Tag Archives: paridade

CA ganha, mas Rui leva reitoria UFRGS

Rui e Jane eleitos - regras atuais...

Rui e Jane eleitos – regras atuais…

Porto Alegre (Regras do jogo) – Se – e somente se – houvesse paridade na apuração das eleições reitorais, a Chapa 1, Virada, composta por C.A. / Laura teria ganho a votação e seria eleita. E fácil, com 46% dos votos válidos. E os reais eleitos pelas regras atuais (Chapa 3 – Rui / Jane) ficariam, nessa hipótese, em segundo com 37%.

A Virada (com Carlos Alberto Saraiva Gonçalves e Laura Verrastro Viñas) venceu por maioria absoluta entre os técnicos (57%) e estudantes (53%). E perdeu entre os docentes (30%).

Vice-reitor nas duas últimas gestões, Rui Vicente Oppermann (Chapa 3) vai assumir a cadeira magnífica e sua colega Jane Tutikian ocupará a vice pelos próximos 4 anos. Ele obteve 53% dos votos entre os docentes, 26% entre os técnicos e 33% entre os estudantes.

A grande perdedora foi a chapa 2, composta por Sérgio Roberto Kieling Franco e por Andrea Machado Leal Ribeiro. Sérgio foi diretor da Faculdade de Educação, pró-reitor de graduação até dezembro passado e é membro do Conselho Nacional de Educação. Mas os resultados eleitorais foram pífios, sendo derrotado em todas as categorias: 13% entre os docentes, 6% entre os técnicos e 11% entre os estudantes. Eu apostava que eles, de fato, seriam os últimos colocados, mas não achava que seria de lavada…

Os votos brancos foram poucos: 1,5% entre os docentes, 1,1% entre os técnicos e 0,6% entre os estudantes.

Os votos nulos foram mais expressivos que os brancos. Porém, dado que havia campanha pelo voto nulo, avalio que os números foram fracos pra essa manifestação: 2,5% entre docentes, 9,5% entre os técnicos e 2,5% entre os estudantes.

Já o resultado mais gritante foram as abstenções: 26% entre docentes, 34% entre os técnicos e 89% entre os estudantes. Aqui as avaliações podem ser bem distintas… Um quarto dos docentes se abster pode ser puro descompromisso, alienação ou certeza que o Rui ganharia (e estavam felizes ou nem aí). Já entre técnicos pode ser muito mais coisas: a começar repudio a um processo que os apequena e desvaloriza, mas também as alternativas apontadas pros docentes. No caso dos estudantes pode valer tudo que apontei pros técnicos somada a possível menor compreensão / vivência de como funciona a instituição (isto uma grande culpa de docentes e técnicos).

Mas lembremos que a UFRGS é conservadora (diria retrógrada) e se mantém confortavelmente defendendo que os docentes tenham o exorbitante peso de 70% dos votos. Sobram meros 15% do peso para os técnico-administrativos e reles 15% para os estudantes. Nessa regra, ganhou quem está na máquina.

Há múltiplas formas de contabilizar a paridade, logo não há consensos e nem regras fixas nestas contas. Eu divulgo continhas com 1/3 de peso pra cada categoria sem nenhuma forma de redução por índice de participação (por exemplo, alguns lugares ou exigem um percentual mínimo de votantes na categoria para validar os votos e outros lugares reduzem os pesos em proporção às abstenções). Assim, o que vale, no geral, é o acordo político feito com entidades representativas e/ou conselhos universitários. Reitero: é bem possível (e provável) que outras análises sobre os mesmos números levem a diferentes interpretações – o que não é um problema, necessariamente. Aqui é só a minha e respondo pessoalmente por ela.

“Nesta” paridade CA teria 46% dos votos, Rui ficaria com 37% e Sérgio obteria 10%. Não fecha 100% porque ainda tem os brancos e nulos.

 

Resultados oficiais (sem possíveis impugnações) – ver aqui

Chapa 1 – Carlos Alberto Saraiva Gonçalves (Instituto de Ciências Básicas da Saúde) e Laura Verrastro Vinas (Instituto de Biociências)

Chapa 2, Sérgio Roberto Kieling Franco (Faculdade de Educação) e Andrea Machado Leal Ribeiro (Faculdade de Agronomia)

Chapa 3 –  Rui Vicente Oppermann, (Faculdade de Odontologia) e Jane Tutikian (Instituto de Letras).

 Docentes (Peso 0,7):
Chapa 1 – 629 votos
Chapa 2 – 286 votos
Chapa 3 – 1.112 votos
Branco – 32 votos
Nulo –53 votos
TOTAL: 2.112
Votantes habilitados: 2.872

Técnico-administrativos (Peso 0,15):
Chapa 1 – 994 votos
Chapa 2 – 110 votos
Chapa 3 – 465 votos
Branco – 21
Nulo–167

TOTAL – 1.757
Votantes habilitados – 2.656

Discentes (Peso 0,15):
Chapa 1 – 2.073 votos
Chapa 2 – 435 votos
Chapa 3 – 1.280 votos
Branco – 22
Nulo – 98
TOTAL – 3.908
Votantes habilitados – 37.323

Cálculo da apuração

Docentes Técnicos Discentes TOTAL
Chapa 1 0,153307 0,056137 0,008331 0,217775
Chapa 2 0,069707 0,006212 0,001748 0,077667
Chapa 3 0,271030 0,026261 0,005144 0,302435

UFRJ DE EXCELÊNCIA

Roberto Leher,eleito reitor da maior universidade federal

Roberto Leher,eleito reitor da UFRJ

Porto Alegre (excelência em democracia) – Funcionários, estudantes e professores acabam de eleger o novo reitor da maior universidade federal do país, a UFRJ (Rio de Janeiro) – ver aqui. Uma instituição de qualidade também é aquela que cumpre suas atribuições sem abrir mão do fortalecimento democrático, do debate franco e aberto.

Parabéns aos cerca de 20 mil eleitores da comunidade da UFRJ por nos mostrar que excelência pode e deve ocorrer com participação ampliada, discussão de ideias e voto de todos os setores envolvidos – aqui as propostas da chapa vencedora. Mais: Leher foi eleito num sistema paritário, onde cada uma das três categorias vale 1/3 dos votos.

Pelas regras burocráticas e autoritárias vigentes (e que muitas universidades seguem servilmente – como a UFRGS), o voto dos professores valeria 70% do total (mais de 2/3).

A apuração ainda não foi concluída, mas fica claro que Leher não seria eleito caso sua instituição se curvasse às regras tradicionais. Por exemplo, ele teve 1.119 votos entre os professores, enquanto a outra chapa concorrente obteve 1.844 votos nesta categoria.

Por outro lado fica evidente o amplo apoio a Leher dos outros dois setores, o que permitiu a sua vitória: conseguiu 2.694 entre os servidores técnico-administrativos contra 1.898 dos seus adversários. E foi acachapante entre os estudantes: 9.420 votos contra 2.692 dos seus opositores.

Resumindo: Leher teve apoio de 38% dos docentes, 57% dos servidores técnico-administrativos e 77% dos estudantes. E na ponderação paritária ficou cerca de 1% a frente da chapa opositora. Este é o resultado do 2º turno das consultas à comunidade (que teve 3 chapas no primeiro turno), e o Conselho Universitário tem o compromisso público de respeitar o resultado das consultas na composição da lista tríplice, obrigatória pela legislação vigente, a ser submetida ao Ministério da Educação (um absurdo rabicho da ditadura, intocado pelos governos de plantão em Brasília…).