NOSSA UFRGS

Logo da universidade (e o galã é o nosso reitor, o Alex)

Porto Alegre (Fim do vestibular 1) – Pros gaúchos o primeiro parágrafo é estúpido, mas pro povo do resto do Brasil é aula de alfabetização. Vamos lá: não somos uma sigla, como UFMG ou UFRJ, logo, nada de U-F-R-G-S. Somos um nome próprio, com identidade e sotaque. Pronuncie: “Úrguez”. Não é “Úrguiz”. Atenção, cariocas, sem Xix no final! E esqueçam do F. Ninguém fala “Uférguez”.

Claro,” nossa UFRGS” porque ela é pública. Como instituição federal é mantida com recursos do teu bolso, do meu bolso, do nosso bolso. Ela é propriedade do Estado brasileiro e tem como função servir ao povo do país. Acaba de completar 80 anos, com forte trajetória acadêmica, assim, é uma universidade consolidada. Mas é importante questionar o quão pública ela é e como vem servindo à população brasileira. A universidade cresce e vem se modificando na busca de aperfeiçoamento. Hoje vou falar sobre alterações no vestibular.

No exato momento em que escrevo e posto este texto cerca de 40 mil candidatos se acotovelam em busca de aproximadamente 4 mil vagas. A conta é simples, mas os números não falam, nós é que damos significados aos dados quantitativos. Um exemplo: nossa sociedade (doente?) acha normal, aceitável, que 30 mil pessoas não tenham direito a estudar na UFRGS. Ao contrário, julgamos ser saudável que a juventude se torture anos a fio com o singular objetivo de pisar no pescoço de outros 9 concorrentes.

A edição de hoje do jornal Zero Hora questiona “o futuro do vestibular” e aponta seu potencial substituto, o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), como única alternativa. Este será o primeiro ano em que a UFRGS preencherá vagas via ENEM / Sisu (Sistema de Seleção Unificada, mais info aqui). Serão 30% das vagas, um teste.

Bem, na míope percepção deste que vos escreve, vestibular e ENEM são farinha do mesmo saco. Apesar das reais diferenças entre os dois mecanismos há um princípio que os une pela raiz: são, ambos, instrumentos de exclusão, montados para justificar e legitimar que poucos tenham acesso à Educação Superior. E, cereja no bolo, ainda culpabilizam as vítimas pelo seu próprio fracasso. Acredito que precisamos mudar a sintonia do debate e defender o direito de acesso ao ensino superior para TODOS (sem vírgulas, sem senões). Seguimos…

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