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VENDENDO EDUCAÇÃO

Mestres atraentes?

Mestres atraentes?

Belo Horizonte (só em conexão, esperando) – Nada em especial contra o cursinho do Leão. Falo mais dele porque o bicho está me cercando por todos os lados, é agressivo na publicidade, me provoca… Eu só me defendo.

Agora espalharam fotos de seus professores em bancas de jornais de Porto Alegre (é nacional?). Minha primeira reação foi positiva. Estão valorizando seus docentes, tirando um pouco o foco da montanha de conteúdos, dos métodos e apostilas e enfatizando os seres humanos, os profissionais.

Mas não sou um cara de amor a primeira vista… e preciso mais contato, pensar e sentir de novo, construir, entrar em sintonia. Ainda mais quando estou tratando de uma empresa de ensino (você pensou que eu falava do quê?).

Minha segunda reação foi menos positiva. Olha, talvez os caras estejam explorando o fato incontornável de que as mulheres vem se dando melhor na educação formal, seja do ponto de vista qualitativo (as múltiplas avaliações em larga escala acusam essa realidade), seja no prisma quantitativo, pois são maioria crescente. E são mais numerosas em especial onde temos gargalos de acesso, como no ensino médio e na educação superior.  Resumindo, são suas maiores clientes.

Por que exploram as mulheres? Porque estão veiculando imagens de homens jovens (não adolescentes), simpáticos e bonitos. Freud explica (ou só atribuem mais essa ao coitado?). E claro, ainda não vi se o Leão expõe fotos de professores idosos, carecas, com óculos fundo de garrafa (ou eles não contratam estes perfis?). Ou mulheres. Os dois que tenho visto são do mesmo perfil. Se alguém encontrou algo diferente favor me enviar e eu faço uma retratação e peço desculpas por minha imaginação maldosa.

VENDENDO EDUCAÇÃO

Leão esperto: faz peneira e diz que aprova mais

Espertinhos: fazem peneira e dizem aprovar mais

Porto Alegre (qualidade terceirizada) – O mundo das instituições privadas de educação é um conto de fadas. Vive-se num universo paralelo, apartado da realidade, longe dos pobres e das maiorias. Mira-se nos mais abastados e nas minorias, no ensino para poucos – o oposto da educação pública, da realidade dura e crua.

O caso da foto acima (ver aqui) não é um ponto fora da curva, mas a expressão de uma lógica bastante disseminada, não só nos cursinhos pré-vestibulares – agora, transformistas, pré-ENEM.

Veja que belo: vendem a imagem de bonzinhos, samaritanos, distribuindo bolsas e descontos. Mais, defensores da meritocracia, dão oportunidades para que os melhores, os mais aptos, mais fortes e inteligentes, abençoados, heróis da resistência, os adaptados, os escolhidos… compartilhem de sua excelência, do “curso que mais aprova nas melhores universidades”.

Olha que interessante: patrocinam uma lógica que exclui a ampla maioria (seja de seus cursos, seja das melhores universidades…), legitimam a privatização do fracasso, que deixa de ser social e público e passa a ser de cada indivíduo e de suas famílias. Armam um funil para onde atraem multidões atrás das bolsas, peneirando alunos já com ampla bagagem – social, econômica, política, cultural etc – estudantes focados, sedentos, bem (auto) centrados, o supra-sumo da concorrência, a nata da escolarização. Resultado: conseguem alta aprovação na educação superior.

Perguntinha tostines (piada só pros mais velhinhos, tipo eu): elas tem os melhores alunos porque aprovam mais ou aprovam mais porque tem os melhores alunos? As privadas tentam nos convencem que a primeira parte é a certa. Em outras palavras, onde reside a qualidade destas instituições?

Uma hipótese, da qual compartilho, é que o sucesso delas não está na qualidade de seus sistemas de ensino – não prioritariamente. O pulo do gato (do leão?) é que elas selecionam seus estudantes. Ensinar os “bons” alunos, preparar os que já chegam até suas escolas preparados é moleza. Mais da metade do caminho já foi percorrido, bastando lapidar suas preciosidades, minuciosamente garimpadas.

E o cômico é que em certo sentido estas instituições praticam o anti-mercado. A concorrência não tem nada de livre, de aberta. Ela é direcionada, fechada, tutelada. Se confiassem em seu taco, se apostassem que seus métodos (sim, eles acreditam nisso), suas instalações, seus professores fossem a chave de seu sucesso elas não precisariam distribuir bolsas, caçar estudantes. Estes viriam espontaneamente, bons consumidores que são, e pagariam pra estudar lá, a custos ainda mais altos. Enfim, dariam mais lucro!

Logo, está pronta a piada: estas magníficas instituições não gostam de lucrar mais? Rarararara!!! Ou só estão protegendo os seus ovos de ouro? Quem? Os estudantes prontinhos, aqueles que seriam capazes de passar em vestibulares e ENEMs mesmo sem os ditos cursos. Mas nestes são treinados, adestrados para sentar, dar a patinha e fingir de morto, o que nosso sistema universitário tacanho adooorrraaaaa.

No exemplo do curso Anglo uma magnífica escolha de mascote: o rei, o sangue azul, o predador, o topo da cadeia alimentar, bem ao gosto de nossa classe dominante e o fascínio dos pequeno burgueses sedentos em ficar com algumas migalhas de nossa sociedade excludente, desigual, injusta…