SOU MINORIA, COM CONVICÇÃO

Respeito maiorias, mas não concordo sempre com elas

Respeito maiorias, mas não concordo sempre com elas

Porto Alegre (sou um no meio da multidão…) – Não é a primeira e certamente não será a última vez. Já estou bem acostumado a ser minoria em termos de ideias e posições. Em alguns casos fui convencido de que outras concepções eram mais interessantes – e mudei de posição. Em outros eu alterei rotas porque passei a enxergar as coisas por um ângulo diferente do passado. E outras vezes o mundo muda, as pessoas alteram suas perspectivas e você segue firme onde fincou suas bandeiras…

Na questão da redução da idade penal nada me convenceu a mudar de posição. Nada me comoveu. Nada sequer abalou minimamente minhas crenças. Ao contrário. O ódio dos argumentos, a vingança enrustida, a crença em que seres humanos jovens são irrecuperáveis só fortaleceram minha posição. Já havia me pronunciado brevemente sobre a caso aqui ao falar da expulsão de alunos de escolas. Raciocínio similar ao dos colegas do “Pensar a Educação em Pauta” ao abordar a reacionária volta da reprovação na capital paulista (ver aqui).

Acredito que pessoas mudam. Taí um pressuposto da questão pra minha cabeça. E defendo que a educação é uma forma de promover mudanças melhor que a punição, que o medo, que o terrorismo, que a hipocrisia, que o lavar as mãos, que a culpabilização das vítimas, que o gozo sádico de maiorias desesperadas. Educação é melhor que tudo isso junto, tomando por base o desejo pelo desenvolvimento humano. E mesmo que a educação não seja, no curto prazo, o remédio mais efetivo ela me parece, entre todos, o que proporciona melhores perspectivas a médio e longo prazos. E, sem dúvida, aquele cujo processo e seus métodos são, em si, positivos.

O Datafolha aponta que 9 em cada 10 brasileiros é favorável à redução da idade penal – ver aqui. Sim, também são maioria em defesa da pena de morte, da redução de impostos, do porte de arma, da criminalização do uso da maconha, do impeachment da Dilma, contra a legalização do aborto e o casamento gay etc. Registrado. Não compartilho das mesmas opiniões e seguirei defendendo posições contrárias até que me convençam a mudar de opinião.

A maioria come feijão todo dia, a maioria curte samba, torce pra time de futebol. A maioria acha o Brasil o melhor país do mundo e canta o hino nacional com orgulho. A maioria fecharia o Congresso Nacional e eliminaria os partidos políticos. A maioria é mulher e ainda não me  convenceram a mudar de sexo, muuuito pelo contrário… sou cada vez mais conservador – culpa das mulheres!

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