unificada, mais info aqui). Serão 30% das vagas, um teste.

Bem, na míope percepção deste que vos escreve, vestibular e ENEM são farinha do mesmo saco. Apesar das reais diferenças entre os dois mecanismos há um princípio que os une pela raiz: são, ambos, instrumentos de exclusão, montados para justificar e legitimar que poucos tenham acesso à Educação Superior. E, cereja no bolo, ainda culpabilizam as vítimas pelo seu próprio fracasso. Acredito que precisamos mudar a sintonia do debate e defender o direito de acesso ao ensino superior para TODOS (sem vírgulas, sem senões). Seguimos…