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RANKING (IN)CONVENIENTE

E a melhor é pública. Mas isso não deve ser dito...

E a melhor é pública. Mas isso não deve ser dito…

Porto Alegre (recomeçou a temporada de bobagens) – É só sair o resultado do ENEM pro mesmo lero-lero voltar. Parece que parte da mídia só requenta notícias. E com a habitual falta de isenção. As chamadas da “notícia” no G1 RS dialogam bem com o senso-comum – ver aqui. Informa que das 100 melhores escolas gaúchas a maioria é privada. O leitor talvez fique satisfeito e já pode sair praguejando: “Tá vendo, o Poder Público é corrupto, ineficiente etc.”

Mas é só ler o que se segue na matéria e a manchete poderia ser outra, por exemplo: “A melhor escola do RS é pública!” Mais: é federal (Colégio Politécnico da UFSM – Santa Maria), com dinheiro vindo direto de Brasília, para alguns um antro de malfeitores, incompetentes…

E para os amantes das competições, fãs da concorrência, adoradores dos pódios, daquele negócio de dar medalhas de ouro, prata e bronze pros 3 bambambans (é assim que escreve?), entre as escolas gaúchas haveria apenas um lugar para as escolas privadas. Ou seja, pros que acreditam em rankings (mesmo!)  a manchete (sensacionalista?) poderia ser: “Privadas gaúchas levam pau de públicas no ENEM”.

O Ministério da Educação segue fornecendo munição pra uso e abuso de quem quiser – inclusive eu. E não vale dizer que isso é coisa de governo golpista, da direita… O PT azeitou a máquina das avaliações em larga escala e anabolizou junto à imprensa seu poderio de mostrar serviço, importando-se bem pouco com a construção de rankings, fortalecendo a meritocracia, dando holofotes ao mercado educacional.

Por que é tão fundamental dizer quem é melhor? Qual o motivo de buscarmos quantificar critérios pra milimetrar um fenômeno social, no caso, a educação? A busca insana por racionalidade pode tornar-se estúpida, um verdadeiro tiro no pé. Voltemos ao G1 RS.

O segundo colocado no estado (Colégio Sinodal – São Leopoldo – privado)  fez 653,20 de média nas provas objetivas. Já o dono do terceiro posto (Colégio Tiradentes – Porto Alegre – estadual) pontuou em 652,79 no mesmo critério. Bem, quer dizer que o Sinodal é melhor que o Tiradentes?! Por 0,41 pontos numa escala de mais de 600… Pode gargalhar!!! Não existe margem de erro nesse troço? Quem é o estatístico que respalda isso? Ou ainda, qual a “receita” (a direita adooora receitas – coisas pra seguir sem pensar) pedagógica do Sinodal pra ser 0,41 pontos superior ao Tiradentes? É de chorar, tamanha a tosquice (esta não existe, mas o povo fala, entende, então eu deixo).

Olha, dava pra ficar horas descendo o cacete no ENEM e nas torturas que os dados sofrem pelos usuários. Mas encerro com apenas mais um tabefe (juro!). Os idólatras da meritocracia ENEMziana vivem na estratosfera, num universo paralelo, pois ignoram solenemente a existência dos cursinhos. Em miúdos: quem disse que a nota deve ser creditada exclusivamente aos bons serviços do Politécnico da UFSM, do Sinodal e do Tiradentes? Nenhum de seus alunos fez cursinho pré-vestibular (agora rebatizados de Pré-ENEM)??? E atenção, nada contra estas três instituições em específico, pois o raciocínio vale pra todas as demais. Também não defendo os cursinhos, mas eles existem, e não podemos fingir o contrário.

Pra quem não me conhece: acho o ENEM uma enorme estupidez, um desperdício de dinheiro público, um desserviço para o debate sobre qualidade do ensino. Acredito que rankings educacionais servem pra muito pouco de positivo e pra coisa demais de negativo. Deveríamos investir mais dinheiro e energia pra gerar colaboração, solidariedade, condições físicas e materiais pras escolas, salários para professores etc e não botar isso tudo no ENEM e quetais.

UFRGS TEM MEDO DA USP?

Cadê a livre concorrência?

Cadê a livre concorrência?

Porto Alegre (santa coincidência) – Por três anos consecutivos as provas do vestibular da UFRGS são agendadas nos mesmos dias do vestibular da USP. Haja conjunção astral!!!

Escrevi sobre isso em janeiro, especulando sobre a nossa autoproclamada “melhor universidade do Brasil” estar fugindo da concorrência direta com a Universidade de São Paulo – ler aqui.

Pois bem, a USP anunciou seu cronograma no dia 03 de agosto passado (ver aqui), exatamente um mês antes da UFRGS – ver aqui. E mais uma vez o “destino” proíbe – na prática – que os candidatos concorram a ambas instituições, tendo em vista que as provas de seleção ocorrerão nos mesmos dias.

A UFRGS marcou as provas entre os dias 10 e 13/01/2016 já sabendo que sua colega paulista realizaria a segunda fase da seleção entre 10 e 12/01/2016. Nestes dias a universidade do sul aplicará provas em 4 cidades escaldantes, enquanto a instituição do sudeste torturará jovens em 28 municípios.

Onde fica a tão badalada meritocracia nessas horas? Os estudantes não deveriam ter o direito de optar? A UFRGS não teria o direito de concorrer aos candidatos da USP?

Pergunta: quem ganha com isso? Hipótese… A milionária arrecadação de inscrições da UFRGS? E também tem a tese da “invasão paulista”, conhece? Não?! Leia aqui.

Pra quem não sabe… Promovo uma campanha ampla e irrestrita, interinstitucional anti-vestibular. Se tiver paciência ou curiosidade é só buscar “vestibular” aqui no blog e verá todas as bobagens que já escrevi a respeito. E sigo na luta!!!

VENDENDO EDUCAÇÃO

Leão esperto: faz peneira e diz que aprova mais

Espertinhos: fazem peneira e dizem aprovar mais

Porto Alegre (qualidade terceirizada) – O mundo das instituições privadas de educação é um conto de fadas. Vive-se num universo paralelo, apartado da realidade, longe dos pobres e das maiorias. Mira-se nos mais abastados e nas minorias, no ensino para poucos – o oposto da educação pública, da realidade dura e crua.

O caso da foto acima (ver aqui) não é um ponto fora da curva, mas a expressão de uma lógica bastante disseminada, não só nos cursinhos pré-vestibulares – agora, transformistas, pré-ENEM.

Veja que belo: vendem a imagem de bonzinhos, samaritanos, distribuindo bolsas e descontos. Mais, defensores da meritocracia, dão oportunidades para que os melhores, os mais aptos, mais fortes e inteligentes, abençoados, heróis da resistência, os adaptados, os escolhidos… compartilhem de sua excelência, do “curso que mais aprova nas melhores universidades”.

Olha que interessante: patrocinam uma lógica que exclui a ampla maioria (seja de seus cursos, seja das melhores universidades…), legitimam a privatização do fracasso, que deixa de ser social e público e passa a ser de cada indivíduo e de suas famílias. Armam um funil para onde atraem multidões atrás das bolsas, peneirando alunos já com ampla bagagem – social, econômica, política, cultural etc – estudantes focados, sedentos, bem (auto) centrados, o supra-sumo da concorrência, a nata da escolarização. Resultado: conseguem alta aprovação na educação superior.

Perguntinha tostines (piada só pros mais velhinhos, tipo eu): elas tem os melhores alunos porque aprovam mais ou aprovam mais porque tem os melhores alunos? As privadas tentam nos convencem que a primeira parte é a certa. Em outras palavras, onde reside a qualidade destas instituições?

Uma hipótese, da qual compartilho, é que o sucesso delas não está na qualidade de seus sistemas de ensino – não prioritariamente. O pulo do gato (do leão?) é que elas selecionam seus estudantes. Ensinar os “bons” alunos, preparar os que já chegam até suas escolas preparados é moleza. Mais da metade do caminho já foi percorrido, bastando lapidar suas preciosidades, minuciosamente garimpadas.

E o cômico é que em certo sentido estas instituições praticam o anti-mercado. A concorrência não tem nada de livre, de aberta. Ela é direcionada, fechada, tutelada. Se confiassem em seu taco, se apostassem que seus métodos (sim, eles acreditam nisso), suas instalações, seus professores fossem a chave de seu sucesso elas não precisariam distribuir bolsas, caçar estudantes. Estes viriam espontaneamente, bons consumidores que são, e pagariam pra estudar lá, a custos ainda mais altos. Enfim, dariam mais lucro!

Logo, está pronta a piada: estas magníficas instituições não gostam de lucrar mais? Rarararara!!! Ou só estão protegendo os seus ovos de ouro? Quem? Os estudantes prontinhos, aqueles que seriam capazes de passar em vestibulares e ENEMs mesmo sem os ditos cursos. Mas nestes são treinados, adestrados para sentar, dar a patinha e fingir de morto, o que nosso sistema universitário tacanho adooorrraaaaa.

No exemplo do curso Anglo uma magnífica escolha de mascote: o rei, o sangue azul, o predador, o topo da cadeia alimentar, bem ao gosto de nossa classe dominante e o fascínio dos pequeno burgueses sedentos em ficar com algumas migalhas de nossa sociedade excludente, desigual, injusta…

VENDENDO EDUCAÇÃO

 

Educação: água e óleo?

Educação: água e óleo? Viva a homogeneidade…

Porto Alegre (cuidado com misturas…) –  Capitalismo nas veias da educação. Ninguém vai reclamar? Nos últimos tempos alguns reclamam do comunismo, do Paulo Freire… Mas e o capitalismo selvagem, que divide, separa, torna diferenças em desigualdades. Especializa precocemente, aparta, cria “quadrados” imaginários, segrega. Tudo em nome de uma suposta homogeneidade. Perdemos identidade e somos rotulados por pretensos conhecimentos e capacidades “iguais”. E quem melhor que os cursinhos pré-vestibulares pra dizer isso, afinal, todos os seus alunos são aprovados em primeiro lugar exatamente nos cursos que desejam, não é isso???? Saem todos com a mesma “bagagem”, no mesmo “nível”.. Ahã…

A pedagogia capitalista nos faz acreditar nessa sincronia abissal em que uma criança de 5 anos não deva estar na mesma sala que outra criança de 6 anos. São muuuiito diferentes. É igual lexotan e pinga. Não se deve misturar. Uma não respeita a outra. Uma atrapalha a outra. Elas tem necessidades absolutamente inconciliáveis… 5 e 6 anos?

CONTRA A EXPULSÃO DE ESTUDANTES 1

DCE vence reitoria na justiça

DCE vence reitoria na justiça

Porto Alegre (“Excelência” é fazer justiça) – A reitoria da UFRGS perdeu para o DCE na justiça – ver aqui e aqui. É verdade, a medida que inclui a expulsão de estudantes foi respaldada pelo conselho universitário, o qual infelizmente vem demonstrando ser pouco mais que um braço da reitoria… (ver a Resolução 19/2011 aqui)

Alguns dias atrás fui cutucado pela colega Nair Silveira, do Instituto de Psicologia, para fazermos um movimento contra a lógica repressiva, arbitrária e excludente, de viés meritocrático que agora o Diretório Central dos Estudantes derruba pelas vias judiciais. A proposta da Nair é deixarmos claro que não há consenso na universidade sobre a linha dura adotada. Mais, defendemos radicalmente a adoção de ações includentes, receptivas, aconchegantes, solidárias, de apoio, de assistência estudantil, de suporte – em especial para os estudantes com dificuldades em seguir seus cursos no tempo “ideal”. Estes, no geral, são justamente os mais pobres, os trabalhadores, os que têm filhos… enfim, os que se afastam do perfil classe média, dependente da família, dedicação exclusiva aos estudos.

Sim, sempre existiram e existirão aqueles que se aproveitam para abusar do coletivo e se perpetuar na universidade, segurando uma vaga sem aproveitamento por mil razões, às vezes absurdas. E não se pode concordar com isso. Mas esse fato não pode servir de subterfúgio para aproveitar a “deixa” e jogar pra fora jovens que querem estudar, mas estão com dificuldades reais. Pior é fazer isso sem que medidas pedagógicas concretas sejam adotadas pela instituição. Cadê o nosso papel educativo? Ele não deveria preceder o papel repressivo? Ou melhor, a educação não deveria substituir a repressão numa universidade?

A reitoria já declarou que vai recorrer da decisão judicial. A busca desenfreada, fria e calculista pela “excelência” agradece – se temos um problema… jogamos ele pela janela… Uma pena, o reitor e seus assessores poderiam parar para refletir antes de reafirmar sua postura. Desejamos que o Poder Judiciário ensine a UFRGS como defender a educação pública de qualidade…

Assim, deixo pública minha oposição à lógica implantada pela UFRGS e repasso o chamamento da Nair Silveira: professores, funcionários e estudantes, unidos contra a lógica repressiva, meritocrática e excludente!

TETAS DO FIES 2

E aí, queridos companheiros: defendem a meritocracia do PT?

E aí, queridos companheiros: defendem a meritocracia do PT?

Porto Alegre (Mercadante, larga o osso do MEC!) – E após a grande descoberta de que faculdades que mamam no FIES “abusam” nas mensalidades, o ministro Aloizio chega pra botar ordem no galinheiro. Ops, mas o Mercadante voltou pro MEC? Não, calma gente, é que como o MEC é uma nau à deriva chamaram o bigodudo pra dizer qual é o rumo a seguir.

E não é que o cara tem didática?! Vejam o trechinho do pronunciamento feito ontem aqui (só 2 minutos, vá!). Ele lista as ações em que o MEC já implantou a “MERITOCRACIA”:

1) SISU

2) SISUTEC

3) PROUNI

4) CIÊNCIA SEM FRONTEIRA

Próxima da lista:

5) FIES

Agora, também no FIES, só mama quem merece. Não adianta chorar.

Well, well, well… é por essas e outras que tenho dito aos meus colegas e amigos: pouco importa quem estará no MEC. A linha atual segue. E nesse rumo há alguns candidatos excelentes para dar sequência à meritocracia… daqui a pouco mais novidades da brava procura do novo ministro da educação…

 

TETAS DO FIES 1

Mercado? Os empresários da educação  querem é mamar nas tetas do governo... às novas custas

Mercado? Os empresários da educação querem é mamar nas tetas do governo… às nossas custas

Porto Alegre (MEC late pro FIES) –  Pra quem não sabe o FIES é uma obra tucana, criada em 1999, no governo FHC. Os mandatos petistas azeitaram a máquina e turbinaram o sistema. Os mercadores da educação que se beneficiam do Fundo de Financiamento Estudantil (FIES) queriam seguir lucrando acima da inflação e ainda manter suas bocas nas tetas governamentais (veja aqui). Mas o governo se defendeu na justiça e, provisoriamente, conseguiu fazer prevalecer sua proposta de criar limites para o reajuste de mensalidades das instituições que utilizam o FIES.

O MEC, talvez iluminado pela onda de manifestações em prol da probidade, da transparência, contra a corrupção etc teve uma brilhante e inovadora ideia: criou uma comissão para acompanhar as mensalidades dos empresários do ensino que mamam no FIES. Uau! Eureca! De onde veio tanta inspiração? Taí o MEC latindo pro FIES, porque morder os mercadores da educação ainda é um projeto longínquo… Volto mais tarde pra falar de ideias revolucionárias pro FIES.

Ministro da Educação? Alguém viu?

 

 

INVASÃO PAULISTA

invasão paulista

Porto Alegre (depois de longo verão ausente…) – Provocado por minha querida ex-orientanda Tina, volto a este humilde blog. A polícia federal me convocou para depor sobre a acusação de ter informações privilegiadas e prever o futuro. Alunos e outros malucos que me ouviram recentemente afirmando que a UFRGS tem medo da concorrência e que se a meritocracia por estas bandas fosse levada ao extremo, os estudantes de nossa prestigiosa universidade viriam de outras regiões e estados. Me declaro culpado, e tem prova disso em post que publiquei em janeiro aqui. Reportagem da Rádio Gaúcha mostra os dados deixando clara a mudança de perfil dos ingressantes – leia aqui.

Fiz umas tabelinhas para ilustrar a “invasão” dos “estrangeiros” nas terras do sul.

sisu x vest ufrgs geral

Note que praga. Pelo nosso glorioso vestibular, considerando as vagas de todos os cursos, conseguimos peneirar bem, e temos somente 3,9% de estrangeiros em nossas salas de aula. Já via Sisu os forasteiros chegam a absurdos 40,1%. Onde isso vai parar?

E notem o descalabro abaixo, nooosssaaaa senhooooraaaa….

sisu x vest ufrgs medicina

Diante de nossos incrédulos olhos estão as estatísticas do ultra concorrido curso de medicina. Via magnífico vestibular da UFRGS passaram pelo funil apenas 7,1% de gente de fora dos pampas. Já através do matadouro ENEM/SISu foram 81% de coisas ruins. Só os paulistas ocuparam 23 das 42 vagas, ou seja, 54,8% de conterrâneos meus. Sobrou só 19% pra médicos gaúchos…

Enfim, na primeira vez que estamos usando ENEM/SISu, com meros 30% de vagas em jogo, já fica claro o rumo da prosa. Se a UFRGS adotasse a prova nacional abolindo o vestibular em pouco tempo quase ninguém falaria tu ou tomaria chimarrão em nossos campi… E eu iria embora pra Patagônia, porque de paulista eu aguento só eu, e olhe lá, rarara.

Segue firme e altiva nossa eterna luta pelo fim dos vestibulares e do ENEM/SISu. Vagas pra todos em universidades públicas, gratuitas, laicas, democráticas e de qualidade social!!!

NOSSA UFRGS

Humilde adesivo espalhado em nossa universidade

Gramado (segue a batalha anti-vestibular) – Concorrência de araque…Quem acredita em vestibular defende a concorrência, a lógica básica de livre mercado na qual quem pode mais ganha mais. No caso das universidades estamos tratando da meritocracia, onde quem faz por merecer e se vira melhor que os demais concorrentes tem direito a uma vaga. Esse é o princípio oficial. Perguntinha: é possível uma concorrência justa se o vestibular cobra química e física num país que, segundo fontes oficiais, ao menos metade dos estudantes de escolas públicas não contam com professores habilitados para estas disciplinas? A resposta da sociedade, hoje, é: sim, é justo, azar deles. Somos hipócritas!

Então, assim como nos demais mercados, nos vestibulares também as instituições escolhem com quem concorrer e com quem é melhor não fazer o enfrentamento direto, ou seja, não há necessariamente condições de igualdade para verificar quem é o melhor.

No maior mercado educacional do país, São Paulo, as grandes instituições já há alguns anos decidem conjuntamente os calendários de seus vestibulares de modo a não coincidirem datas: USP, UNESP, UNICAMP, UNIFESP, PUC-SP, PUC-Campinas e ITA possibilitam que os estudantes prestem diversos exames e escolham quais cursar dentre aqueles em que forem aprovados. Por outro lado, todas podem arrecadar os recursos das inscrições de mais candidatos que se dispuserem a fazer uma maratona de provas (e tiverem grana para isso, claro!).

Sobre a UFRGS uma coincidência me chamou atenção, em especial pela repetição. Nas férias de janeiro deste ano assim como no ano passado eu vou ler as notícias de educação e o vestibular da UFRGS ocorre nos mesmos dias do vestibular da Universidade de São Paulo (USP). Fui verificar as datas de lançamentos dos respectivos editais e a UFRGS publicou o calendário de suas provas, nos dois casos, ao menos três meses após os paulistas, ou seja, sabia da colisão de datas. Perguntinhas impertinentes: porque a UFRGS inviabilizou que os estudantes gaúchos, paulistas e brasileiros em geral fizessem as duas provas e escolhessem entre duas grandes e fortes instituições? Medo de perder os melhores estudantes gaúchos para sua concorrente? Medo de que haja uma invasão paulista na UFRGS?

A auto-proclamada “melhor universidade do Brasil” poderia evitar tal “coincidência”, quem sabe em 2016, buscando os melhores estudantes de todos os estados, incluindo os mais ricos e populosos que o RS. Por exemplo, a USP teve 140 mil inscritos no atual vestibular e a UFRGS 40 mil. Só a segunda fase do vestibular da USP tem 30 mil concorrentes. Que tal permitir que estes ao menos tentem ingressar na UFRGS? Quem acredita, mesmo, em concorrência, não pode negar…