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TER LADO SEMPRE

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Porto Alegre (Dia triste e dia feliz. Dia de muitos lados)

Hoje estou ao lado dos perdedores.

Não é a primeira e não será a última, com certeza.

E uma vez mais me sinto tranquilo e convicto de estar do lado correto.

Defendi, defendo e defenderei que o que está ocorrendo no Brasil é um Golpe.

Não militar, mas institucional, parlamentar, político.

Usando as regras do jogo para que inverdades sejam legitimadas.

Compreendo que não houve crime de responsabilidade e, portanto, o mandato de Dilma não poderia ter sido caçado.

Acompanhando os debates no Congresso Nacional ficou claro que Dilma cairá pelo “conjunto da obra”, dos atos de seu mandato.

Verdade também que os contrários ao impeachment também defenderam o mandato de Dilma argumentando em prol do “conjunto da obra”.

Nesse caso os dois lados estavam errados, em minha humilde opinião, pois a “obra” / ação governamental, não estava em pauta.

O “conjunto da obra”, numa democracia, deve ser avaliada e julgada através de eleições.

E em eleições pode-se ganhar ou não.

Em eleições presidenciais, por exemplo, NÃO  estive do lado de Dilma em nenhuma votação de primeiro turno, e perdi.

E estive COM Dilma nas duas vezes em que disputou segundo turno contra o PSDB e seus aliados (Serra em 2010 e Aécio em 2014), e ganhei.

Não me arrependo e (ainda) não considero isso contraditório.

Temos que optar conforme as alternativas disponíveis.

Mas não apoiei e não aprovei nenhum dos mandatos de Dilma.

Acredito que ela foi menos ruim do que seriam Serra e Aécio.

Porém muito longe de algo defensável, distante de um programa socialista ou de esquerda – que defendo.

E isso ficou translúcido na própria defesa pessoal que Dilma fez no Congresso, da qual cito alguns exemplos.

Ela defendeu sua política econômica, repetidamente, argumentando que seguiu a linha proposta pelo Fundo Monetário Internacional (FMI)…

Ela defendeu sua política econômica – e vários dos senadores ao seu lado – afirmando que em seus mandatos os bancos tiveram segurança e obtiveram os maiores lucros da história…

Ela defendeu o PRONATEC, citando os executores principais e maiores beneficiados, o “Sistema S” (SENAI, SENAC etc) – ou seja, o empresariado brasileiro, a iniciativa privada…

Ela defendeu o Plano Safra, afirmando que esse beneficiou não só os pequeno produtores, mas também os grandes, os latifundiários (defendido também pela Senadora Kátia Abreu – PMDB/TO – ex – Ministra dela e líder da bancada ruralista ontem, hoje e amanhã…)

Eu não defendi, defendo ou defenderei, como exemplos, a política econômica do FMI, os lucros estratosféricos dos bancos, a privatização da política educacional através do PRONATEC ou o ultra benefício dos latifúndios…

Saí do PT em 2005 por entender que este caminhava para um lado equivocado.

Escolheu governar o país ao lado de partidos e figuras políticas incorretas (Collor, Maluf, Sarney, Renan, Temer…)

E assim, escolheu, por consequência, estar ao lado do FMI, dos bancos, do empresariado educacional, dos latifundiários, entre outros.

Tudo em nome da “governabilidade”, da maioria parlamentar, hoje caçada (61×20), inclusive com os votos de Collor e Renan…

Daí a importância de escolher bem o lado que está, e ao lado de quem atuará.

Mas hoje é um dia feliz! E estou do lado dos vencedores, dos batalhadores!

Temos boas novidades, como o lançamento da Frente Gaúcha Escola sem Mordaça, defendendo o direito de haver vários lados, ocorrido nesta manhã na FACED/UFRGS.

O grupo autointitulado Escola sem Partido quer sedimentar uma mentira, que seria a potencial ausência de lado.

Quer fazer crer que a neutralidade política seja possível.

O mundo reconhece que todos tem lado, mesmo que inconscientemente.

E que, portanto, do ponto de vista democrático, é necessário haver o reconhecimento das diferenças e o respeito às diversidades.

O pessoal que quer amordaçar a educação tende a não reconhecer diferenças e, em suas manifestações, desrespeita a diversidade.

Enfim, nesse momento triste e feliz, precisamos refletir sobre para que lado e ao lado de quem devemos seguir nossas lutas, que continua!!!

PROMESSAS DE BLOG NOVO

Vixe, até na foto o cara tá atrasado...

Vixe, até na foto o cara tá atrasado…

Porto Alegre (nooossa, quanto tempo?!) – Aos que estavam felizes com meu sumiço eu trago más notícias… Entre as resoluções de ano novo consta ser mais fiel aos meus leitores do blog, não sumir, desaparecer, deixar às moscas.

Então, de volta à luta.

Nunca prometi assiduidade e conforme as marés da vida – quase nunca calminhas, muitas vezes tempestuosas – eu vou e volto. Feliz e aguerrido, pra variar.

Um excelente 2016 pra nós – apesar das previsões tenebrosas…

PELÉ 75

Exemplo real pra Educação Superior...

Exemplo real pra Educação Superior…

Porto Alegre (rei? sou republicano!) – Hoje Edson Arantes do Nascimento completa 75 anos. E há exatos 40 anos (1975) ele se formou no ensino superior… Parabéns! A imagem (e a realidade) de nossos jogadores de futebol é de pessoas pouco escolarizadas, até ignorantes… Deve ser por conta dessa enorme diferença que Pelé faz propaganda de faculdade, né? rarara – ver aqui. Em EAD, claro, bem coerente – e compatível – com a vida de um atleta profissional.

Então, o “rei” é licenciado em Educação Física, em Santos / SP – veja aqui. Sabia não? Eu também não… Formado junto com o ex-goleiro Emerson Leão – um cara super educado…

Dois bons exemplos de que diploma superior… ah, hummm. Complete a frase você…

1975 - Formado em Educação Física

1975 – Formado em Educação Física

MAIS FÉRIAS ESCOLARES (1)

Vacances = férias, em francês

Vacances = férias, em francês

Porto Alegre (adoramos férias! Deveríamos ampliá-las!!!) – Uma emenda de feriado como hoje é um alívio, não?! Poderíamos criar outros. Não, nada de santos e quetais religiosos – defendo Estado laico…

Advogo usarmos as férias de modo mais racional. Nosso alívio em dias como hoje só existe porque nos submetemos a longos períodos de trabalho intenso – logo, geramos um processo cansativo.

E não venham se queixar das leis, pois elas são inocentes nesse caso. Inexiste legislação que obrigue concentrarmos as férias em poucos meses. Assim, o “geramos” citado acima significa que optamos por fazer assim, por tradição, é verdade, cultura escolar. As quais podem ser alteradas.

Digo isso porque as redes de ensino definem os períodos de férias concentrando as paradas em poucas ocasiões, no meio do ano (julho) e no fim / início (dezembro a fevereiro).  Por que não ter mais férias? E não vou defender aqui a diminuição do número mínimo de dias letivos (200, segundo a LDB) – apesar de ver com bons olhos isso… Estou falando em “espalhar” as férias ao longo do ano, de modo a não ficar muito tempo sem alguns dias para descansar, respirar, relaxar.

Não estou inventando a roda; estou copiando. Quando morei na França eu adorei a organização das férias escolares por lá. Em resumo, as escolas francesas, além das longas férias de verão (2 meses, em julho e agosto) possuem outros 4 períodos de férias no ano, com duas semanas cada – veja aqui .

Atenção, porque eles começam as aulas (ano escolar) em setembro de um ano civil – por exemplo, 2015 – e terminam no início de julho do ano seguinte (no exemplo, 2016). Não proponho isso para os nossos trópicos! E eles dividem o país em três zonas, as quais possuem calendários um pouco diferentes entre si – ver aqui. Também não defendo nada nacional, padrão, goela abaixo… pois somos uma Federação.

Considero essa multiplicação das férias um ideal a ser perseguido, por respeitar a necessidade de ficarmos na boa, coçando o saco (ou qualquer outra coisa). Também é bom porque tem implícita a concepção de que a vida é mais que escola, que estudo, que trabalho. Acredito em tudo isso! E também há razões econômicas – mas isso fica pra outro post.

Esclareço que não sou fã de algumas fortes características do sistema escolar francês (pra mim, conteudista, hierarquizado, formalista – mas isso também é assunto pra outro dia). E fico há alguns anos-luz de acreditar em transposições ou cópias acríticas e descontextualizadas.

Proponho refletirmos sobre as razões pelas quais nos aferramos a algumas formas de organizar nossas escolas, sem sequer aventar outras possibilidades. E acredito que conselhos estaduais e municipais de educação (bem como conselhos universitários) poderiam discutir e deliberar por alternativas mais interessantes que nosso modelito (pré)histórico.

Gostou da proposta de mais férias? Não?! Ok, voltarei ao assunto, pois eu adoooro e acredito muuuito nisso…

CURY E O SISTEMA NACIONAL DE EDUCAÇÃO

Tina, Cury e M.Beatriz Luce - gente boa de debate!

Tina, Cury e M.Beatriz Luce – gente boa de debate!

Florianópolis (nada de praia. Só chuva e salas de trabalho) – Não tenho procuração de ninguém. E aqui vou tratar minhas versões e opiniões sobre as provocações feitas pelo Prof. Carlos Roberto Jamil Cury em sua fala sobre o Sistema Nacional de Educação, na Reunião Nacional da Anped, anteontem.

Cury explica que – enfim! – o SNE tem existência jurídica. O que não é pouco. Isso configura uma vitória de grupos e movimentos progressistas. Agora precisa “passar da existência para a consistência”. Ou seja, por enquanto o SNE é apenas uma expressão no texto legal, não uma realidade.

O Prof. Carlos Roberto se disse “surpreso” com a aprovação tranquila do SNE, dado o histórico conflituoso da temática, ocorrendo fortes resistências à sua inserção em propostas anteriores, notadamente nas disputas havidas para a confecção da Constituição Federal de 1988, na LDB/1996 e no PNE/2001.

Discorreu sobre algumas destas resistências, segundo diferentes grupos / forças. O governo federal seria contra por medo de ser postado no papel de “caixa”, de financiador das políticas brasileiras, responsabilizando-o pela materialidade das redes subnacionais. Os governos estaduais temeriam ter sua autonomia federativa violada, com o poder central definindo e/ou interferindo – indevidamente – na seara alheia. E a educação privada se oporia ao SNE aterrorizada com a perspectiva de ter sua liberdade tolhida por uma ação pública fortalecida e centralizada. Estes apelidavam o SNE de “sovietão”, em menção pejorativa à União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) – nossaaa! Quanto tempo não falava disso, fico até emocionado, rarara.

O prof. Cury lembrou o fato de que o SNE não constava do projeto de lei encaminhado ao Congresso Nacional pelo Poder Executivo, leia-se MEC / Casa Civil. Ou seja, o governo não apostou suas fichas e não tinha como prioridade o SNE. Este foi incluído na tramitação parlamentar por força de movimentos, dentro do parlamento, em seu favor. Logo, o SNE não foi um filho desejado pelo governo.

E, não obstante diversos aspectos salutares acerca da existência do PNE, Cury afirmou o seu “pessimismo da inteligência” quanto ao SNE. O contexto conservador contribuiria para sérias dificuldades em sua configuração democrática.  E o veto não explícito – “oculto” – ao financiamento do PNE, vide os cortes orçamentários em curso, comprometeriam sua existência.

Cury segue sendo uma referência para mim em suas reflexões, em sua franqueza e clareza de análises e opiniões. E tenho muito mais concordâncias do que divergências com suas posições. Mas parece que tenho diferenças com ele a respeito do SNE. Por exemplo, tendo a concordar com ideias de Dermeval Saviani, inscritas em sua tese de Doutorado, de 1971, quando eu nem era nascido… O Sistema já existia, em processo de construção, apesar de não estar explicitado em lei. Mas isso já é história pra outro post.

NOTAS DO LENNON

Nem sempre foi paz e amor...

Nem sempre foi paz e amor…

Porto Alegre (Imagine all the people… fighting in the classroom) – Vai a leilão uma folha do boletim escolar do John Lennon. Consta que o rapaz, aos 15 anos, brigava na sala de aula, era considerado o palhaço da turma, dava respostas malcriadas, era barulhento (não acredito!!!???) e mascava chiclete – que horrrrrroorrrr – ver aqui. E, sim, era punido por tudo isso.

Taí uma prova que nem todos cabem na escola. Ou melhor, que a escola é estreita demais pra caber gente irreverente, criativa, com energia suficiente pra mudar o mundo, por exemplo.

Quantos dos seus professores acreditavam que o fedelho Lennon seria um dos maiores defensores da paz em nosso planetinha?

Se tiver interessado em adquirir o pedaço de papel, prepare-se pra desembolsar até R$18 mil.

BOCUDO 2

Sua boca é um livro aberto...

Sua boca é um livro / lixo aberto…

Porto Alegre (exemplo de parlamerdar) – Admiro Jair Bolsonaro (Partido Progressista – PP / RJ). Tá bom, calma, em um único aspecto: ele fala o que pensa. Muitos pensam exatamente como ele. 464 mil votaram nele em 2014 – e muitos milhares que não são eleitores do Rio de Janeiro desejariam poder votar nele… Trocando em miúdos: Bolsonaro é o legítimo representante de parcela expressiva do povo brasileiro, gostemos ou não. Eu não gosto. Penso o oposto dessas pessoas.

Outros colegas do deputado Jair pensam exatamente como ele, mas não tem coragem de dizer. No cotidiano defendem, de modo mais velado e enrustido, pensamentos espúrios como a naturalização do estupro e disseminam o ódio de vários modos, seja contra homossexuais, seja na defesa da pena de morte, por exemplo.

A Justiça condenou o parlamentar por parlar para além do que tem direito – ver aqui. Ele recorreu e aguardamos as decisões finais. Estupro pode ser merecido??? Na lógica dele, sim. Condenado ou não ele dificilmente mudará de opinião – e de prática. E não basta mirar ou condenar o Bolsonaro. Penso que ele merece pagar indenizações e, se persistir nas ilegalidades e imoralidades, parar na cadeia. E se (ou quando) estiver preso o Bolsonaro não merece ser estuprado por outros detentos – nem ele e nem ninguém merece isso.

O problema é bem maior do que esta medonha pessoa (ele pode me processar…), infelizmente. Jair é só a face pública que encarna esse grupo. Personalizar diminui o problema real…

E é por isso que defendo os Direitos Humanos. É nessas horas que precisamos ser enfáticos em dizer que a educação pública deve enfrentar as discriminações de gênero, orientação sexual, raça, etnia, classe social etc. Nossas palavras não podem calar diante de pensamentos como esses. E nossa prática coerente com princípios democráticos precisa prevalecer, como resposta mais concreta.

Vou tentar caprichar ainda mais nas próximas aulas sobre a questão…

BOCUDO 1

Na democracia tem que provar o dito

Na democracia tem que provar o dito

Porto Alegre (pode até ser verdade…) – Mira, justiça precisa ser assim. Acusou? Tem obrigação de provar. O ex- Ministro da Educação Cid Gomes vai ter que indenizar Eduardo Cunha por ferir a moral do deputado (ver aqui). E não interessa como reputamos a moral do atual Presidente da Câmara.

Podemos até putar e reputar. Porém, se você quer vir a público e denunciar vai ter que demonstrar evidências do que está falando, ou pode ser condenado por falar mais do que tem direito. Nesses casos, inclusive crápulas, pessoas nefastas e repugnantes vão ganhar na justiça e poder se afirmar ofendidas.

Repito: pra mim, Cid foi burro (ele pode me processar por dizer isso…) Além de ser demitido menos de uma hora depois de bater boca no Congresso Nacional (coisa que Ministros não devem fazer), fragilizou o governo do qual participava – e defendia (?) – e ainda deu atestado de vítima pra Eduardo Cunha – que, na real, foi quem o demitiu… Enfim, quem ganhou com o pastelão protagonizado pelo ex-Ministro da Educação?

GREVE NO BLOG?

Mulheres: sou apaixonado pelas fortes - e tenho sorte de ter várias por perto

Mulheres: sou apaixonado pelas fortes

Porto Alegre (longo e tenebroso inverno…) – Faz um tempão. Múltiplos fatores conjunturais.

A greve na UFRGS, dediquei boas energias a ela, e houve enormes ganhos, todos não financeiros ou de estrutura trabalhista. Mas o acúmulo de forças, a mobilização, a organização e a elaboração coletiva foi grande.

O III Encontro Fineduca da qual participei intensamente da realização foi sucesso de público e de crítica. Gente do Brasil inteiro passando frio em Gramado, discutindo financiamento da educação com excelentes palestrantes e apresentando seus múltiplos e interessantes trabalhos de pesquisa. Concluí meu mandato na diretoria com sensação de missão cumprida, passando a bola para colegas maravilhosos.

A vida pessoal com solavancos, sempre inesperados, às vezes mais duros do que imaginamos ser possível. Bien, a tentativa é sair fortalecido, mais experiente. Tô nessa onda.

Esse mundinho tem muitas pessoas amáveis e capazes de fazer nossas vidas mais felizes. Tô convencido disso também.

E aviso: estou com gás, energizado, doidão, pronto pra muitas lutas!!!

A FORÇA DAS MINORIAS

A força das minorias

Derrotada a redução, por enquanto

Porto Alegre (um elefante incomoda muita gente, dois elefantes…) – Então, seguimos sendo minoria como dissemos anteriormente (ver aqui). Mas uma minoria que luta, que se indigna, que defende suas posições com firmeza e dignidade.

E isso é que nos dá força pra seguir lutando, pra acreditar, pra renovar energias e seguir conquistando em pequenos gestos, com paciência histórica.

Numa democracia as regras do jogo não garantem vitórias apenas na simples contabilidade das maiorias simples, os tais metade mais um. Há questões que exigem maioria qualificada…

Aproveito a ocasião pra botar outros bodes nessa sala: “político” é tudo igual? partidos não fazem diferença?

Veja como a maioria dos membros das bancadas da Câmara dos Deputados se posicionou sobre a redução da maioridade penal:

Sim: PSDB, DEM, PMDB, PP, PR, PRB, PSC, PSD, PTB, Solidariedade

Não: PT, PCdoB, PDT, PPS, PROS, PSB, PSOL, PV

Claro que as bancadas não votaram todas em blocos, pois alguns deputados se posicionaram de modo distinto da maioria de seus colegas de partido (ver aqui).

Veja lá no uol: “No total, a proposta recebeu 303 votos a favor, 184 votos contra e 3 abstenções. Para que fosse aprovada, eram necessários 308 votos, ou seja, cinco a mais do que o registrado”.

Foi por muito pouco. Apenas 5 votos e tudo teria ido pro ralo… Mas 5 podem fazer toda a diferença!

SINDICALISMO VERGONHOSO 2

Mobilizar para tirar férias, negociar para pelegar!

Mobilizar para tirar férias, negociar para pelegar!

Porto Alegre (greve nas férias) – E a tal da votação eletrônica do sindicato pelego começou hoje e vai até dia 03/07 (ver aqui).

E eles (ADUFRGS / PROIFES) aprenderam como fazer greve: nas férias!!!

Em 2012 foi a mesma coisa. Mas só entraram em greve porque os militantes do ANDES (eu no meio) fomos pra Assembleia de votamos pela adesão ao movimento nacional. Eles aprenderam a lição e, em 2013, mudaram o Estatuto da ADUFRGS / PROIFES. Agora greve é decidida apenas em votação eletrônica (ver artigo 24, uma obra de arte!)

Agora propõem bravos, indignados, ultra mobilizados que a greve tenha início dia 07 de julho. Quase dá pra ouvir os caras dizendo: “Vou terminar minhas aulas, relatórios, reuniões e sair de greve, ops, férias”.

Na Assembleia da ADUFRGS ocorrida há poucas horas não houve consenso sobre isso. Oito militantes votaram contra a diretoria, querendo que a greve tivesse início dia 03 de agosto. Perderam, pois outros vinte votaram junto com a brilhante direção sindical.

Agora eles precisam mobilizar as bases pra greve acontecer. Necessitam que 20% dos filiados façam o enorme esforço militante e cliquem no portal da entidade. E aí contam os aposentados… (diria que controverso…). Sem 20% a decisão não vale, seja ela qual for (sim ou não à greve dia 07 de julho).

O Planalto treme de medo!!!

O Planalto treme de medo!!!

Mas não se preocupem, pois a Direção prometeu enviar emails diários aos filiados, convocando para a luta com seus mouses em punho…

Eu não voto. Não vou respaldar essa palhaçada.

SINDICALISMO VERGONHOSO 1

Isso que é mobilização: decidir greve por um clique...

Isso que é mobilização: decidir greve por um clique…

Porto Alegre (sindicato virtual) – Os docentes da UFRGS têm dois sindicatos. Sou filiado a ambos. A Seção Sindical do ANDES na UFRGS, a qual deliberou por entrarmos em greve, tendo início hoje, 29/06. E a ADUFRGS, filiada ao PROIFES.

Tenho orgulho dos militantes do ANDES e tenho vergonha da direção da ADUFRGS / PROIFES. Um sindicato que compreende mobilização e organização tendo como principal fórum de deliberação uma votação eletrônica é patético. É desmobilizador, é anti-movimento, é comodista, é preguiçoso, é pelego. Taí a íntegra do edital:

pauta adufrgs greve detalhe

 

Mas na aberração que eles insistem em chamar de sindicato colocaram uma assembleia com o objetivo de… dar início à votação eletrônica! Taí os cerca de 30 colegas que compareceram para a deprimente cena mobilizatória, agora há pouco:

adufrgs votação assembleia 29 06 2015

Foi interessante, pois a transmissão online funcionou e foi gravada. Assim, assisti uns trechinhos – mas depois não localizei de novo o link, pois seria democrático e transparente – didático! – se eles mantivessem no ar para mais gente aprender como se faz a luta…

SOU MINORIA, COM CONVICÇÃO

Respeito maiorias, mas não concordo sempre com elas

Respeito maiorias, mas não concordo sempre com elas

Porto Alegre (sou um no meio da multidão…) – Não é a primeira e certamente não será a última vez. Já estou bem acostumado a ser minoria em termos de ideias e posições. Em alguns casos fui convencido de que outras concepções eram mais interessantes – e mudei de posição. Em outros eu alterei rotas porque passei a enxergar as coisas por um ângulo diferente do passado. E outras vezes o mundo muda, as pessoas alteram suas perspectivas e você segue firme onde fincou suas bandeiras…

Na questão da redução da idade penal nada me convenceu a mudar de posição. Nada me comoveu. Nada sequer abalou minimamente minhas crenças. Ao contrário. O ódio dos argumentos, a vingança enrustida, a crença em que seres humanos jovens são irrecuperáveis só fortaleceram minha posição. Já havia me pronunciado brevemente sobre a caso aqui ao falar da expulsão de alunos de escolas. Raciocínio similar ao dos colegas do “Pensar a Educação em Pauta” ao abordar a reacionária volta da reprovação na capital paulista (ver aqui).

Acredito que pessoas mudam. Taí um pressuposto da questão pra minha cabeça. E defendo que a educação é uma forma de promover mudanças melhor que a punição, que o medo, que o terrorismo, que a hipocrisia, que o lavar as mãos, que a culpabilização das vítimas, que o gozo sádico de maiorias desesperadas. Educação é melhor que tudo isso junto, tomando por base o desejo pelo desenvolvimento humano. E mesmo que a educação não seja, no curto prazo, o remédio mais efetivo ela me parece, entre todos, o que proporciona melhores perspectivas a médio e longo prazos. E, sem dúvida, aquele cujo processo e seus métodos são, em si, positivos.

O Datafolha aponta que 9 em cada 10 brasileiros é favorável à redução da idade penal – ver aqui. Sim, também são maioria em defesa da pena de morte, da redução de impostos, do porte de arma, da criminalização do uso da maconha, do impeachment da Dilma, contra a legalização do aborto e o casamento gay etc. Registrado. Não compartilho das mesmas opiniões e seguirei defendendo posições contrárias até que me convençam a mudar de opinião.

A maioria come feijão todo dia, a maioria curte samba, torce pra time de futebol. A maioria acha o Brasil o melhor país do mundo e canta o hino nacional com orgulho. A maioria fecharia o Congresso Nacional e eliminaria os partidos políticos. A maioria é mulher e ainda não me  convenceram a mudar de sexo, muuuito pelo contrário… sou cada vez mais conservador – culpa das mulheres!

MINHAS NOTAS VERMELHAS

Notas da 5a série: lembro muito bem!

Notas da 5a série: lembro muito bem!

Porto Alegre (Acheeei meus boletins de notas!) – Desde quando decidi o nome do blog eu procurava por isso. A primeira vez a gente nunca esquece!!! Voilà, minhas primeiras notas vermelhas – na escola.

1984, quinta série, matemática, 2º bimestre: 3,5!

Enfiei o pé na jaca direitinho. Não foi um mero 4,5 ou 4,0. E quero dizer, na verdade exclamar: foi injusto!!! Se a nota expressasse exatamente meu rendimento escolar naquele momento eu deveria ter ficado com… 1,5 ou 2,0, no máximo!

Fui aluno do "Derville". Na época também falavam "Comercial"

Fui aluno do “Derville”.

E esse ano foi marcante pra mim. Pra ser mais exato, 1984 foi maravilhoso!

Foi o ano que eu ganhei a minha desejada bicicleta, uma Caloi Cross Extra Light vermelha. Sim, da minha avó, Dona Nair. Com a bike pude rodar por quilômetros longe de casa, pela Zona Norte paulistana. Da minha casa no Anhembi até Tucuruvi, Mandaqui, Casa Verde, Jardim São Paulo, Horto Florestal (quem é de lá vai saber o que isso significa: ladeiras mil, subidas e descidas íngremes, curvas maravilhosas para um ciclista destrambelhado). Com ela saltei rampas, bancos de praças, lombadas, escadarias, barrancos… Com ela quebrei um dente e levo comigo diversas cicatrizes, em especial nas canelas, as quais guardarei para sempre comigo.

Foi o ano em que comecei a tocar na banda marcial da escola. Excelente, pois ganhei carta branca pra voltar pra casa à noite, sozinho, após os ensaios, atravessando duas avenidas super movimentadas. Foi quando a música clássica entrou no meu horizonte. Depois de testar trombones, pratos, bombardinos, repiques etc, me apaixonei pelo trompete e dediquei-me a ele seja na sua limpeza e manutenção, seja nos ensaios, saindo com a boca esfolada, mas feliz da vida.

E por falar nisso, esse foi um ano em que minha boca “sofreu” muito. Foi lá que despendi horas esfolando-a na boca de algumas meninas. Sabe como é, ensaios… pra aprender é preciso dedicação!

Sim, meninas. Foi um ano mágico com elas. Eu tinha duas colegas de piscina muuuito boas. Nadar? Não muito. Nós nos divertíamos em jogos de mergulho, malabarismos, pega-pega. Uau, elas me pegavam bastante e eu amava pegá-las.

E me descobri no futebol. Treinando no time do clube encontrei a posição ideal: lateral direito. Ótima alternativa, pois meu forte nunca foi a habilidade. Eu tinha garra, fôlego, agilidade e disciplina. Aprendi ali a tirar vantagem dos meus potenciais.

Em 1984 consegui escalar e transpor os muros de 4 metros da vila militar em que morava. E exercitei bastante minha rebeldia infanto-juvenil invadindo o aeroporto do Campo de Marte nas madrugadas com um bando de colegas. Íamos para a pista de pouso para pegar balões nas noites geladas de inverno. Íamos para os hangares para ver os aviões e helicópteros de perto ou, simplesmente, – e mais divertido – brincar de polícia e ladrão… com os soldados da aeronáutica.

 

Minha foto em 1985. A de 84 era antiga...82

Minha foto em 1985. A de 84 era antiga…82

Seja para os ensaios da banda, seja para os grupos de trabalho da escola, seja para os desfiles e apresentações da banda, eu passei a andar sozinho pela cidade, usar ônibus pra todos os lados. Liberdade! Responsabilidade por meus caminhos e destinos!

E o fracasso em matemática me fez perder parte das férias de julho. Ao menos foi essa a interpretação que tive à época. Minha prima Maria Aparecida foi escalada pra me ensinar a fazer contas, logo, passei uma temporada na casa de minha tia. E não me venham com assanhamento (suas mentes sujas!), a relação com minha prima era de total respeito, e eu fiz tanto exercício e ela teve tanta paciência que eu tomei gosto pela matemática. Ela voltava do trabalho (sim, era adulta!) e sentava com o pivete para corrigir a batelada de tarefas diárias. Ganhei de presente a doce companhia de minha tia Amália, aprendi a comer arroz integral, comida com pouco sal, cappuccino e me deliciava com suas chipas e sopas paraguaias. Batia altos papos com meu falante tio Beni, e escutava suas guarânias. Hoje compreendo que foi uma das melhores férias da minha vida, pois se tivesse desistido da matemática eu não estaria em minha profissão hoje, não faria as pesquisas que faço, não seria tão feliz.

E minhas notas vermelhas? Tenho algumas hipóteses: a professora de matemática da 5a série era um ser nojento e sem energia. Claro, essa imagem é um contraste com o ano anterior. Em 1984 eu passei a ter várias professoras, um choque, pois eu havia tido uma mega professora de 4a série, uma mineira (óbvio!), a Elaine, por quem eu era apaixonado e ela não escondia sua reciprocidade. Dizia que eu iria me casar com sua filha, à época com 2 ou 3 anos… Aquele bando de professoras que mal olhavam para os alunos (pois tinham centenas deles em múltiplas salas) também não ganharam a minha atenção. O mundo fora das classes era milhares de vezes mais interessante!

Se eu pudesse repetir esse ano seria uma maravilha. Não na escola! Mas por tudo que aprendi em 1984, tudo de essencial que vivi naquele momento, tantas descobertas e prazeres, tanto auto-conhecimento, tantas definições e mudanças de rotas.

O desempenho escolar foi um mero detalhe. Ali eu aprendi na prática que a vida é bem mais do que escola, que formação e crescimento estão muito além de conteúdos curriculares. Essa lição eu aprendi direitinho. Enfim, 1984 foi espetacular, apesar das notas vermelhas.

LISETE ARELARO 70 ANOS

70 anos de lutas e alegrias!

70 anos de lutas e alegrias!

Porto Alegre (feliz aniversário, Lisete!) – Lisete Regina Gomes Arelaro, campineira do mundo, completa 70 anos hoje. Ela não foi minha professora na pedagogia, ao contrário do que muitos pensam. Conheci a Lisete na militância, nos movimentos, no PT. E, sim, foi minha orientadora de mestrado e doutorado. Compartilhei a gestão da Secretaria de Educação de Diadema com ela. Participei da coordenação de sua campanha à deputada. Tive o prazer de ser seu colega docente na USP, em meus tempos de substituto.

Foi minha madrinha de casamento. Viajamos e passeamos muito. São incontáveis as madrugadas e finais de semana que passamos no turbilhão em que se misturavam papos cotidianos e sonhos pro mundo com discussões teóricas e políticas.

Ela é e será sempre minha companheira de vida, de lutas, amiga. Como um ser maternal e solidário que a Lisete é eu também estou entre seus filhos, sempre cuidando de mim.

Sua garra, energia, vitalidade, desprendimento e senso de humor são minhas referências para seguir acreditando que podemos contribuir para mudanças sociais.

Do vermelho que sou não há como deixar de reconhecer que muitas das tintas, tons e matizes eu devo à sua colorida atividade e inspiração.

Lisete, querida, super abraço!!!

CORTE EDUCADOR

Educação "preservada" do corte: "só" R$9 bi

Educação “preservada” do corte: “só” R$9 bi

Porto Alegre (isso porque é prioridade… imagine se não fosse) – A Presidente Dilma e seu assessor Levy acabam de anunciar os cortes orçamentários. Agradam o mercado, tranquilizam os investidores e… quem paga a conta são as políticas públicas, incluindo a área social, com saúde e educação no balaio – ver aqui.

O Ministério da Educação sofrerá uma redução de cerca de R$9 bilhões, “contribuindo” com a economia. E o discurso oficial é que as áreas sociais foram preservadas, priorizadas, tendo a benevolência de cortes suaves… É o discursinho terrorista do mal menor, que podia ser pior, dizendo nas entrelinhas: “não reclamem, fiquem felizes, aplaudam, pois somos do bem”.

UFRJ DE EXCELÊNCIA

Roberto Leher,eleito reitor da maior universidade federal

Roberto Leher,eleito reitor da UFRJ

Porto Alegre (excelência em democracia) – Funcionários, estudantes e professores acabam de eleger o novo reitor da maior universidade federal do país, a UFRJ (Rio de Janeiro) – ver aqui. Uma instituição de qualidade também é aquela que cumpre suas atribuições sem abrir mão do fortalecimento democrático, do debate franco e aberto.

Parabéns aos cerca de 20 mil eleitores da comunidade da UFRJ por nos mostrar que excelência pode e deve ocorrer com participação ampliada, discussão de ideias e voto de todos os setores envolvidos – aqui as propostas da chapa vencedora. Mais: Leher foi eleito num sistema paritário, onde cada uma das três categorias vale 1/3 dos votos.

Pelas regras burocráticas e autoritárias vigentes (e que muitas universidades seguem servilmente – como a UFRGS), o voto dos professores valeria 70% do total (mais de 2/3).

A apuração ainda não foi concluída, mas fica claro que Leher não seria eleito caso sua instituição se curvasse às regras tradicionais. Por exemplo, ele teve 1.119 votos entre os professores, enquanto a outra chapa concorrente obteve 1.844 votos nesta categoria.

Por outro lado fica evidente o amplo apoio a Leher dos outros dois setores, o que permitiu a sua vitória: conseguiu 2.694 entre os servidores técnico-administrativos contra 1.898 dos seus adversários. E foi acachapante entre os estudantes: 9.420 votos contra 2.692 dos seus opositores.

Resumindo: Leher teve apoio de 38% dos docentes, 57% dos servidores técnico-administrativos e 77% dos estudantes. E na ponderação paritária ficou cerca de 1% a frente da chapa opositora. Este é o resultado do 2º turno das consultas à comunidade (que teve 3 chapas no primeiro turno), e o Conselho Universitário tem o compromisso público de respeitar o resultado das consultas na composição da lista tríplice, obrigatória pela legislação vigente, a ser submetida ao Ministério da Educação (um absurdo rabicho da ditadura, intocado pelos governos de plantão em Brasília…).

PARALISAÇÃO GAÚCHA

Sindicato gaúcho na luta pelo piso dos professores

Sindicato gaúcho na luta pelo piso dos professores

Porto Alegre (Sartori, vá se esconder na Tumelero! * tradução ao final) – Amanhã a rede estadual de ensino do Rio Grande do Sul vai parar, por convocatória do sindicato estadual, o CPERS (ver aqui). Nem Yeda Crusius (PSDB) e nem Tarso Genro (PT) pagaram o piso salarial em momento algum de seus mandatos como governadores. José Ivo Sartori (PMDB) parece seguir na mesma balada.

Por lei nacional, hoje nenhum professor com jornada de 40 horas semanais e formação em  magistério de nível médio poderia ganhar, como vencimento básico, menos que R$ 1.917,78 no início de sua carreira. Note-se que receber esse valor não deixa ninguém rico, não é nenhuma grande maravilha, muito menos absurdo. Porém é o que manda a lei, o que a luta dos trabalhadores conquistou, e já é um grande avanço em relação a situação anterior, em que inexistia piso. Mas as docentes gaúchas ganham o equivalente a R$1260,20 – uma vergonha, uma aberração, algo inaceitável.

Meu filho não terá aula amanhã. Estou satisfeito por ele aprender que sua professora luta por seus direitos. E que tem o apoio incondicional de seu seu pai, apesar dos contratempos e da logística doméstica abalada. Força, professoras!!!

* Pros não gaúchos:  o então candidato a governador debochou do piso dos professores, fazendo referência às lojas de materiais de contrução Tumelero, bastante conhecidas por estas bandas, onde a categoria docente encontraria “piso”.

GREVE EM PERNAMBUCO

Greve em Pernambuco

Porto Alegre (toda força às companheiras pernambucanas!) – Tava eu tomando meu cafezinho em Olinda e ao bater papo com uma colega com quem compartilhei a mesa fui atualizado da situação salarial e da carreira local. O povo lá está em estado de greve há mais de um mês, pois o governo se recusa a pagar o piso salarial para todos professores. Amanhã, dia 17/04 (6a f)  tem assembleia da categoria e desejo que tenham condições de seguir firmes na sua justa luta – mais informações aqui.

 

O cameraman é de araque, o equipamento uma porcaria, mas a fala é excelente, acreditem! No vídeo acima, a Profa. Magna Katariny de Moura, diretora de Imprensa e Comunicação do Sindicato do Trabalhadores em Educação de Pernambuco (SINTEPE), explica o rolo em que o Governo Estadual está enfiando a categoria.

Alguns tópicos. Pela lei do Piso Salarial Profissional Nacional, todo o magistério do país teria direito a um reajuste de 13,01% em seus vencimentos básicos, em 2015. Porém, o governo pernambucano aprovou lei na Assembleia Legislativa concedendo este percentual para apenas 1770 professores (de um total de 49.800!). Estes são os professores que possuem formação em magistério de nível médio (o antigo Normal). A dita lei prevê ainda o enorme reajuste de 0,89% para outros 2289 professores, os quais possuem formação em nível de graduação. Estes magnatas passariam a ganhar muuuuito mais que os colegas com nível médio: R$15,00 a mais!!! Pros demais – a maioria! – reajuste ZERO.

O que estão fazendo no estado de Paulo Freire – que deve estar se revirando no túmulo – é o desmantelamento do plano de carreira, reduzindo (e quase suprimindo) os avanços salariais por formação.

E pra fechar a situação tenebrosa, a rede estadual de Pernambuco possui em seus quadros 44% de professores precários, contratados temporariamente. Absurdo dos absurdos, mas infelizmente não é exclusividade pernambucana, pois outros governadores (incluindo RS e SP, por exemplo), fazem economia há anos com o orçamento da educação, não pagando direitos trabalhistas, tratando professores como algo descartável, gerando instabilidade nos sistemas de ensino.

O Ministério Público já está questionando a lei aprovada e ficamos aqui torcendo para que nossas colegas consigam reverter a barbárie em Pernambuco.

Mas eu não tomei café com a Magna e sim com a simpática Profa. Roza Maria Pedra Rica, diretora da Secretaria de Aposentad@s do SINTEPE. Agradeço Magna e Roza, desejando muita força às companheiras do Pernambuco!

Tá aqui a Roza comigo – partilhamos uma mesa de cafezinho e o papo gerou este post

Tá aqui a Roza comigo

 

PIB DO VERHINE

Bob Verhine: análise profunda do PIB

Bob Verhine: análise profunda do PIB

Porto Alegre (eita semana corrida – chega logo, feriado!) – Tô devendo mais notícias de Olinda… Na mesa que eu citei há alguns dias (ver aqui), a primeira fala foi do Prof. Robert Verhine (UFBA), conhecido por Verhine ou, para os íntimos, Bob. Nosso norte-americano baiano fez uma dissecação do debate acerca do Produto Interno Bruto (PIB) para a educação, conforme consta no Plano Nacional de Educação. Foi uma excelente aula do que é o PIB, como é calculado, as principais fontes de informação, formas de interpretação etc.

E falou muito, muito mais, sempre com seu típico sotaque gringo, e com uma clareza impressionante de ideias. Eu é que vou distorcer um montão ao me atrever a resumir suas análises…

No PNE, a meta 20 estipula o seguinte: “Ampliar o investimento público em educação pública de forma a atingir, no mínimo, o patamar de 7% (sete por cento) do Produto Interno Bruto (PIB) do País no 5º (quinto) ano de vigência desta Lei e, no mínimo, o equivalente a 10% (dez por cento) do PIB ao final do decênio”.

Da minha torta mirada Verhine fez três fortes críticas ao modo como o PIB está figurando no PNE:

1) visão corporativista da área da educação: ao propor o aumento do PIB para este setor consequentemente o país terá que reduzir aportes do PIB em outros setores. A pergunta é: de onde sairá este recurso? Quem vai perder? Olhar só para a educação pode prejudicar o país de modo mais geral.

2) meta inalcansável: ao estipular 10% do PIB para a educação pública, através do aumento do investimento público, teríamos nos proposto algo impossível de ser conseguido dadas as condições econômicas brasileiras. E uma meta impraticável traria uma desmoralização não só da meta como comprometeria a credibilidade de todo o PNE.

3) o PIB esconde a necessidade de mais recursos para a educação: ao apontar apenas um percentual do PIB estaríamos dificultando uma visão mais objetiva das carências existentes, não mostrando quanto, exatamente, em termos de recursos financeiros, precisamos aportar para uma educação melhor e/ou para executar o PNE.

E o professor Robert não se ateve a criticar, elencando propostas para aperfeiçoamento do PNE no que toca ao financiamento da educação. Para ele, além do percentual do PIB, o Plano deveria incluir outros parâmetros para ampliação do financiamento, entre estes um percentual de receitas públicas (nos moldes da vinculação constitucional pra educação) e também valores absolutos a serem aportados (como faz o FUNDEB).

Pessoalmente acho que Verhine está correto em suas críticas, mas não vejo grandes problemas nas duas primeiras. Já na terceira eu tenho acordo total e absoluto, o mesmo valendo para as propostas. PIB é uma excelente bandeira política, mas uma péssima forma de garantir mais verbas para a área, difícil de ser verificado, controlado, dependente de muitos fatores…

Se tiver fôlego voltarei ao assunto e às outras falas da mesa nos próximos dias.

ANPAE OLINDA

Bob (falando), Theresa (refletindo), Júnior (arrumando) e Andréa (curtindo) – e Janete (atrás da Theresa)

Bob (falando), Theresa (refletindo), Júnior (arrumando) e Andréa (curtindo) – e Janete (atrás da Theresa)

Porto Alegre ( tentei postar de Olinda, mas tive problemas técnicos e voltei…) – Socializando reflexões sobre as atividades no Simpósio da ANPAE (ver programação aqui). A primeira mesa que participei foi sobre “Financiamento da educação no Brasil: desafios do PNE”. Debates super bons!!! O trabalho foi coordenado pela Andrea Barbosa Gouveia (UFPR), tendo como palestrantes Robert Verhine (UFBA), Theresa Adrião (UNICAMP) e Luiz de Souza Júnior (UFPB).

Em suma, temos avanços na legislação, mas também lacunas e dificuldades. Ter o PIB no PNE é bom, mas não suficiente. A recessão econômica indica problemas sérios, inclusive com potencial neutralização de nossas conquistas. E as ações do governo federal em apoio à iniciativa privada, em especial no financiamento, são preocupantes (e crescentes!).

Vou postar em seguida alguns tópicos das falas dos colegas. Quem se interessar prepare-se para detalhes sobre financiamento da educação. E aqueles que não gostam do assunto pulem os próximos posts

CONTRA A EXPULSÃO DE ESTUDANTES 2

A truculência como solução; ou abdicando de educar

A truculência como solução; ou abdicando de educar

Porto Alegre (dá-lhe onda conservadora…) – Não é só na UFRGS que a lógica excludente se manifesta. O Conselho Estadual de Educação do RS (CEED) respondeu negativamente à possibilidade de haver “transferência compulsória” de estudantes (ver aqui), mas os interessados no direito de expulsar alunos seguem entendendo o que bem quiserem, inclusive que a autonomia escolar e o projeto político pedagógico poderia respaldar tais absurdos. A Professora Carmem Craidy, incansável defensora dos direitos das crianças e dos adolescentes, hoje conselheira no CEED, publicou mais um esclarecimento a respeito, buscando desfazer mentiras – ver aqui.

Tenebrosos tempos… Ainda hoje a Câmara dos Deputados volta à ladainha da redução da idade penal. A sociedade (e a escola) seguem abdicando de seu dever de educar, preferindo punir aqueles que deveriam proteger.

Sem propostas e ações mínimas do Estado e da coletividade para garantir cultura, saúde, lazer, esporte e educação para a infância e a juventude – pra não entrar em moradia, alimentação… – optamos pela pedagogia da truculência.

Priorizamos o debate sobre como prender e penalizar os jovens e não sobre como proporcionar condições de vida digna aos mesmos. Lastimável. Mas fico feliz de seguir aprendendo e compartilhando sentimentos e lutas com pessoas como a Carmem Craidy!

FALA VITOR PARO

O povo de Sampa pode ir; nós outros leremos

O povo de Sampa pode ir; nós outros leremos

Porto Alegre (boas novas! Livro novo!) – O professor Vitor Henrique Paro está lançando mais um livro para se agregar à sua rica e vasta produção. Podem esperar qualquer coisa, menos senso comum, simplificações, endeusamento da figura diretiva…

Em tempos em que o MEC faz “consulta pública” sobre o “Diretor Principal” (veja aqui) a obra de Paro certamente traz diversas reflexões fundamentais… que não tem eco dentro do ministério… afinal, é preciso acreditar em gestão democrática, o que não tem sido o caso no Planalto.

E pra quem quiser ter acesso a mais textos do Vitor é só ir no site dele aqui.

PARABÉNS, MULHERES!

Parabéns a todas as mulheres, inclusive para aquelas que não nasceram mulheres!

Parabéns a todas as mulheres, inclusive para aquelas que não nasceram mulheres!

Porto Alegre (que reclamem os conservadores) – Feliz dia das mulheres! E que possa ser um dia de reflexão sobre as questões de gênero em nossa sociedade. Meus fortes abraços a todas que marcaram minha trajetória. Como ex-estudante de pedagogia e agora professor em uma Faculdade de Educação, as mulheres sempre foram a maioria ao meu redor. Sou sortudo! Elas foram e são minhas colegas, minhas parceiras, minhas chefes, minhas orientadoras. Em sala de aula costumo dizer “professoras” ao falar com as estudantes. E os guris que se acostumem a ser minoria, e aprendam a debochar da língua portuguesa e seu plural machista…

Parabéns a todas as mulheres que seguem na luta, mesmo sendo discriminadas, tratadas como objeto, ganhando menos que os homens (na iniciativa privada!), sendo menos valorizadas, e de quem a sociedade ainda cobra a dupla ou tripla jornada (profissional, dona de casa, mãe) como algo natural, desobrigando os marmanjos do compartilhamento de tarefas domésticas e com os filhos.

E quero dedicar um parabéns muito especial às mulheres que não se enquadraram nos modelitos e tocam suas vidas contrariando a hipocrisia reinante. Parabéns às mulheres que escolheram não ter filhos, para as “gurias” que são plenas na vida a dois, para aquelas que são felizes e não sabem cozinhar, para as que se realizam concentrando esforços em suas atividades profissionais, para as que decidiram não ter um marido / companheiro, para aquelas que decidiram ter esposas / companheiras. E parabéns para as mulheres que tem em sua certidão de nascimento marcado “sexo masculino”!

Reportagem da Folha de S. Paulo de hoje aponta um avanço importante que a área de educação precisa fazer no que toca ao respeito à identidade de gênero – leia aqui, com vídeo e tudo. E não são só as travestis, como o título indica, são também as transexuais e demais alternativas que não cabem em rótulos. Parabéns a todas!

 

CRECHE UFRGS SEMIABERTA

Vai reabrir sem comida… E atenção estudantes da UFRGS: cardápio da semana que vem é MARMITA

 Porto Alegre (balança, mas não cai…) – A direção da creche está chamando pais e mães para reunião com as educadoras amanhã, 25/02 (4a f), pro pessoal saber quem serão as profes de seus pequenos e o horário de funcionamento, a partir de 5a feira. Então, faltou avisar que a Multiágil deixou de tanta picaretagem e pagou suas dívidas com as trabalhadoras que educam nossos herdeiros. Menos mal.

Mas falei com um ex-educadora que está processando a empresa porque a mesma se recusa a pagar sua rescisão contratual. E afirma isso na frente do juiz, com a maior cara de pau! I É indigno, além de injusto. To na campanha junto com a ASSUFRGS: fim das terceirizações! Concursos públicos e dignidade pras trabalhadoras – não só da creche, claro, da limpeza, da segurança, da manutenção…

E a reabertura da creche vai ser parcial, com certeza. Pra quem não sabe o prédio verdinho acima atende em horário integral, manhã e tarde. Como o rolo das cozinheiras não foi equacionado, nada de comida. Só lanchinho. E vindo de casa. Alguém tem notícias da dita reunião que haveria hoje com a empresa (kamikaze?) que vai assumir os restaurantes universitários e creche? Assinaram o contrato? A reitoria disse que divulgaria um cronograma de normalização da comilança. Algum sinal de fumaça? Well, semana que vem, com toda a estudantada de graduação de volta – e faminta! – o caldo vai engrossar. Espero, desejo, apoio!

 

 

 

ENSINO FUNDAMENTAL SÓ COM 6 ANOS!!!

Ufa, até que enfim uma boa notícias pros pequeninos

Ufa, até que enfim uma boa notícias pros pequeninos

Porto Alegre (salvem as crianças de seus pais…) – Sou daqueles que acredita que criança tem direito a ser criança. Quase ninguém vai ser contra essa frase hoje em dia. Mas na hora de querer “adiantar” o desenvolvimento de seus filhos para prepará-los melhor para a “concorrência”… a prática é bem outra. Daí querer que @ pimpolh@ de 3 anos fale inglês, @ de 4 toque piano e esteja alfabetizad@, @ de 5 faça kumon e balé… e tenha uma agenda, ops, de adult@.

E nessa rota neurótica muitos pais acham normal e desejável que seu filhote faça tudo cada vez mais cedo. Deixar a Educação Infantil e entrar no Ensino Fundamental, por exemplo. Reportagem do UOL dá a excelente notícia de que agora só com 6 anos –  leia aqui.

Eu ainda torço o nariz e sigo defendendo a idade anterior: 7 anos. Basicamente porque as escolas de ensino fundamental, via de regra, desrespeitam as crianças. Lá elas ficam sentadas horas a fio, muitas vezes não têm brinquedos a disposição, sobra um recreio de 15 ou 20 minutos, não cantam (ou cantam pouco), não dançam, não jogam, os desenhos são muuuito dirigidos, tudo com a desculpa de estarem “estudando”. Uma bobagem, um exagero. Brincar, jogar, pular também ensina, e muito.

Pra que tanta pressa? Que tal ser feliz hoje, agora? Que tal aprender mais e melhor a se conhecer? A respeitar os colegas? A experimentar o mundo sem pressões? Que saco ter que adiantar todas as coisas chatas da vida adulta!!!

 

PISO NOVO R$1917

O vestido não me interessa: o piso tá ficando bonito!

Gramado (quente pra dedéu) – Ontem o MEC divulgou o novo valor do piso salarial profissional nacional do magistério: R$1917,78. Os Poderes Públicos devem reajustar os ganhos docentes a partir do mês que vem. Dilma passou na primeira prova de seu segundo mandato cujo lema é “pátria educadora” e seu Ministro Cid Gomes mostra força, tendo em vista a pressão feita por governadores e prefeitos para que o reajuste fosse menor do que o anunciado.

Pra quem não sabe:

1) Esse é o valor para um professor em início de carreira (quem estiver em pontos mais avançados de sua trajetória profissional devem ganhar ajustes de acordo com o seu plano de carreira);

2) O valor é referente aos docentes que tenham formação de magistério de nível médio (o antigo “Normal”; quem tiver formação maior deve ganhar de acordo com o respectivo plano de carreira);

3) Os R$1917 são relativos a jornadas semanais de 40 horas (outras cargas horárias devem ter reajustes proporcionais);

4) É válido para toda a Educação Básica (da Educação Infantil ao Ensino Médio – Superior tá fora);

5) Só atinge os funcionários públicos (a rede privada não é abrangida pela lei – viva o livre mercado…E para constar, muuuitos professores de escolas privadas recebem menos que o piso, além de não ter carreira e outros direitos das redes públicas – um dia voltamos a isso)

6) Apesar de ter embasamento legal, o aumento não é automático, fazendo com que tanto redes estaduais quanto municipais não cumpram o valor (o estado do Rio Grande do Sul, por exemplo) – a disputa deve ir para a justiça – e força aos sindicatos!!!!

7) Essencial: Dilma e Cid Gomes anunciam o valor, mas quem paga são governadores e prefeitos. Em outras palavras: abano com chapéu alheio…

Mais tarde volto com outras coisinhas sobre piso e a inabalável campanha pelo fim do vestibular.

Porto Alegre – Olá! Um ótimo 2015 pra todos nós e seja super bem-vind@!!!

Hoje estou lançando oficialmente o blog Notas Vermelhas. Promessa de alguns anos novos, agora cumprida, tá aqui um espaço para extensão universitária e contato com colegas de trabalho, amig@s, professores e gestores de escolas públicas, jornalistas, povo de movimentos sindicais, estudantis e quem mais vier.

Blog é um parente torto dos caranguejos … Os primeiros escritos estão no fim (lá embaixo).
E eu (pra variar) ainda tô tomando pau da tecnologia e não consegui configurar direito esse troço: por exemplo, onde está escrito “leave reply” leia “o autor é um lerdo e não consegue mudar o bagulho pra deixe seus comentários“. Abraços felizes em poder estar mais perto de você, aguardando contribuições, propostas, críticas e elogios. Inté!!!