NOSSA UFRGS

Humilde adesivo espalhado em nossa universidade

Gramado (segue a batalha anti-vestibular) – Concorrência de araque…Quem acredita em vestibular defende a concorrência, a lógica básica de livre mercado na qual quem pode mais ganha mais. No caso das universidades estamos tratando da meritocracia, onde quem faz por merecer e se vira melhor que os demais concorrentes tem direito a uma vaga. Esse é o princípio oficial. Perguntinha: é possível uma concorrência justa se o vestibular cobra química e física num país que, segundo fontes oficiais, ao menos metade dos estudantes de escolas públicas não contam com professores habilitados para estas disciplinas? A resposta da sociedade, hoje, é: sim, é justo, azar deles. Somos hipócritas!

Então, assim como nos demais mercados, nos vestibulares também as instituições escolhem com quem concorrer e com quem é melhor não fazer o enfrentamento direto, ou seja, não há necessariamente condições de igualdade para verificar quem é o melhor.

No maior mercado educacional do país, São Paulo, as grandes instituições já há alguns anos decidem conjuntamente os calendários de seus vestibulares de modo a não coincidirem datas: USP, UNESP, UNICAMP, UNIFESP, PUC-SP, PUC-Campinas e ITA possibilitam que os estudantes prestem diversos exames e escolham quais cursar dentre aqueles em que forem aprovados. Por outro lado, todas podem arrecadar os recursos das inscrições de mais candidatos que se dispuserem a fazer uma maratona de provas (e tiverem grana para isso, claro!).

Sobre a UFRGS uma coincidência me chamou atenção, em especial pela repetição. Nas férias de janeiro deste ano assim como no ano passado eu vou ler as notícias de educação e o vestibular da UFRGS ocorre nos mesmos dias do vestibular da Universidade de São Paulo (USP). Fui verificar as datas de lançamentos dos respectivos editais e a UFRGS publicou o calendário de suas provas, nos dois casos, ao menos três meses após os paulistas, ou seja, sabia da colisão de datas. Perguntinhas impertinentes: porque a UFRGS inviabilizou que os estudantes gaúchos, paulistas e brasileiros em geral fizessem as duas provas e escolhessem entre duas grandes e fortes instituições? Medo de perder os melhores estudantes gaúchos para sua concorrente? Medo de que haja uma invasão paulista na UFRGS?

A auto-proclamada “melhor universidade do Brasil” poderia evitar tal “coincidência”, quem sabe em 2016, buscando os melhores estudantes de todos os estados, incluindo os mais ricos e populosos que o RS. Por exemplo, a USP teve 140 mil inscritos no atual vestibular e a UFRGS 40 mil. Só a segunda fase do vestibular da USP tem 30 mil concorrentes. Que tal permitir que estes ao menos tentem ingressar na UFRGS? Quem acredita, mesmo, em concorrência, não pode negar…

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