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UFRGS TEM MEDO DA USP?

Cadê a livre concorrência?

Cadê a livre concorrência?

Porto Alegre (santa coincidência) – Por três anos consecutivos as provas do vestibular da UFRGS são agendadas nos mesmos dias do vestibular da USP. Haja conjunção astral!!!

Escrevi sobre isso em janeiro, especulando sobre a nossa autoproclamada “melhor universidade do Brasil” estar fugindo da concorrência direta com a Universidade de São Paulo – ler aqui.

Pois bem, a USP anunciou seu cronograma no dia 03 de agosto passado (ver aqui), exatamente um mês antes da UFRGS – ver aqui. E mais uma vez o “destino” proíbe – na prática – que os candidatos concorram a ambas instituições, tendo em vista que as provas de seleção ocorrerão nos mesmos dias.

A UFRGS marcou as provas entre os dias 10 e 13/01/2016 já sabendo que sua colega paulista realizaria a segunda fase da seleção entre 10 e 12/01/2016. Nestes dias a universidade do sul aplicará provas em 4 cidades escaldantes, enquanto a instituição do sudeste torturará jovens em 28 municípios.

Onde fica a tão badalada meritocracia nessas horas? Os estudantes não deveriam ter o direito de optar? A UFRGS não teria o direito de concorrer aos candidatos da USP?

Pergunta: quem ganha com isso? Hipótese… A milionária arrecadação de inscrições da UFRGS? E também tem a tese da “invasão paulista”, conhece? Não?! Leia aqui.

Pra quem não sabe… Promovo uma campanha ampla e irrestrita, interinstitucional anti-vestibular. Se tiver paciência ou curiosidade é só buscar “vestibular” aqui no blog e verá todas as bobagens que já escrevi a respeito. E sigo na luta!!!

INVASÃO PAULISTA

invasão paulista

Porto Alegre (depois de longo verão ausente…) – Provocado por minha querida ex-orientanda Tina, volto a este humilde blog. A polícia federal me convocou para depor sobre a acusação de ter informações privilegiadas e prever o futuro. Alunos e outros malucos que me ouviram recentemente afirmando que a UFRGS tem medo da concorrência e que se a meritocracia por estas bandas fosse levada ao extremo, os estudantes de nossa prestigiosa universidade viriam de outras regiões e estados. Me declaro culpado, e tem prova disso em post que publiquei em janeiro aqui. Reportagem da Rádio Gaúcha mostra os dados deixando clara a mudança de perfil dos ingressantes – leia aqui.

Fiz umas tabelinhas para ilustrar a “invasão” dos “estrangeiros” nas terras do sul.

sisu x vest ufrgs geral

Note que praga. Pelo nosso glorioso vestibular, considerando as vagas de todos os cursos, conseguimos peneirar bem, e temos somente 3,9% de estrangeiros em nossas salas de aula. Já via Sisu os forasteiros chegam a absurdos 40,1%. Onde isso vai parar?

E notem o descalabro abaixo, nooosssaaaa senhooooraaaa….

sisu x vest ufrgs medicina

Diante de nossos incrédulos olhos estão as estatísticas do ultra concorrido curso de medicina. Via magnífico vestibular da UFRGS passaram pelo funil apenas 7,1% de gente de fora dos pampas. Já através do matadouro ENEM/SISu foram 81% de coisas ruins. Só os paulistas ocuparam 23 das 42 vagas, ou seja, 54,8% de conterrâneos meus. Sobrou só 19% pra médicos gaúchos…

Enfim, na primeira vez que estamos usando ENEM/SISu, com meros 30% de vagas em jogo, já fica claro o rumo da prosa. Se a UFRGS adotasse a prova nacional abolindo o vestibular em pouco tempo quase ninguém falaria tu ou tomaria chimarrão em nossos campi… E eu iria embora pra Patagônia, porque de paulista eu aguento só eu, e olhe lá, rarara.

Segue firme e altiva nossa eterna luta pelo fim dos vestibulares e do ENEM/SISu. Vagas pra todos em universidades públicas, gratuitas, laicas, democráticas e de qualidade social!!!

NOSSA UFRGS

Humilde adesivo espalhado em nossa universidade

Gramado (segue a batalha anti-vestibular) – Concorrência de araque…Quem acredita em vestibular defende a concorrência, a lógica básica de livre mercado na qual quem pode mais ganha mais. No caso das universidades estamos tratando da meritocracia, onde quem faz por merecer e se vira melhor que os demais concorrentes tem direito a uma vaga. Esse é o princípio oficial. Perguntinha: é possível uma concorrência justa se o vestibular cobra química e física num país que, segundo fontes oficiais, ao menos metade dos estudantes de escolas públicas não contam com professores habilitados para estas disciplinas? A resposta da sociedade, hoje, é: sim, é justo, azar deles. Somos hipócritas!

Então, assim como nos demais mercados, nos vestibulares também as instituições escolhem com quem concorrer e com quem é melhor não fazer o enfrentamento direto, ou seja, não há necessariamente condições de igualdade para verificar quem é o melhor.

No maior mercado educacional do país, São Paulo, as grandes instituições já há alguns anos decidem conjuntamente os calendários de seus vestibulares de modo a não coincidirem datas: USP, UNESP, UNICAMP, UNIFESP, PUC-SP, PUC-Campinas e ITA possibilitam que os estudantes prestem diversos exames e escolham quais cursar dentre aqueles em que forem aprovados. Por outro lado, todas podem arrecadar os recursos das inscrições de mais candidatos que se dispuserem a fazer uma maratona de provas (e tiverem grana para isso, claro!).

Sobre a UFRGS uma coincidência me chamou atenção, em especial pela repetição. Nas férias de janeiro deste ano assim como no ano passado eu vou ler as notícias de educação e o vestibular da UFRGS ocorre nos mesmos dias do vestibular da Universidade de São Paulo (USP). Fui verificar as datas de lançamentos dos respectivos editais e a UFRGS publicou o calendário de suas provas, nos dois casos, ao menos três meses após os paulistas, ou seja, sabia da colisão de datas. Perguntinhas impertinentes: porque a UFRGS inviabilizou que os estudantes gaúchos, paulistas e brasileiros em geral fizessem as duas provas e escolhessem entre duas grandes e fortes instituições? Medo de perder os melhores estudantes gaúchos para sua concorrente? Medo de que haja uma invasão paulista na UFRGS?

A auto-proclamada “melhor universidade do Brasil” poderia evitar tal “coincidência”, quem sabe em 2016, buscando os melhores estudantes de todos os estados, incluindo os mais ricos e populosos que o RS. Por exemplo, a USP teve 140 mil inscritos no atual vestibular e a UFRGS 40 mil. Só a segunda fase do vestibular da USP tem 30 mil concorrentes. Que tal permitir que estes ao menos tentem ingressar na UFRGS? Quem acredita, mesmo, em concorrência, não pode negar…