NOSSA UFRGS

O rapaz vai estudar em universidade dos Estados Unidos. Fez vestibular? Não!

O rapaz vai estudar em universidade dos Estados Unidos. Fez vestibular? Não!

Gramado (sem internet ontem a noite – fim do vestibular: a luta continua) – Tem gente na UFRGS que vive dizendo: somos uma universidade de “excelência”, de “padrão internacional”, bla, bla, bla. Então, na hora de selecionar estudantes que tal ver como fazem outras que, segundo múltiplos critérios internacionais, são consideradas universidades de qualidade?

Os norte-americanos são os pais da meritocracia, os arautos da concorrência, os pregadores do livre mercado, a pátria do self-made man (aqueles que se fazem por conta própria – leia aqui um artigo interessante). E os EUA figuram em qualquer ranking (ai, ai, ai, ai…) internacional de universidades, comparecendo com mais instituições do que qualquer outro país. Logo, os tupiniquins que acreditam em seleção, em meritocracia e em universidade de ponta deveriam ao menos saber e refletir sobre os modos de ingresso naquelas universidades.

Pois bem, o Gustavo, moço da foto acima, foi aceito para estudar na Stanford University (consta entre as 10 mais gostosonas nos rankings badalados). O rapaz que se faz por contra própria brasileiro conta como fez pra chegar lá (leia aqui).

Ele ensina e lista “alguns pilares avaliados na seleção de candidatos para os colleges” (por estas bandas diríamos faculdades ou universidades):

1) redações para entender o perfil e as histórias do candidato

2) nível de inglês (língua usada nas universidades americanas)

3) testes padronizados

4) cartas de recomendação

5) notas na escola

Os vestibulares, na melhor das hipóteses, cobrem dois dos tópicos acima: eles são um tipo de teste padronizado (item 3) e avaliam competência linguística (será?) com redação e prova de língua portuguesa (item 2 – inglês é a língua preferencial dos States…). Mas atenção, os testes padronizados ianques não são feitos em cada universidade, são testes nacionais. Aqui no Brasil costumam comparar estes testes (SAT e ACT) com o ENEM. No entanto, os testes norte-americanos não substituem os outros quesitos listados pelo Gustavo, ao contrário do ENEM que vem sendo utilizado como único ou principal meio de seleção, logo é uma comparação equivocada.

Frente a frente com a seleção meritocrática norte-americana os nossos vestibulares (e o ENEM) são simplórios e reducionistas. Os vestibulares ignoram a trajetória dos estudantes, a inserção social e acadêmica dos candidatos, as suas relações e compromissos coletivos, a sua vida escolar, os seus anseios e projetos. Isso tudo que os brasileiros descartam é a essência da seleção dos súditos de Obama. Taí algo que, por coerência, os meritocratas brasileiros deveriam refletir por dois segundos antes de seguir defendendo ENEM e/ou vestibulares cegamente. Perto das melhores universidades do mundo nossas seleções de estudantes são tacanhas, burocráticas, estreitas…

E tem mais… a batalha contra os vestibulares segue firme!

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