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MAIS FÉRIAS ESCOLARES (1)

Vacances = férias, em francês

Vacances = férias, em francês

Porto Alegre (adoramos férias! Deveríamos ampliá-las!!!) – Uma emenda de feriado como hoje é um alívio, não?! Poderíamos criar outros. Não, nada de santos e quetais religiosos – defendo Estado laico…

Advogo usarmos as férias de modo mais racional. Nosso alívio em dias como hoje só existe porque nos submetemos a longos períodos de trabalho intenso – logo, geramos um processo cansativo.

E não venham se queixar das leis, pois elas são inocentes nesse caso. Inexiste legislação que obrigue concentrarmos as férias em poucos meses. Assim, o “geramos” citado acima significa que optamos por fazer assim, por tradição, é verdade, cultura escolar. As quais podem ser alteradas.

Digo isso porque as redes de ensino definem os períodos de férias concentrando as paradas em poucas ocasiões, no meio do ano (julho) e no fim / início (dezembro a fevereiro).  Por que não ter mais férias? E não vou defender aqui a diminuição do número mínimo de dias letivos (200, segundo a LDB) – apesar de ver com bons olhos isso… Estou falando em “espalhar” as férias ao longo do ano, de modo a não ficar muito tempo sem alguns dias para descansar, respirar, relaxar.

Não estou inventando a roda; estou copiando. Quando morei na França eu adorei a organização das férias escolares por lá. Em resumo, as escolas francesas, além das longas férias de verão (2 meses, em julho e agosto) possuem outros 4 períodos de férias no ano, com duas semanas cada – veja aqui .

Atenção, porque eles começam as aulas (ano escolar) em setembro de um ano civil – por exemplo, 2015 – e terminam no início de julho do ano seguinte (no exemplo, 2016). Não proponho isso para os nossos trópicos! E eles dividem o país em três zonas, as quais possuem calendários um pouco diferentes entre si – ver aqui. Também não defendo nada nacional, padrão, goela abaixo… pois somos uma Federação.

Considero essa multiplicação das férias um ideal a ser perseguido, por respeitar a necessidade de ficarmos na boa, coçando o saco (ou qualquer outra coisa). Também é bom porque tem implícita a concepção de que a vida é mais que escola, que estudo, que trabalho. Acredito em tudo isso! E também há razões econômicas – mas isso fica pra outro post.

Esclareço que não sou fã de algumas fortes características do sistema escolar francês (pra mim, conteudista, hierarquizado, formalista – mas isso também é assunto pra outro dia). E fico há alguns anos-luz de acreditar em transposições ou cópias acríticas e descontextualizadas.

Proponho refletirmos sobre as razões pelas quais nos aferramos a algumas formas de organizar nossas escolas, sem sequer aventar outras possibilidades. E acredito que conselhos estaduais e municipais de educação (bem como conselhos universitários) poderiam discutir e deliberar por alternativas mais interessantes que nosso modelito (pré)histórico.

Gostou da proposta de mais férias? Não?! Ok, voltarei ao assunto, pois eu adoooro e acredito muuuito nisso…