NOSSA UFRGS

Corredor polonês na saída de vestibulando ontem, domingão, no Colégio Militar

Corredor polonês na saída de vestibulando ontem, domingão, no Colégio Militar

Gramado (no meio do mato! – fim do vestibular 2, a missão) – E o corredor polonês não tem nada a ver com o soldado. Os candidatos tinham que enfrentar um montão de gente querendo entregar folhetos de faculdades privadas, cursinhos pré-vestibulares e até uma moça fazendo pesquisa de opinião.

Pra quem não sabe eu tenho super poderes. Ao meio dia, sol a 32 º C, pude exercitar minha amplíssima capacidade de ler pensamentos. Veja o resultado:

Candidato 1 (saindo estafado) – “Poxa, só uma propaganda? Eu quero colo. Cadê minha mãe?”

Corredor polonês 1 – “Ahaaa, sabe o que esse aí vai fazer em 2015? Pagar o meu salário!”

Candidato 2 (felizinho da vida) – “Sai urubu!!! Eu vou entrar na UFRGS e não preciso de vocês!”

Corredor polonês 2 – “Mais um pato! De cada 10 esperançosos que passam, 9 são meus potenciais clientes e só 1 vai entrar na UFRGS”

Well, os vestibulares (e o ENEM também) são um grande negócio. Muita gente ganha dinheiro graças ao funil mantido pelas universidades. A começar, os cursinhos pré-vestibulares, sem dúvida, vendendo sonhos. As instituições privadas de educação superior também sambam no mesmo enredo, realizando os seus “concursos” seguindo o calendário das grandes e famosas – disso volto a falar em outro post -, mas também a própria “comunidade” acadêmica.

Mas não podemos esquecer que professores, funcionários e estudantes da UFRGS (e de outras também) trabalham nos vestibulares e são remunerados, para além dos salários federais. Logo, os vestibulares terão muitos defensores internos, independente de discussões sociais ou teórico-metodológicos, pois seus ganhos financeiros são paupáveis.

Umas continhas. Se a proporção de pagantes do vestibular 2015 da UFRGS for equivalente ao do ano passado, teremos ao menos metade dos inscritos pagando valor integral, ou seja, 20.000 candidatos pagando R$110,00. Logo, R$2,2 milhões captados. Assim, não é exagero dizer que vestibular é um negócio milionário também para a universidade.

Fato que é caro montar boas provas, sem vazar informações, com sigilo dos elaboradores de questões, com uma logística envolvendo vários locais e dias de concurso. Porém, resta uma parcela suficiente para distribuir entre os adeptos do vestibular dentro da universidade, o que é e será um argumento forte para convencer uma parte da comunidade sobre a necessidade de preservar o vestibular…

3 thoughts on “NOSSA UFRGS

  1. Kelly Bernardo Martinez

    Oi professor Juca. Vim elogiar o seu blog e somar à sua reflexão. Há realmente muitos interesses por trás do vestibular da UFRGS e de toda economia gerada por tal. Ao ler o seu texto, lembrei do ENADE desde ano que participei por ser formanda da Pedagogia em que as propagandas e marketings se fizeram presentes nas estampas de camisetas e souvenirs distribuidas pelos coordenadores e professores de faculdades privadas de Porto Alegre e região metropolitana. Em nosso país a máxima parece ser lucrar a qualquer custo, atividade e tempo. Obrigada e até breve.

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    1. Juca Gil Post author

      Olá, Kelly. Obrigado pela participação e pelas opiniões. Nosso país se adaptou demasiadamente à lógica mercantil no setor educacional, como o teu exemplo do ENADE indica. O conhecimento pode ser vendido e comprado, o status das instituições gera mais ou menos dinheiro. E a gente tolera isso… Estamos nesse mundinho pra tentar mudar algumas coisas, e esta pode ser uma delas. Abraço e inté!

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