Category Archives: nossa ufrgs

CA ganha, mas Rui leva reitoria UFRGS

Rui e Jane eleitos - regras atuais...

Rui e Jane eleitos – regras atuais…

Porto Alegre (Regras do jogo) – Se – e somente se – houvesse paridade na apuração das eleições reitorais, a Chapa 1, Virada, composta por C.A. / Laura teria ganho a votação e seria eleita. E fácil, com 46% dos votos válidos. E os reais eleitos pelas regras atuais (Chapa 3 – Rui / Jane) ficariam, nessa hipótese, em segundo com 37%.

A Virada (com Carlos Alberto Saraiva Gonçalves e Laura Verrastro Viñas) venceu por maioria absoluta entre os técnicos (57%) e estudantes (53%). E perdeu entre os docentes (30%).

Vice-reitor nas duas últimas gestões, Rui Vicente Oppermann (Chapa 3) vai assumir a cadeira magnífica e sua colega Jane Tutikian ocupará a vice pelos próximos 4 anos. Ele obteve 53% dos votos entre os docentes, 26% entre os técnicos e 33% entre os estudantes.

A grande perdedora foi a chapa 2, composta por Sérgio Roberto Kieling Franco e por Andrea Machado Leal Ribeiro. Sérgio foi diretor da Faculdade de Educação, pró-reitor de graduação até dezembro passado e é membro do Conselho Nacional de Educação. Mas os resultados eleitorais foram pífios, sendo derrotado em todas as categorias: 13% entre os docentes, 6% entre os técnicos e 11% entre os estudantes. Eu apostava que eles, de fato, seriam os últimos colocados, mas não achava que seria de lavada…

Os votos brancos foram poucos: 1,5% entre os docentes, 1,1% entre os técnicos e 0,6% entre os estudantes.

Os votos nulos foram mais expressivos que os brancos. Porém, dado que havia campanha pelo voto nulo, avalio que os números foram fracos pra essa manifestação: 2,5% entre docentes, 9,5% entre os técnicos e 2,5% entre os estudantes.

Já o resultado mais gritante foram as abstenções: 26% entre docentes, 34% entre os técnicos e 89% entre os estudantes. Aqui as avaliações podem ser bem distintas… Um quarto dos docentes se abster pode ser puro descompromisso, alienação ou certeza que o Rui ganharia (e estavam felizes ou nem aí). Já entre técnicos pode ser muito mais coisas: a começar repudio a um processo que os apequena e desvaloriza, mas também as alternativas apontadas pros docentes. No caso dos estudantes pode valer tudo que apontei pros técnicos somada a possível menor compreensão / vivência de como funciona a instituição (isto uma grande culpa de docentes e técnicos).

Mas lembremos que a UFRGS é conservadora (diria retrógrada) e se mantém confortavelmente defendendo que os docentes tenham o exorbitante peso de 70% dos votos. Sobram meros 15% do peso para os técnico-administrativos e reles 15% para os estudantes. Nessa regra, ganhou quem está na máquina.

Há múltiplas formas de contabilizar a paridade, logo não há consensos e nem regras fixas nestas contas. Eu divulgo continhas com 1/3 de peso pra cada categoria sem nenhuma forma de redução por índice de participação (por exemplo, alguns lugares ou exigem um percentual mínimo de votantes na categoria para validar os votos e outros lugares reduzem os pesos em proporção às abstenções). Assim, o que vale, no geral, é o acordo político feito com entidades representativas e/ou conselhos universitários. Reitero: é bem possível (e provável) que outras análises sobre os mesmos números levem a diferentes interpretações – o que não é um problema, necessariamente. Aqui é só a minha e respondo pessoalmente por ela.

“Nesta” paridade CA teria 46% dos votos, Rui ficaria com 37% e Sérgio obteria 10%. Não fecha 100% porque ainda tem os brancos e nulos.

 

Resultados oficiais (sem possíveis impugnações) – ver aqui

Chapa 1 – Carlos Alberto Saraiva Gonçalves (Instituto de Ciências Básicas da Saúde) e Laura Verrastro Vinas (Instituto de Biociências)

Chapa 2, Sérgio Roberto Kieling Franco (Faculdade de Educação) e Andrea Machado Leal Ribeiro (Faculdade de Agronomia)

Chapa 3 –  Rui Vicente Oppermann, (Faculdade de Odontologia) e Jane Tutikian (Instituto de Letras).

 Docentes (Peso 0,7):
Chapa 1 – 629 votos
Chapa 2 – 286 votos
Chapa 3 – 1.112 votos
Branco – 32 votos
Nulo –53 votos
TOTAL: 2.112
Votantes habilitados: 2.872

Técnico-administrativos (Peso 0,15):
Chapa 1 – 994 votos
Chapa 2 – 110 votos
Chapa 3 – 465 votos
Branco – 21
Nulo–167

TOTAL – 1.757
Votantes habilitados – 2.656

Discentes (Peso 0,15):
Chapa 1 – 2.073 votos
Chapa 2 – 435 votos
Chapa 3 – 1.280 votos
Branco – 22
Nulo – 98
TOTAL – 3.908
Votantes habilitados – 37.323

Cálculo da apuração

Docentes Técnicos Discentes TOTAL
Chapa 1 0,153307 0,056137 0,008331 0,217775
Chapa 2 0,069707 0,006212 0,001748 0,077667
Chapa 3 0,271030 0,026261 0,005144 0,302435

UFRGS TEM MEDO DA USP?

Cadê a livre concorrência?

Cadê a livre concorrência?

Porto Alegre (santa coincidência) – Por três anos consecutivos as provas do vestibular da UFRGS são agendadas nos mesmos dias do vestibular da USP. Haja conjunção astral!!!

Escrevi sobre isso em janeiro, especulando sobre a nossa autoproclamada “melhor universidade do Brasil” estar fugindo da concorrência direta com a Universidade de São Paulo – ler aqui.

Pois bem, a USP anunciou seu cronograma no dia 03 de agosto passado (ver aqui), exatamente um mês antes da UFRGS – ver aqui. E mais uma vez o “destino” proíbe – na prática – que os candidatos concorram a ambas instituições, tendo em vista que as provas de seleção ocorrerão nos mesmos dias.

A UFRGS marcou as provas entre os dias 10 e 13/01/2016 já sabendo que sua colega paulista realizaria a segunda fase da seleção entre 10 e 12/01/2016. Nestes dias a universidade do sul aplicará provas em 4 cidades escaldantes, enquanto a instituição do sudeste torturará jovens em 28 municípios.

Onde fica a tão badalada meritocracia nessas horas? Os estudantes não deveriam ter o direito de optar? A UFRGS não teria o direito de concorrer aos candidatos da USP?

Pergunta: quem ganha com isso? Hipótese… A milionária arrecadação de inscrições da UFRGS? E também tem a tese da “invasão paulista”, conhece? Não?! Leia aqui.

Pra quem não sabe… Promovo uma campanha ampla e irrestrita, interinstitucional anti-vestibular. Se tiver paciência ou curiosidade é só buscar “vestibular” aqui no blog e verá todas as bobagens que já escrevi a respeito. E sigo na luta!!!

CRECHE UFRGS E GREVE

Piquete da greve na UFRGS em frente da creche

Piquete da greve na UFRGS em frente da creche

Porto Alegre (polêmicas…) – Hoje de manhã a creche da UFRGS não abriu. A entrada foi bloqueada por servidores em greve. Pais, mães e filh@s chegaram e tiveram que voltar pra casa. Isso está gerando indignação, revolta, movimentos.

Também estive no frio da manhã com o Rodrigo e voltamos pra casa. Mas antes conversei com os manifestantes.

Toda greve gera transtornos e sempre prejudica o funcionamento regular de atividades. É uma medida extrema, desgastante. Mas ainda acredito que eficaz frente à insensibilidade de patrões e governos.

Considero desrespeito original e muito mais grave os governos não negociarem com o funcionalismo, obrigando-os a usar a greve como instrumento de pressão.

Considero desrespeitoso e desleal que as conversas sobre os rumos da creche não sejam abertas, francas e não sermos chamados para pensar o futuro da instituição.

Considero gravíssimo que a maioria das professoras da creche tenham contratos precários, terceirizados, ganhem muito pouco e estejam ligadas à mesma empresa que faz a limpeza da UFRGS, a qual vem atrasando salários e desrespeitando relações básicas de trabalho – e sobre isso temos sido coniventes.

As super competentes mulheres que educam nossos filhos na creche recebem da terceirizada algo próximo de R$1.000,00. Se fossem funcionárias públicas e estivessem no mesmo plano de carreira em que se enquadram os colegas do Colégio de Aplicação ganhariam mais ou menos R$3.000,00, teriam estabilidade e direitos trabalhistas.

Não penso que um desrespeito legitima outros desrespeitos. Acho apenas que somos bastante seletivos em nossas indignações, nos voltando com muita força contra um sindicato e seus trabalhadores e sendo muuuuito tolerantes com a reitoria e com o governo. Ou seja, quando quem pisa no nossos calos é grande nós somos menos bravos…

E tendemos a lutar muito pelo que entendemos ser nossos direitos e muito pouco (ou nada) pelos direitos alheios, inclusive daqueles que garantem a educação de nossos filhos e lhes asseguram direitos…

Gostaria que pudéssemos aproveitar a oportunidade que o movimento grevista nos proporciona para discutir o que realmente pode mudar a realidade da creche, dando dignidade a TODAS as trabalhadoras.

Não consigo reivindicar boas condições de trabalho, salário e direitos só para mim e pros meus filhos. Quero que os demais colegas da UFRGS, em especial os técnico-administrativos e – mais ainda- os terceirizados tenham sua dignidade respeitada, e possam também criar seus filhos com os mesmos direitos que eu tenho.

Sem falar de quem não é da UFRGS e não tem direito algum à educação infantil… Mas isso fica pra outro dia. Seguimos na luta!

CRECHE UFRGS VAZANDO

Creche fechada: vazamento da caixa d´água

Creche fechada: vazamento da caixa d´água

Porto Alegre (é um rio? é uma piscina?) – Ontem a creche da UFRGS não funcionou. Hoje não funcionará. Um vazamento na caixa d´água – é o que dizem – segue sem solução, as crianças sem atendimento, as famílias se virando pra contornar o transtorno…

Foram dois dias para diagnosticar o problema. Até agora um mistério… de onde vem tanta água?

Se houver alguma mãe ou pai da creche que entenda de fenômenos sobrenaturais, poltergeist ou milagres aquáticos favor comparecer ao local… Ouvi dizer que cientistas de São Paulo já estão a caminho da nossa creche para tentar importar esta criatura miraculosa e aplacar a crise hídrica por aquelas bandas…

 

CONTRA A EXPULSÃO DE ESTUDANTES 1

DCE vence reitoria na justiça

DCE vence reitoria na justiça

Porto Alegre (“Excelência” é fazer justiça) – A reitoria da UFRGS perdeu para o DCE na justiça – ver aqui e aqui. É verdade, a medida que inclui a expulsão de estudantes foi respaldada pelo conselho universitário, o qual infelizmente vem demonstrando ser pouco mais que um braço da reitoria… (ver a Resolução 19/2011 aqui)

Alguns dias atrás fui cutucado pela colega Nair Silveira, do Instituto de Psicologia, para fazermos um movimento contra a lógica repressiva, arbitrária e excludente, de viés meritocrático que agora o Diretório Central dos Estudantes derruba pelas vias judiciais. A proposta da Nair é deixarmos claro que não há consenso na universidade sobre a linha dura adotada. Mais, defendemos radicalmente a adoção de ações includentes, receptivas, aconchegantes, solidárias, de apoio, de assistência estudantil, de suporte – em especial para os estudantes com dificuldades em seguir seus cursos no tempo “ideal”. Estes, no geral, são justamente os mais pobres, os trabalhadores, os que têm filhos… enfim, os que se afastam do perfil classe média, dependente da família, dedicação exclusiva aos estudos.

Sim, sempre existiram e existirão aqueles que se aproveitam para abusar do coletivo e se perpetuar na universidade, segurando uma vaga sem aproveitamento por mil razões, às vezes absurdas. E não se pode concordar com isso. Mas esse fato não pode servir de subterfúgio para aproveitar a “deixa” e jogar pra fora jovens que querem estudar, mas estão com dificuldades reais. Pior é fazer isso sem que medidas pedagógicas concretas sejam adotadas pela instituição. Cadê o nosso papel educativo? Ele não deveria preceder o papel repressivo? Ou melhor, a educação não deveria substituir a repressão numa universidade?

A reitoria já declarou que vai recorrer da decisão judicial. A busca desenfreada, fria e calculista pela “excelência” agradece – se temos um problema… jogamos ele pela janela… Uma pena, o reitor e seus assessores poderiam parar para refletir antes de reafirmar sua postura. Desejamos que o Poder Judiciário ensine a UFRGS como defender a educação pública de qualidade…

Assim, deixo pública minha oposição à lógica implantada pela UFRGS e repasso o chamamento da Nair Silveira: professores, funcionários e estudantes, unidos contra a lógica repressiva, meritocrática e excludente!

CRECHE UFRGS SEMIABERTA

Vai reabrir sem comida… E atenção estudantes da UFRGS: cardápio da semana que vem é MARMITA

 Porto Alegre (balança, mas não cai…) – A direção da creche está chamando pais e mães para reunião com as educadoras amanhã, 25/02 (4a f), pro pessoal saber quem serão as profes de seus pequenos e o horário de funcionamento, a partir de 5a feira. Então, faltou avisar que a Multiágil deixou de tanta picaretagem e pagou suas dívidas com as trabalhadoras que educam nossos herdeiros. Menos mal.

Mas falei com um ex-educadora que está processando a empresa porque a mesma se recusa a pagar sua rescisão contratual. E afirma isso na frente do juiz, com a maior cara de pau! I É indigno, além de injusto. To na campanha junto com a ASSUFRGS: fim das terceirizações! Concursos públicos e dignidade pras trabalhadoras – não só da creche, claro, da limpeza, da segurança, da manutenção…

E a reabertura da creche vai ser parcial, com certeza. Pra quem não sabe o prédio verdinho acima atende em horário integral, manhã e tarde. Como o rolo das cozinheiras não foi equacionado, nada de comida. Só lanchinho. E vindo de casa. Alguém tem notícias da dita reunião que haveria hoje com a empresa (kamikaze?) que vai assumir os restaurantes universitários e creche? Assinaram o contrato? A reitoria disse que divulgaria um cronograma de normalização da comilança. Algum sinal de fumaça? Well, semana que vem, com toda a estudantada de graduação de volta – e faminta! – o caldo vai engrossar. Espero, desejo, apoio!

 

 

 

CRECHE UFRGS FECHADA

 

Crianças e pais da creche da UFRGS no gabinete do Reitor

Crianças e pais da creche da UFRGS no gabinete do Reitor

Porto Alegre (problema crônico) – A creche que atende os filhos dos servidores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul vem sofrendo frequentes problemas e descontinuidades na execução de seus trabalhos. Sou pai de estudantes da creche desde 2011 e já passei por vários perrengues.

Em minha opinião a raiz do problema é a terceirização dos contratos dos trabalhadores, o que inclui além da limpeza e segurança, a cozinha e, pasmem, as educadoras. Pra deixar o quadro mais complexo, a empresa que atualmente faz a limpeza de toda a universidade é a mesma que contrata nossas professoras… chama-se Multiágil. Seja o fim de contratos, seja atrasos de pagamentos, seja não liberação de vale alimentação etc os problemas da precarização das condições dessas trabalhadoras é absurda. Como todos sabem, terceirizados não tem direitos trabalhistas, estabilidade e ficam à mercê de empresas nem sempre tão sérias.

Hoje fui à reunião de início de ano, onde tradicionalmente as mães e pais são recebidos para informes, além de conhecerem os professores de seus filhos e o cronograma de adaptação dos pequenos. Mas o script foi outro. Sem cozinheiras e sem professores, as atividades não serão retomadas. O contrato da alimentação está sem empresa e as educadoras estão paralisadas por não terem recebidos seus direitos, conforme previsto e acordado com a Multiágil, que vem enrolando o povo todo há semanas. Logo, justíssima a reivindicação.

Indignações de todos e várias tentativas de encaminhamento, em meio a certa falta de rumo, alguns pais decidiram ir à reitoria buscar respostas com as autoridades.

Uma hora após chegarmos uma comissão de funcionários, mães e pais, sindicato (ASSUFRGS) e direção da creche foi recebida.

Gestores da UFRGS e comunidade da creche reunida

Gestores da UFRGS e comunidade da creche reunida

Na foto acima quem está falando é a Vice Pró-Reitora de Gestão de Pessoas (Progesp), Vânia. Resumindo:

1) amanhã, no final da tarde, haverá uma reunião com a 4a colocada (vixe, que pindaíba… as três anteriores caíram fora!!! Não cheira nada bem…) na licitação de alimentação para assinar contrato. Previsão de entrada em funcionamento: incerta. Esta empresa também será responsável pelos restaurantes universitários.

2) enquanto estávamos reunidos a Multiágil ligou e afirma ter feito os pagamentos atrasados das educadoras. Só teremos confirmação amanhã na abertura do horário bancário.

3) foi marcada reunião entre a Progesp, a Multiágil e as educadoras amanhã (3a f) às 7h30, na creche.

Enfim, a reabertura depende das educadoras, de fato, receberem, e finalizarem sua paralisação. Ainda assim, restará uma creche sem comida, o que deve durar algumas semanas… Seguimos atentos, defendendo o direito das crianças à educação infantil.

 

INVASÃO PAULISTA

invasão paulista

Porto Alegre (depois de longo verão ausente…) – Provocado por minha querida ex-orientanda Tina, volto a este humilde blog. A polícia federal me convocou para depor sobre a acusação de ter informações privilegiadas e prever o futuro. Alunos e outros malucos que me ouviram recentemente afirmando que a UFRGS tem medo da concorrência e que se a meritocracia por estas bandas fosse levada ao extremo, os estudantes de nossa prestigiosa universidade viriam de outras regiões e estados. Me declaro culpado, e tem prova disso em post que publiquei em janeiro aqui. Reportagem da Rádio Gaúcha mostra os dados deixando clara a mudança de perfil dos ingressantes – leia aqui.

Fiz umas tabelinhas para ilustrar a “invasão” dos “estrangeiros” nas terras do sul.

sisu x vest ufrgs geral

Note que praga. Pelo nosso glorioso vestibular, considerando as vagas de todos os cursos, conseguimos peneirar bem, e temos somente 3,9% de estrangeiros em nossas salas de aula. Já via Sisu os forasteiros chegam a absurdos 40,1%. Onde isso vai parar?

E notem o descalabro abaixo, nooosssaaaa senhooooraaaa….

sisu x vest ufrgs medicina

Diante de nossos incrédulos olhos estão as estatísticas do ultra concorrido curso de medicina. Via magnífico vestibular da UFRGS passaram pelo funil apenas 7,1% de gente de fora dos pampas. Já através do matadouro ENEM/SISu foram 81% de coisas ruins. Só os paulistas ocuparam 23 das 42 vagas, ou seja, 54,8% de conterrâneos meus. Sobrou só 19% pra médicos gaúchos…

Enfim, na primeira vez que estamos usando ENEM/SISu, com meros 30% de vagas em jogo, já fica claro o rumo da prosa. Se a UFRGS adotasse a prova nacional abolindo o vestibular em pouco tempo quase ninguém falaria tu ou tomaria chimarrão em nossos campi… E eu iria embora pra Patagônia, porque de paulista eu aguento só eu, e olhe lá, rarara.

Segue firme e altiva nossa eterna luta pelo fim dos vestibulares e do ENEM/SISu. Vagas pra todos em universidades públicas, gratuitas, laicas, democráticas e de qualidade social!!!

NOSSA UFRGS

O rapaz vai estudar em universidade dos Estados Unidos. Fez vestibular? Não!

O rapaz vai estudar em universidade dos Estados Unidos. Fez vestibular? Não!

Gramado (sem internet ontem a noite – fim do vestibular: a luta continua) – Tem gente na UFRGS que vive dizendo: somos uma universidade de “excelência”, de “padrão internacional”, bla, bla, bla. Então, na hora de selecionar estudantes que tal ver como fazem outras que, segundo múltiplos critérios internacionais, são consideradas universidades de qualidade?

Os norte-americanos são os pais da meritocracia, os arautos da concorrência, os pregadores do livre mercado, a pátria do self-made man (aqueles que se fazem por conta própria – leia aqui um artigo interessante). E os EUA figuram em qualquer ranking (ai, ai, ai, ai…) internacional de universidades, comparecendo com mais instituições do que qualquer outro país. Logo, os tupiniquins que acreditam em seleção, em meritocracia e em universidade de ponta deveriam ao menos saber e refletir sobre os modos de ingresso naquelas universidades.

Pois bem, o Gustavo, moço da foto acima, foi aceito para estudar na Stanford University (consta entre as 10 mais gostosonas nos rankings badalados). O rapaz que se faz por contra própria brasileiro conta como fez pra chegar lá (leia aqui).

Ele ensina e lista “alguns pilares avaliados na seleção de candidatos para os colleges” (por estas bandas diríamos faculdades ou universidades):

1) redações para entender o perfil e as histórias do candidato

2) nível de inglês (língua usada nas universidades americanas)

3) testes padronizados

4) cartas de recomendação

5) notas na escola

Os vestibulares, na melhor das hipóteses, cobrem dois dos tópicos acima: eles são um tipo de teste padronizado (item 3) e avaliam competência linguística (será?) com redação e prova de língua portuguesa (item 2 – inglês é a língua preferencial dos States…). Mas atenção, os testes padronizados ianques não são feitos em cada universidade, são testes nacionais. Aqui no Brasil costumam comparar estes testes (SAT e ACT) com o ENEM. No entanto, os testes norte-americanos não substituem os outros quesitos listados pelo Gustavo, ao contrário do ENEM que vem sendo utilizado como único ou principal meio de seleção, logo é uma comparação equivocada.

Frente a frente com a seleção meritocrática norte-americana os nossos vestibulares (e o ENEM) são simplórios e reducionistas. Os vestibulares ignoram a trajetória dos estudantes, a inserção social e acadêmica dos candidatos, as suas relações e compromissos coletivos, a sua vida escolar, os seus anseios e projetos. Isso tudo que os brasileiros descartam é a essência da seleção dos súditos de Obama. Taí algo que, por coerência, os meritocratas brasileiros deveriam refletir por dois segundos antes de seguir defendendo ENEM e/ou vestibulares cegamente. Perto das melhores universidades do mundo nossas seleções de estudantes são tacanhas, burocráticas, estreitas…

E tem mais… a batalha contra os vestibulares segue firme!

NOSSA UFRGS

Humilde adesivo espalhado em nossa universidade

Gramado (segue a batalha anti-vestibular) – Concorrência de araque…Quem acredita em vestibular defende a concorrência, a lógica básica de livre mercado na qual quem pode mais ganha mais. No caso das universidades estamos tratando da meritocracia, onde quem faz por merecer e se vira melhor que os demais concorrentes tem direito a uma vaga. Esse é o princípio oficial. Perguntinha: é possível uma concorrência justa se o vestibular cobra química e física num país que, segundo fontes oficiais, ao menos metade dos estudantes de escolas públicas não contam com professores habilitados para estas disciplinas? A resposta da sociedade, hoje, é: sim, é justo, azar deles. Somos hipócritas!

Então, assim como nos demais mercados, nos vestibulares também as instituições escolhem com quem concorrer e com quem é melhor não fazer o enfrentamento direto, ou seja, não há necessariamente condições de igualdade para verificar quem é o melhor.

No maior mercado educacional do país, São Paulo, as grandes instituições já há alguns anos decidem conjuntamente os calendários de seus vestibulares de modo a não coincidirem datas: USP, UNESP, UNICAMP, UNIFESP, PUC-SP, PUC-Campinas e ITA possibilitam que os estudantes prestem diversos exames e escolham quais cursar dentre aqueles em que forem aprovados. Por outro lado, todas podem arrecadar os recursos das inscrições de mais candidatos que se dispuserem a fazer uma maratona de provas (e tiverem grana para isso, claro!).

Sobre a UFRGS uma coincidência me chamou atenção, em especial pela repetição. Nas férias de janeiro deste ano assim como no ano passado eu vou ler as notícias de educação e o vestibular da UFRGS ocorre nos mesmos dias do vestibular da Universidade de São Paulo (USP). Fui verificar as datas de lançamentos dos respectivos editais e a UFRGS publicou o calendário de suas provas, nos dois casos, ao menos três meses após os paulistas, ou seja, sabia da colisão de datas. Perguntinhas impertinentes: porque a UFRGS inviabilizou que os estudantes gaúchos, paulistas e brasileiros em geral fizessem as duas provas e escolhessem entre duas grandes e fortes instituições? Medo de perder os melhores estudantes gaúchos para sua concorrente? Medo de que haja uma invasão paulista na UFRGS?

A auto-proclamada “melhor universidade do Brasil” poderia evitar tal “coincidência”, quem sabe em 2016, buscando os melhores estudantes de todos os estados, incluindo os mais ricos e populosos que o RS. Por exemplo, a USP teve 140 mil inscritos no atual vestibular e a UFRGS 40 mil. Só a segunda fase do vestibular da USP tem 30 mil concorrentes. Que tal permitir que estes ao menos tentem ingressar na UFRGS? Quem acredita, mesmo, em concorrência, não pode negar…

NOSSA UFRGS

Corredor polonês na saída de vestibulando ontem, domingão, no Colégio Militar

Corredor polonês na saída de vestibulando ontem, domingão, no Colégio Militar

Gramado (no meio do mato! – fim do vestibular 2, a missão) – E o corredor polonês não tem nada a ver com o soldado. Os candidatos tinham que enfrentar um montão de gente querendo entregar folhetos de faculdades privadas, cursinhos pré-vestibulares e até uma moça fazendo pesquisa de opinião.

Pra quem não sabe eu tenho super poderes. Ao meio dia, sol a 32 º C, pude exercitar minha amplíssima capacidade de ler pensamentos. Veja o resultado:

Candidato 1 (saindo estafado) – “Poxa, só uma propaganda? Eu quero colo. Cadê minha mãe?”

Corredor polonês 1 – “Ahaaa, sabe o que esse aí vai fazer em 2015? Pagar o meu salário!”

Candidato 2 (felizinho da vida) – “Sai urubu!!! Eu vou entrar na UFRGS e não preciso de vocês!”

Corredor polonês 2 – “Mais um pato! De cada 10 esperançosos que passam, 9 são meus potenciais clientes e só 1 vai entrar na UFRGS”

Well, os vestibulares (e o ENEM também) são um grande negócio. Muita gente ganha dinheiro graças ao funil mantido pelas universidades. A começar, os cursinhos pré-vestibulares, sem dúvida, vendendo sonhos. As instituições privadas de educação superior também sambam no mesmo enredo, realizando os seus “concursos” seguindo o calendário das grandes e famosas – disso volto a falar em outro post -, mas também a própria “comunidade” acadêmica.

Mas não podemos esquecer que professores, funcionários e estudantes da UFRGS (e de outras também) trabalham nos vestibulares e são remunerados, para além dos salários federais. Logo, os vestibulares terão muitos defensores internos, independente de discussões sociais ou teórico-metodológicos, pois seus ganhos financeiros são paupáveis.

Umas continhas. Se a proporção de pagantes do vestibular 2015 da UFRGS for equivalente ao do ano passado, teremos ao menos metade dos inscritos pagando valor integral, ou seja, 20.000 candidatos pagando R$110,00. Logo, R$2,2 milhões captados. Assim, não é exagero dizer que vestibular é um negócio milionário também para a universidade.

Fato que é caro montar boas provas, sem vazar informações, com sigilo dos elaboradores de questões, com uma logística envolvendo vários locais e dias de concurso. Porém, resta uma parcela suficiente para distribuir entre os adeptos do vestibular dentro da universidade, o que é e será um argumento forte para convencer uma parte da comunidade sobre a necessidade de preservar o vestibular…

NOSSA UFRGS

Logo da universidade (e o galã é o nosso reitor, o Alex)

Porto Alegre (Fim do vestibular 1) – Pros gaúchos o primeiro parágrafo é estúpido, mas pro povo do resto do Brasil é aula de alfabetização. Vamos lá: não somos uma sigla, como UFMG ou UFRJ, logo, nada de U-F-R-G-S. Somos um nome próprio, com identidade e sotaque. Pronuncie: “Úrguez”. Não é “Úrguiz”. Atenção, cariocas, sem Xix no final! E esqueçam do F. Ninguém fala “Uférguez”.

Claro,” nossa UFRGS” porque ela é pública. Como instituição federal é mantida com recursos do teu bolso, do meu bolso, do nosso bolso. Ela é propriedade do Estado brasileiro e tem como função servir ao povo do país. Acaba de completar 80 anos, com forte trajetória acadêmica, assim, é uma universidade consolidada. Mas é importante questionar o quão pública ela é e como vem servindo à população brasileira. A universidade cresce e vem se modificando na busca de aperfeiçoamento. Hoje vou falar sobre alterações no vestibular.

No exato momento em que escrevo e posto este texto cerca de 40 mil candidatos se acotovelam em busca de aproximadamente 4 mil vagas. A conta é simples, mas os números não falam, nós é que damos significados aos dados quantitativos. Um exemplo: nossa sociedade (doente?) acha normal, aceitável, que 30 mil pessoas não tenham direito a estudar na UFRGS. Ao contrário, julgamos ser saudável que a juventude se torture anos a fio com o singular objetivo de pisar no pescoço de outros 9 concorrentes.

A edição de hoje do jornal Zero Hora questiona “o futuro do vestibular” e aponta seu potencial substituto, o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), como única alternativa. Este será o primeiro ano em que a UFRGS preencherá vagas via ENEM / Sisu (Sistema de Seleção Unificada, mais info aqui). Serão 30% das vagas, um teste.

Bem, na míope percepção deste que vos escreve, vestibular e ENEM são farinha do mesmo saco. Apesar das reais diferenças entre os dois mecanismos há um princípio que os une pela raiz: são, ambos, instrumentos de exclusão, montados para justificar e legitimar que poucos tenham acesso à Educação Superior. E, cereja no bolo, ainda culpabilizam as vítimas pelo seu próprio fracasso. Acredito que precisamos mudar a sintonia do debate e defender o direito de acesso ao ensino superior para TODOS (sem vírgulas, sem senões). Seguimos…