PEDAGOGIA UFRGS

Um curso mutante pela própria natureza

Um curso mutante pela própria natureza

Porto Alegre (processo de reforma curricular) – Currículo é um troço bem interessante. O do curso de pedagogia mais ainda – ao menos pra mim. Constantemente estamos defendendo a manutenção, o aprofundamento e a ampliação de várias questões (disciplinas, abordagens, formas de organização etc) ao mesmo tempo em que há movimentos contínuos de alterações, não só pontuais e cosméticas, mas também de fundamentos e de espinha dorsal. Se o mundo muda, se a educação deve dialogar com a realidade, nada mais esperado que um processo espiral de debates curriculares na pedagogia, criando potencialmente um curso mutante, plástico, aberto, estimulante, excitante…

Lembro que iniciei meus debates a respeito do tema logo no primeiro semestre do curso de pedagogia, como estudante, em 1991… Aprendi demais, participei de diálogos que abriram meus horizontes sobre as licenciaturas, sobre a formação de professores, sobre a educação como um todo. Foi um banho de realidade e de teorias. E tudo isso porque tive a oportunidade de partilhar estes momentos tanto com minhas colegas veteranas quanto com muit@s docentes do curso, com as visões e opiniões as mais diversas. Isso foi um curso a parte, insubstituível na minha trajetória.

Daí que tenho defendido as discussões públicas e conjuntas entre docentes e estudantes acerca da reforma curricular do curso de pedagogia da UFRGS. O processo, em si, é riquíssimo e tod@s, sem exceção, crescem muito ao participar. Ouso afirmar que o processo é múltiplas vezes mais pedagógico do que qualquer resultado que consigamos obter, porque bem mais heterogêneo, amplo, plural e rico do que é possível caber em qualquer grade curricular…

Enumero alguns argumentos para afirmar a riqueza dos debates coletivos e sem segregações:

1) Há docentes do curso de pedagogia que não são pedagog@s, logo, não necessariamente têm uma visão global dessa licenciatura e nem sempre compreendem a importância de áreas distintas da sua (e não defendo exclusividade de pedagogos entre os docentes, muito pelo contrário!);

2) Entre @s docentes pedagog@s a amplíssima maioria (senão tod@s) foram formad@s quando o curso tinha outra lógica, com especializações / habilitações distintas / separadas. Esta concepção foi superada na última reformulação das diretrizes curriculares. No entanto, há colegas que seguem fazendo a discussão como se ainda prevalecesse a lógica das especializações / habilitações – agora coabitando dentro de um único curso;

3) Praticamente tod@s os docentes foram formad@s em licenciaturas que separavam claramente disciplinas teóricas de disciplinas práticas, forjando uma dicotomia que deseduca, rotulando as abordagens e suas contribuições, segregando o que deveria estar em diálogo constante. Ao partilharmos o debate coletivo remamos contra essa correnteza, conhecendo melhor o outro, compreendendo mais sobre as suas abordagens;

4) Praticamente tod@s @s docentes foram formad@s em licenciaturas que isolavam as disciplinas tidas como práticas e os estágios ao final dos cursos, após – e somente após – @s estudantes acumularem “bagagem” teórica para olhar e se relacionar com a realidade. Outra vez, esse paradigma foi ultrapassado pelas novas regras para o curso de pedagogia (2005/2006), mas basta olhar para nossa grade pra identificar esta lógica firme e forte. Para superar isso precisamos afinar olhares e pensar alternativas;

5) @s estudantes ganhariam demais ao compartilhar com os docentes o que estes podem aportar através de suas visões, dúvidas e propostas para um novo currículo. Mas @s estudantes podem aportar um conhecimento que nenhum professor tem: o de vivenciar o currículo atual, passando por diferentes semestres e áreas. E outra inédita contribuição discente reside no fato del@s não se verem eventualmente constrangid@s a defender espaços / créditos para este ou aquele departamento, esta ou aquela área específica.

Enfim, os tópicos acima são apenas alguns de muitos outros que caberiam aqui… Certamente voltarei várias vezes ao tema – prometo!

Mas sigo acreditando na riqueza do debate público e conjunto entre docentes e discentes. Penso ser um desperdício e um empobrecimento se apartarmos as discussões, tendo professores de um lado e estudantes de outro.

E seguirei prestigiando todos os espaços de debate presenciais, ao vivo e a cores. Mas vou usar este blog para seguir dialogando tanto com minhas colegas docentes quanto discentes, na certeza de aprender demais com ambas.

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