VENDENDO EDUCAÇÃO

Leão esperto: faz peneira e diz que aprova mais

Espertinhos: fazem peneira e dizem aprovar mais

Porto Alegre (qualidade terceirizada) – O mundo das instituições privadas de educação é um conto de fadas. Vive-se num universo paralelo, apartado da realidade, longe dos pobres e das maiorias. Mira-se nos mais abastados e nas minorias, no ensino para poucos – o oposto da educação pública, da realidade dura e crua.

O caso da foto acima (ver aqui) não é um ponto fora da curva, mas a expressão de uma lógica bastante disseminada, não só nos cursinhos pré-vestibulares – agora, transformistas, pré-ENEM.

Veja que belo: vendem a imagem de bonzinhos, samaritanos, distribuindo bolsas e descontos. Mais, defensores da meritocracia, dão oportunidades para que os melhores, os mais aptos, mais fortes e inteligentes, abençoados, heróis da resistência, os adaptados, os escolhidos… compartilhem de sua excelência, do “curso que mais aprova nas melhores universidades”.

Olha que interessante: patrocinam uma lógica que exclui a ampla maioria (seja de seus cursos, seja das melhores universidades…), legitimam a privatização do fracasso, que deixa de ser social e público e passa a ser de cada indivíduo e de suas famílias. Armam um funil para onde atraem multidões atrás das bolsas, peneirando alunos já com ampla bagagem – social, econômica, política, cultural etc – estudantes focados, sedentos, bem (auto) centrados, o supra-sumo da concorrência, a nata da escolarização. Resultado: conseguem alta aprovação na educação superior.

Perguntinha tostines (piada só pros mais velhinhos, tipo eu): elas tem os melhores alunos porque aprovam mais ou aprovam mais porque tem os melhores alunos? As privadas tentam nos convencem que a primeira parte é a certa. Em outras palavras, onde reside a qualidade destas instituições?

Uma hipótese, da qual compartilho, é que o sucesso delas não está na qualidade de seus sistemas de ensino – não prioritariamente. O pulo do gato (do leão?) é que elas selecionam seus estudantes. Ensinar os “bons” alunos, preparar os que já chegam até suas escolas preparados é moleza. Mais da metade do caminho já foi percorrido, bastando lapidar suas preciosidades, minuciosamente garimpadas.

E o cômico é que em certo sentido estas instituições praticam o anti-mercado. A concorrência não tem nada de livre, de aberta. Ela é direcionada, fechada, tutelada. Se confiassem em seu taco, se apostassem que seus métodos (sim, eles acreditam nisso), suas instalações, seus professores fossem a chave de seu sucesso elas não precisariam distribuir bolsas, caçar estudantes. Estes viriam espontaneamente, bons consumidores que são, e pagariam pra estudar lá, a custos ainda mais altos. Enfim, dariam mais lucro!

Logo, está pronta a piada: estas magníficas instituições não gostam de lucrar mais? Rarararara!!! Ou só estão protegendo os seus ovos de ouro? Quem? Os estudantes prontinhos, aqueles que seriam capazes de passar em vestibulares e ENEMs mesmo sem os ditos cursos. Mas nestes são treinados, adestrados para sentar, dar a patinha e fingir de morto, o que nosso sistema universitário tacanho adooorrraaaaa.

No exemplo do curso Anglo uma magnífica escolha de mascote: o rei, o sangue azul, o predador, o topo da cadeia alimentar, bem ao gosto de nossa classe dominante e o fascínio dos pequeno burgueses sedentos em ficar com algumas migalhas de nossa sociedade excludente, desigual, injusta…

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