DETONANDO O ENEM (3)

Pública é bom e eu gosto

Pública é bom e eu gosto

Porto Alegre (gratuita, laica, de qualidade) – O sonho dourado dos candidatos do ENEM não é apenas uma vaga no ensino superior. É estudar em universidades públicas! Motivos vários,  alguns aqui: são gratuitas, têm status e, melhor de tudo, seus cursos são bem avaliados, gozando de qualidade.

Nesse grupo temos desde instituições que usam o ENEM como única forma de seleção passando por outras que utilizam essa prova como parte da nota / avaliação para o ingresso – com ou sem vestibular.

As instituições públicas podem ser federais, estaduais ou municipais. As federais estão presentes em todos os cantos do país, tendo reputação geralmente bem positiva (58% das matrículas públicas totais). As estaduais não são tão disseminadas por todo território nacional, havendo presença residual em algumas localidades. São super bem conceituadas em algumas unidades da federação, mas também mega precárias em outras (32% das matrículas). E as municipais são casos raros no Brasil – mas existem! (10%)

Pepino: o Brasil sofre de uma ultra privatização do ensino superior, logo, poucas vagas públicas (só 26% das matrículas totais). Em números: apenas cerca de 600 mil. Contas, continhas: 7,7 milhões de “eneiros” para 0,6 mi vagas. Isso significa que, na média, de cada 10 candidatos… nenhum vai entrar numa pública. Aumentando a lente: de cada 100 “eneiros” haverá vaga para… quase 8.

O ENEM não criou a privatização. Também não tem culpa da rede pública acanhada. Mas legitima essa realidade, não questionando-a. Pior, termina por culpabilizar os candidatos por seu fracasso, como se houvesse justiça social e igualdade de condições entre os concorrentes. Privatiza o caso, tratando a não obtenção de vaga como um problema individual. Esquiva-se de politizar a questão, fugindo de abordar nossa situação como um problema social e público!

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