RANKING (IN)CONVENIENTE

E a melhor é pública. Mas isso não deve ser dito...

E a melhor é pública. Mas isso não deve ser dito…

Porto Alegre (recomeçou a temporada de bobagens) – É só sair o resultado do ENEM pro mesmo lero-lero voltar. Parece que parte da mídia só requenta notícias. E com a habitual falta de isenção. As chamadas da “notícia” no G1 RS dialogam bem com o senso-comum – ver aqui. Informa que das 100 melhores escolas gaúchas a maioria é privada. O leitor talvez fique satisfeito e já pode sair praguejando: “Tá vendo, o Poder Público é corrupto, ineficiente etc.”

Mas é só ler o que se segue na matéria e a manchete poderia ser outra, por exemplo: “A melhor escola do RS é pública!” Mais: é federal (Colégio Politécnico da UFSM – Santa Maria), com dinheiro vindo direto de Brasília, para alguns um antro de malfeitores, incompetentes…

E para os amantes das competições, fãs da concorrência, adoradores dos pódios, daquele negócio de dar medalhas de ouro, prata e bronze pros 3 bambambans (é assim que escreve?), entre as escolas gaúchas haveria apenas um lugar para as escolas privadas. Ou seja, pros que acreditam em rankings (mesmo!)  a manchete (sensacionalista?) poderia ser: “Privadas gaúchas levam pau de públicas no ENEM”.

O Ministério da Educação segue fornecendo munição pra uso e abuso de quem quiser – inclusive eu. E não vale dizer que isso é coisa de governo golpista, da direita… O PT azeitou a máquina das avaliações em larga escala e anabolizou junto à imprensa seu poderio de mostrar serviço, importando-se bem pouco com a construção de rankings, fortalecendo a meritocracia, dando holofotes ao mercado educacional.

Por que é tão fundamental dizer quem é melhor? Qual o motivo de buscarmos quantificar critérios pra milimetrar um fenômeno social, no caso, a educação? A busca insana por racionalidade pode tornar-se estúpida, um verdadeiro tiro no pé. Voltemos ao G1 RS.

O segundo colocado no estado (Colégio Sinodal – São Leopoldo – privado)  fez 653,20 de média nas provas objetivas. Já o dono do terceiro posto (Colégio Tiradentes – Porto Alegre – estadual) pontuou em 652,79 no mesmo critério. Bem, quer dizer que o Sinodal é melhor que o Tiradentes?! Por 0,41 pontos numa escala de mais de 600… Pode gargalhar!!! Não existe margem de erro nesse troço? Quem é o estatístico que respalda isso? Ou ainda, qual a “receita” (a direita adooora receitas – coisas pra seguir sem pensar) pedagógica do Sinodal pra ser 0,41 pontos superior ao Tiradentes? É de chorar, tamanha a tosquice (esta não existe, mas o povo fala, entende, então eu deixo).

Olha, dava pra ficar horas descendo o cacete no ENEM e nas torturas que os dados sofrem pelos usuários. Mas encerro com apenas mais um tabefe (juro!). Os idólatras da meritocracia ENEMziana vivem na estratosfera, num universo paralelo, pois ignoram solenemente a existência dos cursinhos. Em miúdos: quem disse que a nota deve ser creditada exclusivamente aos bons serviços do Politécnico da UFSM, do Sinodal e do Tiradentes? Nenhum de seus alunos fez cursinho pré-vestibular (agora rebatizados de Pré-ENEM)??? E atenção, nada contra estas três instituições em específico, pois o raciocínio vale pra todas as demais. Também não defendo os cursinhos, mas eles existem, e não podemos fingir o contrário.

Pra quem não me conhece: acho o ENEM uma enorme estupidez, um desperdício de dinheiro público, um desserviço para o debate sobre qualidade do ensino. Acredito que rankings educacionais servem pra muito pouco de positivo e pra coisa demais de negativo. Deveríamos investir mais dinheiro e energia pra gerar colaboração, solidariedade, condições físicas e materiais pras escolas, salários para professores etc e não botar isso tudo no ENEM e quetais.

TER LADO SEMPRE

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Porto Alegre (Dia triste e dia feliz. Dia de muitos lados)

Hoje estou ao lado dos perdedores.

Não é a primeira e não será a última, com certeza.

E uma vez mais me sinto tranquilo e convicto de estar do lado correto.

Defendi, defendo e defenderei que o que está ocorrendo no Brasil é um Golpe.

Não militar, mas institucional, parlamentar, político.

Usando as regras do jogo para que inverdades sejam legitimadas.

Compreendo que não houve crime de responsabilidade e, portanto, o mandato de Dilma não poderia ter sido caçado.

Acompanhando os debates no Congresso Nacional ficou claro que Dilma cairá pelo “conjunto da obra”, dos atos de seu mandato.

Verdade também que os contrários ao impeachment também defenderam o mandato de Dilma argumentando em prol do “conjunto da obra”.

Nesse caso os dois lados estavam errados, em minha humilde opinião, pois a “obra” / ação governamental, não estava em pauta.

O “conjunto da obra”, numa democracia, deve ser avaliada e julgada através de eleições.

E em eleições pode-se ganhar ou não.

Em eleições presidenciais, por exemplo, NÃO  estive do lado de Dilma em nenhuma votação de primeiro turno, e perdi.

E estive COM Dilma nas duas vezes em que disputou segundo turno contra o PSDB e seus aliados (Serra em 2010 e Aécio em 2014), e ganhei.

Não me arrependo e (ainda) não considero isso contraditório.

Temos que optar conforme as alternativas disponíveis.

Mas não apoiei e não aprovei nenhum dos mandatos de Dilma.

Acredito que ela foi menos ruim do que seriam Serra e Aécio.

Porém muito longe de algo defensável, distante de um programa socialista ou de esquerda – que defendo.

E isso ficou translúcido na própria defesa pessoal que Dilma fez no Congresso, da qual cito alguns exemplos.

Ela defendeu sua política econômica, repetidamente, argumentando que seguiu a linha proposta pelo Fundo Monetário Internacional (FMI)…

Ela defendeu sua política econômica – e vários dos senadores ao seu lado – afirmando que em seus mandatos os bancos tiveram segurança e obtiveram os maiores lucros da história…

Ela defendeu o PRONATEC, citando os executores principais e maiores beneficiados, o “Sistema S” (SENAI, SENAC etc) – ou seja, o empresariado brasileiro, a iniciativa privada…

Ela defendeu o Plano Safra, afirmando que esse beneficiou não só os pequeno produtores, mas também os grandes, os latifundiários (defendido também pela Senadora Kátia Abreu – PMDB/TO – ex – Ministra dela e líder da bancada ruralista ontem, hoje e amanhã…)

Eu não defendi, defendo ou defenderei, como exemplos, a política econômica do FMI, os lucros estratosféricos dos bancos, a privatização da política educacional através do PRONATEC ou o ultra benefício dos latifúndios…

Saí do PT em 2005 por entender que este caminhava para um lado equivocado.

Escolheu governar o país ao lado de partidos e figuras políticas incorretas (Collor, Maluf, Sarney, Renan, Temer…)

E assim, escolheu, por consequência, estar ao lado do FMI, dos bancos, do empresariado educacional, dos latifundiários, entre outros.

Tudo em nome da “governabilidade”, da maioria parlamentar, hoje caçada (61×20), inclusive com os votos de Collor e Renan…

Daí a importância de escolher bem o lado que está, e ao lado de quem atuará.

Mas hoje é um dia feliz! E estou do lado dos vencedores, dos batalhadores!

Temos boas novidades, como o lançamento da Frente Gaúcha Escola sem Mordaça, defendendo o direito de haver vários lados, ocorrido nesta manhã na FACED/UFRGS.

O grupo autointitulado Escola sem Partido quer sedimentar uma mentira, que seria a potencial ausência de lado.

Quer fazer crer que a neutralidade política seja possível.

O mundo reconhece que todos tem lado, mesmo que inconscientemente.

E que, portanto, do ponto de vista democrático, é necessário haver o reconhecimento das diferenças e o respeito às diversidades.

O pessoal que quer amordaçar a educação tende a não reconhecer diferenças e, em suas manifestações, desrespeita a diversidade.

Enfim, nesse momento triste e feliz, precisamos refletir sobre para que lado e ao lado de quem devemos seguir nossas lutas, que continua!!!

UNINDO FORÇAS

blog pensar a educaçãoPorto Alegre (Blogueiros da educação, uni-vos!) – Tempos difíceis exigem movimento, rearticulação, agregação. O Luciano Mendes de Faria Filho, habilidoso mineiro nas artes do diálogo, me contatou com a proposta de fazer “conversar” os blogs e blogueiros que defendem a educação pública. Aceitei na hora, com prazer!

Já havia colocado aqui na minha barra da direita os links pros blogs do Freitas e do Luiz Araújo. Agora acrescentei o do Pensar a Educação, editado pelo Luciano. Outros virão em seguida.

E topando a ideia de tentarmos ações colaborativas, indico a leitura do texto publicado no “Pensar” discutindo concepções e posições de uma das mulheres fortes do Banco Mundial na área da educação, a brasileira Cláudia Costin – aqui.

Segue abaixo um trechinho, como tira-gosto:

“/…/O problema é que é impossível fazer uma escola de qualidade para todos numa sociedade tão desigual e perversa como a nossa. E, isso, nossas elites políticas e empresariais, bem como seus interlocutores para assuntos sociais e educacionais, não querem ver. Aliás, não podem ver, sob pena de terem que assumir as suas próprias responsabilidades e não apenas transferi-las para o Estado, como se não o controlassem desde sempre, e, pior ainda, para os mais pobres e os profissionais que com eles trabalham, como os professores e as professoras./…/”

AULAS DIÁRIAS!?

Fácil como programa de auditório

Fácil como programa de auditório

Porto Alegre (antigo ou atual?) – Essa foto eu tirei em Macapá, em fevereiro…

Tinha outdoor pela cidade com a cara do Celso Portiolli… Quando animador de auditório é o melhor chamariz pra uma instituição de ensino superior… Mas me intrigou um dos detalhes em vermelho: “Aulas diárias*”

Nos tempos atuais parece fundamental a transparência da UNIP para um diferencial dos cursos: aulas todos os dias.

Versão integral, sem cortes

Mas tinha o raio do asterisco. Aí precisei que pedir pro meu amigo André Guimarães parar o carro e fui tirar uma fotinho de perto.

unip portiolli 3Agora enteeenndiii: não necessariamente todos os cursos têm aulas todos os dias, não em todos os períodos dos cursos.

Uffaa!!! Já pensei que não teria como escapar de ir todo dia pra faculdade construir meu futuro.

CA ganha, mas Rui leva reitoria UFRGS

Rui e Jane eleitos - regras atuais...

Rui e Jane eleitos – regras atuais…

Porto Alegre (Regras do jogo) – Se – e somente se – houvesse paridade na apuração das eleições reitorais, a Chapa 1, Virada, composta por C.A. / Laura teria ganho a votação e seria eleita. E fácil, com 46% dos votos válidos. E os reais eleitos pelas regras atuais (Chapa 3 – Rui / Jane) ficariam, nessa hipótese, em segundo com 37%.

A Virada (com Carlos Alberto Saraiva Gonçalves e Laura Verrastro Viñas) venceu por maioria absoluta entre os técnicos (57%) e estudantes (53%). E perdeu entre os docentes (30%).

Vice-reitor nas duas últimas gestões, Rui Vicente Oppermann (Chapa 3) vai assumir a cadeira magnífica e sua colega Jane Tutikian ocupará a vice pelos próximos 4 anos. Ele obteve 53% dos votos entre os docentes, 26% entre os técnicos e 33% entre os estudantes.

A grande perdedora foi a chapa 2, composta por Sérgio Roberto Kieling Franco e por Andrea Machado Leal Ribeiro. Sérgio foi diretor da Faculdade de Educação, pró-reitor de graduação até dezembro passado e é membro do Conselho Nacional de Educação. Mas os resultados eleitorais foram pífios, sendo derrotado em todas as categorias: 13% entre os docentes, 6% entre os técnicos e 11% entre os estudantes. Eu apostava que eles, de fato, seriam os últimos colocados, mas não achava que seria de lavada…

Os votos brancos foram poucos: 1,5% entre os docentes, 1,1% entre os técnicos e 0,6% entre os estudantes.

Os votos nulos foram mais expressivos que os brancos. Porém, dado que havia campanha pelo voto nulo, avalio que os números foram fracos pra essa manifestação: 2,5% entre docentes, 9,5% entre os técnicos e 2,5% entre os estudantes.

Já o resultado mais gritante foram as abstenções: 26% entre docentes, 34% entre os técnicos e 89% entre os estudantes. Aqui as avaliações podem ser bem distintas… Um quarto dos docentes se abster pode ser puro descompromisso, alienação ou certeza que o Rui ganharia (e estavam felizes ou nem aí). Já entre técnicos pode ser muito mais coisas: a começar repudio a um processo que os apequena e desvaloriza, mas também as alternativas apontadas pros docentes. No caso dos estudantes pode valer tudo que apontei pros técnicos somada a possível menor compreensão / vivência de como funciona a instituição (isto uma grande culpa de docentes e técnicos).

Mas lembremos que a UFRGS é conservadora (diria retrógrada) e se mantém confortavelmente defendendo que os docentes tenham o exorbitante peso de 70% dos votos. Sobram meros 15% do peso para os técnico-administrativos e reles 15% para os estudantes. Nessa regra, ganhou quem está na máquina.

Há múltiplas formas de contabilizar a paridade, logo não há consensos e nem regras fixas nestas contas. Eu divulgo continhas com 1/3 de peso pra cada categoria sem nenhuma forma de redução por índice de participação (por exemplo, alguns lugares ou exigem um percentual mínimo de votantes na categoria para validar os votos e outros lugares reduzem os pesos em proporção às abstenções). Assim, o que vale, no geral, é o acordo político feito com entidades representativas e/ou conselhos universitários. Reitero: é bem possível (e provável) que outras análises sobre os mesmos números levem a diferentes interpretações – o que não é um problema, necessariamente. Aqui é só a minha e respondo pessoalmente por ela.

“Nesta” paridade CA teria 46% dos votos, Rui ficaria com 37% e Sérgio obteria 10%. Não fecha 100% porque ainda tem os brancos e nulos.

 

Resultados oficiais (sem possíveis impugnações) – ver aqui

Chapa 1 – Carlos Alberto Saraiva Gonçalves (Instituto de Ciências Básicas da Saúde) e Laura Verrastro Vinas (Instituto de Biociências)

Chapa 2, Sérgio Roberto Kieling Franco (Faculdade de Educação) e Andrea Machado Leal Ribeiro (Faculdade de Agronomia)

Chapa 3 –  Rui Vicente Oppermann, (Faculdade de Odontologia) e Jane Tutikian (Instituto de Letras).

 Docentes (Peso 0,7):
Chapa 1 – 629 votos
Chapa 2 – 286 votos
Chapa 3 – 1.112 votos
Branco – 32 votos
Nulo –53 votos
TOTAL: 2.112
Votantes habilitados: 2.872

Técnico-administrativos (Peso 0,15):
Chapa 1 – 994 votos
Chapa 2 – 110 votos
Chapa 3 – 465 votos
Branco – 21
Nulo–167

TOTAL – 1.757
Votantes habilitados – 2.656

Discentes (Peso 0,15):
Chapa 1 – 2.073 votos
Chapa 2 – 435 votos
Chapa 3 – 1.280 votos
Branco – 22
Nulo – 98
TOTAL – 3.908
Votantes habilitados – 37.323

Cálculo da apuração

Docentes Técnicos Discentes TOTAL
Chapa 1 0,153307 0,056137 0,008331 0,217775
Chapa 2 0,069707 0,006212 0,001748 0,077667
Chapa 3 0,271030 0,026261 0,005144 0,302435

CONTRA A BASE CURRICULAR

Eu quero ser Alice!

Eu quero ser Alice!

Porto Alegre (Essa base é uma b…) – Quando crescer eu quero ser Alice. Não a do País das Maravilhas, mas a Casimiro Lopes, da UERJ. Quero ter a clareza de ideias dela. Quero conseguir expressar minhas convicções e argumentos como ela. Quero conseguir fazer um debate sério, mesmo quando os interlocutores defendem bobagens e tentam desqualificar suas falas. E tudo isso com serenidade, respeito, mas firmeza.

Ela participou de programa do Canal Futura em dezembro de 2014. E por cerca de uma hora confrontou seus pontos de vista sobre a proposta de Base Nacional Comum Curricular com outras duas outras pessoas (nos próximos posts falo das “outras”, ai, ai, ai).

Por favor, não acredite em mim! Veja você mesmo aqui e aqui.

Essa Alice me representa, no mundo real em que currículo não é algo mágico de um país imaginário. Onde professores não são soldados da Rainha de Copas…

BASE CURRICULAR???

Entidades acadêmicas contra a homogeneização

Entidades acadêmicas contra a homogeneização

Porto Alegre (amanhã discussão na FACED / UFRGS, 8h, sala 109!) – O Coletivo Mobilização FACED, povo que se uniu na última greve docente na UFRGS e segue na luta promoverá dia 07/01 (5a f) debate com o seguinte mote: “Por que uma Base Nacional Comum Curricular”?

Fazendo minha preparação para participar do evento indico a leitura do documento produzido por Anped e ABdC (ver aqui).

Segue trechinho inicial (o negrito em vermelho é meu – frase esquisita essa… negrito vermelho?)

“A Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Educação-ANPED, por meio do Grupo de Trabalho 12: Currículo, e com o apoio da ABdC/Associação Brasileira de Currículo, manifesta-se contrariamente ao documento orientador de políticas para Educação Básica apresentado pela SEB/MEC a consulta pública como Base Nacional Comum Curricular.”

Na contramão do discurso oficial e de seus seguidores que buscam demonstrar um consenso inexistente sobre a temática, o texto alinha argumentos e informações essenciais pra quem quiser debater sem se postar como mero expectador dos desígnios de Brasília.

Cito abaixo os nove tópicos em que o material está organizado:

  1. Diversidade versus uniformização
  2. Nacional como homogêneo: um perigo para democracia
  3. Os entendimentos do Direito à Aprendizagem.
  4. Conteúdo não é base
  5. O que não se diz sobre as experiências internacionais
  6. Gestão democrática versus responsabilização
  7. A Base e a avaliação (contribuição do Prof. Luiz Carlos de Freitas)
  8. Desqualificação do trabalho docente: unificação curricular e avaliação externa
  9. Metodologia da construção da Base: pressa, indicação e indefinição

Depois vou pingando mais materiais e análises.

Mais promessas de ano novo…

PROMESSAS DE BLOG NOVO

Vixe, até na foto o cara tá atrasado...

Vixe, até na foto o cara tá atrasado…

Porto Alegre (nooossa, quanto tempo?!) – Aos que estavam felizes com meu sumiço eu trago más notícias… Entre as resoluções de ano novo consta ser mais fiel aos meus leitores do blog, não sumir, desaparecer, deixar às moscas.

Então, de volta à luta.

Nunca prometi assiduidade e conforme as marés da vida – quase nunca calminhas, muitas vezes tempestuosas – eu vou e volto. Feliz e aguerrido, pra variar.

Um excelente 2016 pra nós – apesar das previsões tenebrosas…

DIREITAÇA DE GÊNERO

"ideologia" de conveniência da Igreja Católica

“ideologia” de conveniência da Igreja Católica

Porto Alegre (tempo bom – pra retomar escritas, com sol!) – E aí, direitaça, vão seguir batendo na “ideologia de gênero” como fanáticos? (ver aqui, por exemplo) Ou vão algum dia admitir que nossa sociedade é machista e precisa haver uma ação firme, explícita, contínua para acabar com as desigualdades reais que vivemos?

Taí mais umas das muitíssimas informações disponíveis sobre a opressão e o desrespeito vivido pelas mulheres. Na percepção das pessoas as mulheres ganham menos, estão mais desempregadas, têm menos poder político. Os dados sobre ocupação de cargos públicos de destaque mostram que elas são minoria (olha aqui).

Pra alguns de vocês também vai ser impossível admitir uma família que não seja “Doriana” (papai, mamãe, dois filhinhos, casa linda, o machão saindo pra trabalhar, a rainha do lar cuidando da prole…). Mas vai… as outras famílias, que são maioria, seguirão existindo –  e sendo felizes, apesar da sua ignorância.

Discutir “gênero” também é enfrentar isso, sem apelar pra “tradições” ou “natureza”. E esse é e será um papel da escola, da educação escolar. Sabe da maior: dentro das salas de aula estão, na ampla maioria, mulheres. E lá a Igreja e a direitaça não mandam! Saibam, portanto, que a disputa de gênero está sendo realizada, que podemos e devemos falar e agir contra o machismo. Ou seja, essa parada vocês vão perder, mesmo esperneando.

PROFISSIONAL?

Única? Exclusiva? Inédita?

Única? Exclusiva? Inédita?

Porto Alegre (diferencial de mercado) – Deixa eu ver se entendi… Em nossa galáxia existe apenas uma “preparação profissional para o ENEM/UFRGS”. Ah, bom! E agora temos uma universidade com ENEM próprio, diferente dos demais ENEMs, o que exige um trabalho exclusivo.

E é um curso profissional. Profissionalizante? Claro, os estudantes fazem o cursinho uns 3 anos seguidos, logo, merecem um diplominha, não?! E se é profissional já não seria melhor ir direto pro “mercado” ganhar dinheiro ao invés de frequentar faculdade mais uns pares de anos?

Tudo límpido agora.

Maaassss, ainda me restou uma dúvida: onde são formados os profissionais que dão aulas na preparação profissional para o ENEM/UFRGS? Fiquei instigado a fazer uma conversão na carreira e dar aula em cursinho. Qual o nome dessa licenciatura? Tá na lista do Sisu?

DETONANDO O ENEM (6)

Tri o quê?

Tri o quê?

Porto Alegre (TRI esquisito) – Hora do gabarito, divulgado ontem. Todos querem saber quantos acertos (e erros) tiveram. Mas, ai, ai, ai. Todos vão ter que esperar (roer as unhas) até… sabe-se lá quando pra saber sua pontuação. Astrólogos dizem que em dezembro ou janeiro os candidatos saberão exatamente como foram nas provas.

Dois pontos em que o ENEM merece apanhar, levar uma surra:

  1. Não haver cronograma com a data exata de divulgação os resultados finais;
  2. O uso da enigmática Teoria de Resposta ao Item (TRI).

Por partes.

Cronograma

Super coerente com toda lógica e mística que envolve o exame não haver uma data para publicizar a pontuação dos candidatos.  E um excelente exercício de tortura, de sadismo, submetendo nossa juventude a uma incerteza desnecessária.

Alguns dirão: “Ah, mas eles precisam aprender a controlar suas emoções”. Sim, e não faltam oportunidades para adolescentes e jovens experimentarem tais sentimentos em suas vidas cotidianas (seus babacas!). Então: pra mim isso é desumano, desleal, sórdido, torpe – to gastando o verbo de montão e ainda não consigo expressar toda minha indignação com tamanho desrespeito com nossa juventude (pedagogia da tortura?).

Sim, com uns 7 milhões de provas pra corrigir pode ficar difícil precisar exatamente as dificuldades do processo. ok pra isso. Mas não é a primeira vez que a prova é aplicada, sendo possível estimar bem o andar da carruagem. Aí coloca uma margem de erro, superfatura a data e publica. Se quiser ensebar um pouco bota uma cláusula dizendo que o INEP pode alterar o cronograma em caso de hecatombes, blablabla.

TRI

A candidata “Sabidona” acertou 150 questões “objetivas”. O candidato “Afiado” acertou 160. Logo… logo nada! Quem disser que tirou mais pontos, hoje, está mentindo. Ou pior, não tem a mínima ideia de como funciona a prova – quer tentar entender clica aqui.

Isso porque a metodologia utilizada não é a clássica em que cada acerto vale uma pontuação já conhecida. E onde questões costumam ter a mesma pontuação. Ao contrário! No ENEM os candidatos não sabem quais os valores das questões. Mas saibam: as questões são categorizadas em diferentes níveis de dificuldade – e não valerão necessariamente a mesma coisa para candidatos diferentes. Esotérico, não?!

Yes, o desempenho geral do candidato é contabilizado de modo que, por exemplo, errar questões consideradas muito fáceis e, ao mesmo tempo, acertar questões tidas como muito difíceis, podem alterar o peso delas na pontuação final. Isso porque a TRI tem um mecanismo pra se defender dos famosos chutes. Claro, a dita metodologia não anula o acerto (por chute ou não) de uma questão dificílima em um candidato que errou várias fáceis. Mas o valor da dificílima não será o mesmo de outro candidato que acertou também as fáceis… Russo ou mandarim é mais compreensível que isso, né?!

Mas quero afirmar que eu considero o TRI uma excelente metodologia. Muuuuito melhor que a lógica tradicional, zilhões de vezes mais inteligente, com vantagens enormes pra medir conhecimentos, comparar candidatos, fazer análises entre diferentes edições etc.

E ainda assim reforço que usar essa metodologia é uma fragilidade colossal do ENEM. Por quê? Porque ninguém conhece a TRI. Porque ninguém entende esse troço. Porque mesmo tentando explicar ainda fica uma interrogação colossal na testa de quase todo mundo. Duvida? leia o artigo didático de 3 pagininhas aqui.

Porque, no final das contas, as questões ditas objetivas parecem subjetivas pra cacete (ops, perdão, escapou). Há senões demais. É preciso crer na metodologia, Faz-se necessário um ato de fé pra achar que o resultado é justo. E nesse campo movediço, a sociedade pode cogitar que a maracutaia impera. Ou que Deus é que não ajudou. Ou qualquer outra teoria da conspiração, todas batendo contra a transparência do processo avaliativo.

Resumindo: a técnica é boa (acreditem em mim! Rezem por mim, chorem por mim…) mas ela é alienígena, ininteligível. E isso mina a sua legitimidade, o que é grave. Do ponto de vista sociopolítico gera um vácuo, algo que só iluminados compreendem.

Uma prova que distribui vagas universitárias, bolsas, diplomas de ensino médio, empréstimo bancário subsidiado (dito FIES), cura frieira (ah não? esta última ainda não é uma função do ENEM… ainda) não pode ser incompreensível. É muito arriscado, gera suspeição, é deseducativo, é despolitizante.

Mas essas são só minhas opiniões. Não acreditem em mim. Acreditem no ENEM. Amém!!!

CONCORDO COM MERCADANTE!

Também concordo com Mercadante: acreditem!

Também concordo com Mercadante: acreditem!

Porto Alegre (eu tô me endireitando?) – Mercadante, o Ministro da Educação, esteve hoje no Senado para uma audiência pública, convocada a pedido da Senadora Ana Amélia (PP/RS). Das falas divulgadas até agora tenho três acordos totais com o titular do MEC:

  1. o Plano Nacional de Educação (PNE) deve ser o eixo estruturante das ações do Ministério da Educação (ver aqui);
  2. o Sistema S deve arcar com parte dos custos de ações educacionais, como o Pronatec e o Ciência sem Fronteiras;
  3. a volta da CPMF seria uma forma simples e boa de arrecadação – e de quebra atacaria caixa-dois e sonegação fiscal (ver aqui tem até áudio da entrevista; dois minutinhos bem esclarecedores).

Não sou adepto do quanto pior melhor e não tenho problema algum em aplaudir pessoas com quem tenho discordâncias.

Acredito que o Mercadante não levará estas suas frases às últimas consequências – seu passado o condena… Mas acho importante ele dizer. E torço para que se esforce e faça valer suas palavras.

DETONANDO O ENEM (5)

Tema para redação: 2,2 milhões de vagas ociosas

Tema para redação: 2,3 milhões de vagas ociosas

Porto Alegre  (uma prova de redação) – Como hoje é dia nacional da especulação acerca dos critérios de avaliação que serão cobrados na análise dos textos dos candidatos vou entrar no clima e listar os meus para o seguinte tema: por que sobram 2,3 milhões de vagas ociosas no ensino superior privado do Brasil?

A redação deveria abordar informações básicas sobre a educação superior no Brasil, suas principais políticas e lógicas de funcionamento, utilizando inclusive estatísticas elementares disponíveis no site do mesmo INEP que faz o ENEM (as últimas são de 2013). Assim, um bom texto deveria apontar alguns dos 13 itens abaixo (o número é uma singela homenagem):

  1. A educação superior de nosso país é uma das mais privatizadas do mundo;
  2. O setor público atende apenas cerca de 1/4 dos estudantes, estando a ampla maioria nas privadas;
  3. Esta pequena proporção da intervenção estatal não é casual e serve aos interesses de quem lucra vendendo educação, gerando pouca concorrência;
  4. As instituições privadas oferecem aproximadamente 4,5 milhões de vagas para ingressantes anualmente;
  5. Porém, destas, apenas 2,2 milhões vão ser ocupadas por efetivamente;
  6. Logo, mais da metade das vagas privadas ficarão ociosas (2,3 milhões);
  7. Dois dos fatores que ajudam a entender tal descalabro: o Governo Federal tem sido, por décadas, permissivo com os privados, liberando as autorizações para abrirem vagas; o problema é que nosso país é desigual demais e a maioria do povo não tem dinheiro pra pagar mensalidades;
  8. A situação só não é pior porque o Governo Federal é uma mãe (e uma família inteira) para o setor privado;
  9. As tetas do Estado brasileiro bancam FIES, Prouni e abatimento de imposto de renda que garantem milhares de matrículas nas privadas;
  10. O ENEM é utilizado como critério de seleção para alguns dos mimos anteriores para a iniciativa privada – logo, esta sequer precisa se preocupar em avaliar seus clientes-alunos;
  11. Os empresários e mercenários da educação são ingratos, pois não poupam os governos do PT, os quais criaram o Prouni e investiram no FIES como nunca antes na história desse país;
  12. O Ministério da Educação gasta milhões de reais com propaganda em rádio e televisão pra divulgar o ENEM, falando de todos os benefícios que ele aporta à Pátria Educadora, mas nunca divulgou pelos mesmos meios a situação da educação superior brasileira;
  13. Logo, você não sabia de alguns (ou muitos) dos pontos listados acima e fez o ENEM disputando um jogo que você não conhece direito, mas que bota nas tuas costas o peso de vencer e ainda se posta como justo, democrático, fonte eterna de oportunidades etc.

Tá bom assim? Acha que vai tirar uma boa nota?

Dado que as respostas, contatos e participações foram grandes neste fim de semana – e que eu fiz promessas que ainda não consegui cumprir – seguirei batendo no ENEM pelos próximos dias.

DETONANDO O ENEM (4)

Os candidatos são melhores que o ENEM

Os candidatos são melhores que o ENEM

Porto Alegre (carta aos candidatos) – O ENEM não te avalia. Ele tenta medir alguns aspectos da tua vida – e ignora muitos outros.

Mesmo se for tratar apenas do que você aprendeu na escola o ENEM é restrito. Por exemplo, você teve aulas de educação física, não?! E isso pode ter sido muito importante pro teu desenvolvimento, pra tua saúde, pras tuas relações. Você aprendeu sobre o teu corpo, testou habilidades, teve contato com regras e lógicas diferentes, trabalhou em coletivos etc. O ENEM não avalia nada disso. Mas isso também é você.

E teve também educação artística ou congêneres. Você pode ter tido contato com desenho, pintura, escultura, teatro, dança, música e mais. Esses aspectos podem ser essenciais pra tua identidade, pra tua sensibilidade, pra como você se relaciona com o mundo. Mas o ENEM tá se lixando pra isso.

Por outro lado nós aprendemos diversas outras coisas também pra fora da escola. Nós fazemos e vivemos experiências nem sempre abordadas nas salas de aula, mas que são fundamentais. O que dizer de solidariedade, companheirismo, respeito à diversidade? Bobagens? Então, o ENEM pode tranquilamente avaliar como magnífico um@ candidat@ egoísta, mesquinh@, incapaz de ajudar alguém que não seja el@ mesm@. E uma pessoa racista, homofóbica, machista, preconceituosa tem todas as condições de ser “campeã do ENEM”. Isso porque essa prova não tem estes valores como critério de avaliação. E ao fazer isso, por omissão, contribui para desfavorecer o trabalho destas questões na escola e na sociedade – um desserviço.

E pra te avaliar seria necessário considerar outras perspectivas, muitas delas mais profundas e que te definem – mesmo que o ENEM não queira. Participação política – partidária ou não. Você age para mudar a tua realidade e disputar o poder? Ou é um expectador? Você tem e preserva boas amizades? Ou é um ogro? Você tem suas crenças? Religião é algo especial na tua  existência? Note que você pode ter várias respostas para as questões anteriores. Mas é difícil negar que estes são aspectos valorizados por muita gente, por muitos grupos, por setores da sociedade. E impossível negar que o ENEM dá as costas para o que você é e faz nestes âmbitos.

Tudo numa frase: você é muito melhor que o ENEM.

Essa prova não te traduz, não define o que você é, não muda a tua vida. Ela pode ser importante pra algumas coisas, sim. Mas não deixe o ENEM te enquadrar. Não se reduza a ele. Não deixe ele te detonar.

Relaxa, vai na boa e mantenha a cabeça erguida frente a essa provinha. O ser humano é maior do que qualquer exame ou avaliação. Ainda não criaram um instrumento para medir a humanidade. Mas você faz parte dela – prove isso.

DETONANDO O ENEM (3)

Pública é bom e eu gosto

Pública é bom e eu gosto

Porto Alegre (gratuita, laica, de qualidade) – O sonho dourado dos candidatos do ENEM não é apenas uma vaga no ensino superior. É estudar em universidades públicas! Motivos vários,  alguns aqui: são gratuitas, têm status e, melhor de tudo, seus cursos são bem avaliados, gozando de qualidade.

Nesse grupo temos desde instituições que usam o ENEM como única forma de seleção passando por outras que utilizam essa prova como parte da nota / avaliação para o ingresso – com ou sem vestibular.

As instituições públicas podem ser federais, estaduais ou municipais. As federais estão presentes em todos os cantos do país, tendo reputação geralmente bem positiva (58% das matrículas públicas totais). As estaduais não são tão disseminadas por todo território nacional, havendo presença residual em algumas localidades. São super bem conceituadas em algumas unidades da federação, mas também mega precárias em outras (32% das matrículas). E as municipais são casos raros no Brasil – mas existem! (10%)

Pepino: o Brasil sofre de uma ultra privatização do ensino superior, logo, poucas vagas públicas (só 26% das matrículas totais). Em números: apenas cerca de 600 mil. Contas, continhas: 7,7 milhões de “eneiros” para 0,6 mi vagas. Isso significa que, na média, de cada 10 candidatos… nenhum vai entrar numa pública. Aumentando a lente: de cada 100 “eneiros” haverá vaga para… quase 8.

O ENEM não criou a privatização. Também não tem culpa da rede pública acanhada. Mas legitima essa realidade, não questionando-a. Pior, termina por culpabilizar os candidatos por seu fracasso, como se houvesse justiça social e igualdade de condições entre os concorrentes. Privatiza o caso, tratando a não obtenção de vaga como um problema individual. Esquiva-se de politizar a questão, fugindo de abordar nossa situação como um problema social e público!

DETONANDO O ENEM (2)

Enem e a inclusão...

Enem e a inclusão…

Porto Alegre (Semvagolândia, a metrópole do ENEM) – Essa prova atenta contra a inteligência do país. Afirmar que ela democratiza a Educação Superior é uma piada de mau gosto. Dados bem simples comprovam o contrário. E os dados não são meus, são do governo, do MEC.

O mesmo INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) que organiza o ENEM também faz Censo da Educação Superior. Ou seja, levanta uma montanha de informações, as quais deveriam servir pra gente conhecer a realidade… Pois, pois…

Parte dos dados do referido Censo ficam acessíveis através das Sinopses Estatísticas da Educação Superior – ver aqui. A última disponível é a de 2013. Os números atuais devem ser diferentes, mas a ordem de grandeza deve ser bem parecida, mantendo o raciocínio.

Segundo o INEP, que é um órgão do Ministério da Educação, podemos ver que o Brasil teve cerca de 2,7 milhões de ingressantes em cursos superiores naquele ano. Ops, continha rápida: 7,7 milhões fazendo ENEM e só 2,7 vão se matricular, logo, 5 milhões vão ficar sem sala de aula no ano que vem.

Desenhando: de cada 10 candidatos do ENEM, 7 não estarão matriculados em nenhum curso superior em 2016. Assim, a cidade de Semvagolândia (ver aqui) se torna a terceira metrópole do país, menor apenas que São Paulo e Rio de Janeiro!

Irônico o ENEM ser visto (e vendido) como um instrumento de inclusão na Educação Superior quando ele é justamente o oposto: a ferramenta que exclui milhões!!!

 

DETONANDO O ENEM (1)

Quem saber das maravilhas do enem? www.mec.gov.br

Quer saber das maravilhas do Enem? www.mec.gov.br

Porto Alegre (lavagem cerebral…) – O dia da salvação está chegando: este é o esperado fim de semana do ENEM. No rádio e na TV não tem como escapar das propagandas do governo. Um puta saco…

Então, se você ainda não foi convertido à seita das avaliações miraculosas, se não reza pro Santo ENEM todas as noites é só ler/ouvir/ver qualquer veículo de comunicação e terá acesso a mil guias, milhão de dicas, zilhão de reportagens.

E eu daqui vou mandar meus torpedos pra dizer que o mundo não é cor de rosa. Serão algumas postagens durante sábado e domingo, logo, se não gostar do assunto ou de minhas ideias é simples: me esqueça, não entre aqui e nem no meu facebook.

Vamos lá: de cada 10 candidatos ao ENEM 4 certamente não estudarão no ensino superior em 2016. E não é por falta de capacidade, necessariamente. É que não há vagas para eles. São 7,7 milhões de inscritos no ENEM e cerca de 5 milhões de vagas oferecidas no país. Logo, 2,7 milhões ficarão fora da Educação Superior.

Esses “sem vaga”, se reunidos em uma cidade (Semvagolândia?), formariam o quinto município mais populoso do país, só perdendo em quantidade de habitantes para São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Brasília. Enfim, uma enormidade. Um mega desperdício de energia. Um show sádico para detonar estimas e egos de jovens. Estes, vítimas das propagandas enganosas e floridas do MEC…

 

PELÉ 75

Exemplo real pra Educação Superior...

Exemplo real pra Educação Superior…

Porto Alegre (rei? sou republicano!) – Hoje Edson Arantes do Nascimento completa 75 anos. E há exatos 40 anos (1975) ele se formou no ensino superior… Parabéns! A imagem (e a realidade) de nossos jogadores de futebol é de pessoas pouco escolarizadas, até ignorantes… Deve ser por conta dessa enorme diferença que Pelé faz propaganda de faculdade, né? rarara – ver aqui. Em EAD, claro, bem coerente – e compatível – com a vida de um atleta profissional.

Então, o “rei” é licenciado em Educação Física, em Santos / SP – veja aqui. Sabia não? Eu também não… Formado junto com o ex-goleiro Emerson Leão – um cara super educado…

Dois bons exemplos de que diploma superior… ah, hummm. Complete a frase você…

1975 - Formado em Educação Física

1975 – Formado em Educação Física

UFRGS TEM MEDO DA USP?

Cadê a livre concorrência?

Cadê a livre concorrência?

Porto Alegre (santa coincidência) – Por três anos consecutivos as provas do vestibular da UFRGS são agendadas nos mesmos dias do vestibular da USP. Haja conjunção astral!!!

Escrevi sobre isso em janeiro, especulando sobre a nossa autoproclamada “melhor universidade do Brasil” estar fugindo da concorrência direta com a Universidade de São Paulo – ler aqui.

Pois bem, a USP anunciou seu cronograma no dia 03 de agosto passado (ver aqui), exatamente um mês antes da UFRGS – ver aqui. E mais uma vez o “destino” proíbe – na prática – que os candidatos concorram a ambas instituições, tendo em vista que as provas de seleção ocorrerão nos mesmos dias.

A UFRGS marcou as provas entre os dias 10 e 13/01/2016 já sabendo que sua colega paulista realizaria a segunda fase da seleção entre 10 e 12/01/2016. Nestes dias a universidade do sul aplicará provas em 4 cidades escaldantes, enquanto a instituição do sudeste torturará jovens em 28 municípios.

Onde fica a tão badalada meritocracia nessas horas? Os estudantes não deveriam ter o direito de optar? A UFRGS não teria o direito de concorrer aos candidatos da USP?

Pergunta: quem ganha com isso? Hipótese… A milionária arrecadação de inscrições da UFRGS? E também tem a tese da “invasão paulista”, conhece? Não?! Leia aqui.

Pra quem não sabe… Promovo uma campanha ampla e irrestrita, interinstitucional anti-vestibular. Se tiver paciência ou curiosidade é só buscar “vestibular” aqui no blog e verá todas as bobagens que já escrevi a respeito. E sigo na luta!!!

MAIS FÉRIAS ESCOLARES (1)

Vacances = férias, em francês

Vacances = férias, em francês

Porto Alegre (adoramos férias! Deveríamos ampliá-las!!!) – Uma emenda de feriado como hoje é um alívio, não?! Poderíamos criar outros. Não, nada de santos e quetais religiosos – defendo Estado laico…

Advogo usarmos as férias de modo mais racional. Nosso alívio em dias como hoje só existe porque nos submetemos a longos períodos de trabalho intenso – logo, geramos um processo cansativo.

E não venham se queixar das leis, pois elas são inocentes nesse caso. Inexiste legislação que obrigue concentrarmos as férias em poucos meses. Assim, o “geramos” citado acima significa que optamos por fazer assim, por tradição, é verdade, cultura escolar. As quais podem ser alteradas.

Digo isso porque as redes de ensino definem os períodos de férias concentrando as paradas em poucas ocasiões, no meio do ano (julho) e no fim / início (dezembro a fevereiro).  Por que não ter mais férias? E não vou defender aqui a diminuição do número mínimo de dias letivos (200, segundo a LDB) – apesar de ver com bons olhos isso… Estou falando em “espalhar” as férias ao longo do ano, de modo a não ficar muito tempo sem alguns dias para descansar, respirar, relaxar.

Não estou inventando a roda; estou copiando. Quando morei na França eu adorei a organização das férias escolares por lá. Em resumo, as escolas francesas, além das longas férias de verão (2 meses, em julho e agosto) possuem outros 4 períodos de férias no ano, com duas semanas cada – veja aqui .

Atenção, porque eles começam as aulas (ano escolar) em setembro de um ano civil – por exemplo, 2015 – e terminam no início de julho do ano seguinte (no exemplo, 2016). Não proponho isso para os nossos trópicos! E eles dividem o país em três zonas, as quais possuem calendários um pouco diferentes entre si – ver aqui. Também não defendo nada nacional, padrão, goela abaixo… pois somos uma Federação.

Considero essa multiplicação das férias um ideal a ser perseguido, por respeitar a necessidade de ficarmos na boa, coçando o saco (ou qualquer outra coisa). Também é bom porque tem implícita a concepção de que a vida é mais que escola, que estudo, que trabalho. Acredito em tudo isso! E também há razões econômicas – mas isso fica pra outro post.

Esclareço que não sou fã de algumas fortes características do sistema escolar francês (pra mim, conteudista, hierarquizado, formalista – mas isso também é assunto pra outro dia). E fico há alguns anos-luz de acreditar em transposições ou cópias acríticas e descontextualizadas.

Proponho refletirmos sobre as razões pelas quais nos aferramos a algumas formas de organizar nossas escolas, sem sequer aventar outras possibilidades. E acredito que conselhos estaduais e municipais de educação (bem como conselhos universitários) poderiam discutir e deliberar por alternativas mais interessantes que nosso modelito (pré)histórico.

Gostou da proposta de mais férias? Não?! Ok, voltarei ao assunto, pois eu adoooro e acredito muuuito nisso…

CURY E O SISTEMA NACIONAL DE EDUCAÇÃO

Tina, Cury e M.Beatriz Luce - gente boa de debate!

Tina, Cury e M.Beatriz Luce – gente boa de debate!

Florianópolis (nada de praia. Só chuva e salas de trabalho) – Não tenho procuração de ninguém. E aqui vou tratar minhas versões e opiniões sobre as provocações feitas pelo Prof. Carlos Roberto Jamil Cury em sua fala sobre o Sistema Nacional de Educação, na Reunião Nacional da Anped, anteontem.

Cury explica que – enfim! – o SNE tem existência jurídica. O que não é pouco. Isso configura uma vitória de grupos e movimentos progressistas. Agora precisa “passar da existência para a consistência”. Ou seja, por enquanto o SNE é apenas uma expressão no texto legal, não uma realidade.

O Prof. Carlos Roberto se disse “surpreso” com a aprovação tranquila do SNE, dado o histórico conflituoso da temática, ocorrendo fortes resistências à sua inserção em propostas anteriores, notadamente nas disputas havidas para a confecção da Constituição Federal de 1988, na LDB/1996 e no PNE/2001.

Discorreu sobre algumas destas resistências, segundo diferentes grupos / forças. O governo federal seria contra por medo de ser postado no papel de “caixa”, de financiador das políticas brasileiras, responsabilizando-o pela materialidade das redes subnacionais. Os governos estaduais temeriam ter sua autonomia federativa violada, com o poder central definindo e/ou interferindo – indevidamente – na seara alheia. E a educação privada se oporia ao SNE aterrorizada com a perspectiva de ter sua liberdade tolhida por uma ação pública fortalecida e centralizada. Estes apelidavam o SNE de “sovietão”, em menção pejorativa à União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) – nossaaa! Quanto tempo não falava disso, fico até emocionado, rarara.

O prof. Cury lembrou o fato de que o SNE não constava do projeto de lei encaminhado ao Congresso Nacional pelo Poder Executivo, leia-se MEC / Casa Civil. Ou seja, o governo não apostou suas fichas e não tinha como prioridade o SNE. Este foi incluído na tramitação parlamentar por força de movimentos, dentro do parlamento, em seu favor. Logo, o SNE não foi um filho desejado pelo governo.

E, não obstante diversos aspectos salutares acerca da existência do PNE, Cury afirmou o seu “pessimismo da inteligência” quanto ao SNE. O contexto conservador contribuiria para sérias dificuldades em sua configuração democrática.  E o veto não explícito – “oculto” – ao financiamento do PNE, vide os cortes orçamentários em curso, comprometeriam sua existência.

Cury segue sendo uma referência para mim em suas reflexões, em sua franqueza e clareza de análises e opiniões. E tenho muito mais concordâncias do que divergências com suas posições. Mas parece que tenho diferenças com ele a respeito do SNE. Por exemplo, tendo a concordar com ideias de Dermeval Saviani, inscritas em sua tese de Doutorado, de 1971, quando eu nem era nascido… O Sistema já existia, em processo de construção, apesar de não estar explicitado em lei. Mas isso já é história pra outro post.

JANINE, O “TÉCNICO”

Fraco assumido, foi omisso na greve federal

Fraco assumido cai fácil

Porto Alegre (“técnico”? rarara!!!) – Renato Janine Ribeiro foi Ministro da Educação por 177 dias, menos de 6 meses (*06/04/2015  +30/09/2015). Foi o 5º ocupante do MEC durante a gestão Dilma (antes Haddad, Mercadante, Paim e Cid). Foi o 3º deste mandato, que começou há 272 dias.

No momento de sua escolha alguns se entusiasmaram, saudando um “técnico” no comando do MEC, um cara da área da educação, um acadêmico, blá-blá-blá. Taí o que acontece quando botam uma ovelha pra cuidar do galinheiro e defendê-lo dos lobos. Morre sem ter feito nada expressivo em sua posição.

Faltou força, faltou articulação, faltou poder. E, lamento desiludir alguns, mas governos são espaços de poder, palco de lutas e disputas, arena da Política (maiúscula) e da política (minúscula). Botar um analfabeto nestas questões para gerir o MEC (ou Secretarias Estaduais ou mesmo Municipais de educação) é a certeza dele ser frágil.

A Presidenta, neste caso, emprestou o seu cacife político, a sua força para o Ministro. Ela não ganhou nenhuma nova força ou apoio no mundo partidário / congressual com o ingresso do Renato. Bem, só dá pra emprestar o que se tem… Quando ela mal tem forças pra se segurar na cadeira…

Janine foi uma cereja no bolo, um enfeite. O que ele deu ao governo foi glamour: o “doutor”, o “filósofo”, o “intelectual”. Que não entendia (entende?) nada de educação!!! Verdade que Haddad, Mercadante, Cid e outros também não sabiam lhufas de educação quando entraram no MEC. Mas eram / são gente que transita no mundo político, logo, estão em casa, se adaptam, sabem onde achar força, como disputar poder.

Renato não disputou quase nada – e também não fez quase nada, portanto. Mas disso falarei em outro post – os feitos do Janine…

E Dilma colocou um fraco no MEC para controlá-lo. Uma carta grande disponível na mão, podendo descartá-la quando precisasse sem gerar nenhuma crise. Usar um grande ministério para acomodar interesses a qualquer momento, fortalecer sua posição político partidária / congressual. Eis o que ocorreu.

Gostaria bastante que o caso Janine nos ensinasse a não ficar contente com “técnicos” nos governos. Porque são fracos eles cumprem papel “político” pra quem tem poder. Estes “técnicos” são fortes candidatos a marionetes, excelentes para massa de manobra, aposta na desilusão e na inércia. Ou são mentirosos, e se escondem atrás de uma aura técnica para fazer a política convencional – e despolitizante.

SINISTRO JANINE CAIU

Cordato até quando defenestrado

Cordato até quando defenestrado

Porto Alegre (não deixa nada como herança) – Confirmado: Janine não é mais o Ministro da Educação – ver aqui. Foi um mandatinho sem sal e sem açúcar. Ou pior, defendeu os cortes no orçamento do MEC e o ajuste fiscal de modo servil. Tudo segue indicando “Mercadante, o retorno”. Depois volto a falar de Janine, lastimável passagem por Brasília…

MERCADANTE DE NOVO NO MEC?

Enxotado da Casa Civil... Vai pro MEC?

Enxotado da Casa Civil… Vai pro MEC?

Porto Alegre (troca de cadeiras outra vez?) – Aloizio Mercadante vem sendo “fritado” politicamente há semanas. Com o governo em crise, o chefe da Casa Civil deveria atuar como bombeiro e apagar o fogo. Porém, todos o consideram um incendiário: arrogante, autoritário, pouco flexível.

A notícia de hoje é que Mercadante finalmente será enxotado da Casa Civil e (tchã, tchã, tchã, tchããã) especula-se que retome seu acento no Ministério da Educação! Sim, pra não passar a impressão que a crise é maior, que Dilma não confia nele etc o cara se mantém no governo, em cargo de confiança da Presidenta – ver aqui.

Mas pode não dar em nada, e Mercadante ir fazer outra coisa de sua vida. O que importa é que o atual titular do MEC está na berlinda. A simples “disponibilidade” que se enxerga na sua cadeira é um indício da fraqueza de Renato Janine.

E a equação é simples: a Presidente precisa fazer uma reforma ministerial, mostrar que está pondo a casa em ordem, cortar gastos, se apresentar como austera, decidida, mas… não pode desagradar mais aliados políticos. Assim, retirar cargos de partidos e forças da base congressual é uma bobagem. Onde a corda estoura? Onde não há forte laços políticos, nenhum deputado ou bancada parlamentar envolvida, resumindo: Janine é alvo fácil. Ninguém vai reclamar por ele, ninguém vai defender o espaço que ele ocupa. Situação típica dos ditos “técnicos”.

Dizem que em breve a lenda da reforma ministerial da Dilma será divulgada (hoje? amanhã?). A ver. Estaremos de plantão para acompanhar o futuro do MEC. Ai, ai, ai.

PS. E bem intrigante também a notícia derivada, pois Jaques Wagner, cotado para assumir o lugar de Mercadante,  é atual ministro da Defesa. Para este Ministério iria… um comunista!!!! Aldo Rebelo, do PCdoB. Os quartéis devem estar bem mal humorados hoje! Rarara.

ENEM AQUI

Aqui a info não está nas letrinhas

Aqui a info não está nas letrinhas

Porto Alegre (sinceridade é fundamental) – E vejam o que o MEC deixa (ab)usarem do ENEM… Taí mais um campeão gaúcho no Exame Nacional do Ensino Médio de 2014. Ops, mas não era outra escola, no outro outdoor? (veja abaixo e leia aqui) Sí, por supuesto.

Agora tá confuso?

Agora tá confuso?

Porém, é preciso ser justo: o Colégio Israelita Brasileiro também não está mentindo. Apenas usa outro critério, incluindo, além das questões ditas “objetivas”, a nota das redações. Ao que parece o povo desta escola está se saindo melhor na parte escrita… eles sobem no ranking.

israelita enem

Como no Rio Grande do Sul não é possível que nenhuma privada diga ser a melhor tendo em vista que este posto é ocupado por uma pública… a propaganda acima é super honesta, escancarando que a competição aqui é entre as escolas pagas.

Ops, lendo números...

Ops, lendo números…

Mas o que mais me chamou a atenção foram os dados incluídos no marketing do Israelita: “51% de aprovação na UFRGS” e “81% de aprovação no geral”. De saída quero dizer que estas estatísticas me parecem significar um enorme sucesso da instituição no intuito de colocar seus jovens pra estudar na Educação Superior. Eu apostaria que a ampla maioria das escolas privadas não tem dados tão bons pra apresentar.

Mas… as estatísticas também podem expor aquilo que a maioria das escolas do mercado escondem. Versão Juca: “49% de REprovação na UFRGS” e “19% de REprovação no geral”. Resumindo, dinheiro não compra sucesso. Papai e mamãe quando pagam as mensalidades, fazem seu “investimento”, não esperam que @ pimpolh@ fique fora da universidade mais prestigiada, ou ainda, não ingresse em nenhuma faculdade… Apesar de ter estudado na “melhor” escola.

De cada 2 estudantes 1 não vai passar na cobiçada UFRGS. E, claro, papai e mamãe devem ter certeza que o reprovado será o coleguinha, o vizinho. Eu não seria um bom marqueteiro… Que tal: “Aqui nessa escola o teu filho tem a mesma chance de ser aprovado ou reprovado na UFRGS”.

NOTAS DO LENNON

Nem sempre foi paz e amor...

Nem sempre foi paz e amor…

Porto Alegre (Imagine all the people… fighting in the classroom) – Vai a leilão uma folha do boletim escolar do John Lennon. Consta que o rapaz, aos 15 anos, brigava na sala de aula, era considerado o palhaço da turma, dava respostas malcriadas, era barulhento (não acredito!!!???) e mascava chiclete – que horrrrrroorrrr – ver aqui. E, sim, era punido por tudo isso.

Taí uma prova que nem todos cabem na escola. Ou melhor, que a escola é estreita demais pra caber gente irreverente, criativa, com energia suficiente pra mudar o mundo, por exemplo.

Quantos dos seus professores acreditavam que o fedelho Lennon seria um dos maiores defensores da paz em nosso planetinha?

Se tiver interessado em adquirir o pedaço de papel, prepare-se pra desembolsar até R$18 mil.

ENEM AÍ

Propaganda com chancela do MEC

Propaganda com chancela do MEC

Porto Alegre (não vi, não sei, não tenho nada a ver com isso…) – Na defesa convicta do ENEM o Ministério da Educação afirma que não produz e nem divulga rankings. Se a imprensa e as empresas (ditas escolas) fazem isso, ele, MEC, não é culpado. Deixa eu pensar um pouco… Claro, eu produzo armamento, num mundo em guerra, mas se usam meu produto para matar pessoas não venham me acusar de assassinato…

Sim, já é piada entre os que trabalham com estatísticas: os números, se submetidos à tortura, confessam qualquer coisa. Ou seja, se o leitor quiser enfocar, focalizar e enviesar as informações, é fato, o erro não é de quem produz a informação. Mas ser omisso no embate contra o mal uso me parece um erro. Ser afável, cordial com a suposta deturpação é ser conivente com os erros.

Na minha opinião o MEC deixa muito barato o uso de seus dados. Faz propaganda na TV e nas rádios pra um monte de bobagens – inclusive divulgando prazo de inscrição no ENEM (pelo jeito anda faltando candidato….) – mas não politiza o uso dos dados e não mostra outras abordagens e interpretações possíveis para os mesmos.

Na foto acima o uso bastante corriqueiro – e o mais visível – do ENEM: uma instituição se auto-promovendo usando informações oficiais. Outdoor em Porto Alegre avisando quem é o “1º lugar no ENEM”, em letras garrafais. O nome do Colégio em segundo plano. Até aí nenhuma novidade. O interessante aparece nas letrinhas – no estilo contrato, nas notas de rodapé – vocês enxergam?: “entre os colégios privados do estado”. Pra quem não sabe, usando o mesmo critério – nota média nas questões “objetivas” –  o primeiro lugar no Rio Grande do Sul é de uma escola PÚBLICA

Enfim, o Colégio Leonardo Da Vinci não está mentindo. Só está usando as informação de modo que melhor o posiciona no mercado (e no marketing) – e nisso é bastante honesto…

Mesmo atrasado, vou seguir no assunto nas próximas postagens.

BOCUDO 2

Sua boca é um livro aberto...

Sua boca é um livro / lixo aberto…

Porto Alegre (exemplo de parlamerdar) – Admiro Jair Bolsonaro (Partido Progressista – PP / RJ). Tá bom, calma, em um único aspecto: ele fala o que pensa. Muitos pensam exatamente como ele. 464 mil votaram nele em 2014 – e muitos milhares que não são eleitores do Rio de Janeiro desejariam poder votar nele… Trocando em miúdos: Bolsonaro é o legítimo representante de parcela expressiva do povo brasileiro, gostemos ou não. Eu não gosto. Penso o oposto dessas pessoas.

Outros colegas do deputado Jair pensam exatamente como ele, mas não tem coragem de dizer. No cotidiano defendem, de modo mais velado e enrustido, pensamentos espúrios como a naturalização do estupro e disseminam o ódio de vários modos, seja contra homossexuais, seja na defesa da pena de morte, por exemplo.

A Justiça condenou o parlamentar por parlar para além do que tem direito – ver aqui. Ele recorreu e aguardamos as decisões finais. Estupro pode ser merecido??? Na lógica dele, sim. Condenado ou não ele dificilmente mudará de opinião – e de prática. E não basta mirar ou condenar o Bolsonaro. Penso que ele merece pagar indenizações e, se persistir nas ilegalidades e imoralidades, parar na cadeia. E se (ou quando) estiver preso o Bolsonaro não merece ser estuprado por outros detentos – nem ele e nem ninguém merece isso.

O problema é bem maior do que esta medonha pessoa (ele pode me processar…), infelizmente. Jair é só a face pública que encarna esse grupo. Personalizar diminui o problema real…

E é por isso que defendo os Direitos Humanos. É nessas horas que precisamos ser enfáticos em dizer que a educação pública deve enfrentar as discriminações de gênero, orientação sexual, raça, etnia, classe social etc. Nossas palavras não podem calar diante de pensamentos como esses. E nossa prática coerente com princípios democráticos precisa prevalecer, como resposta mais concreta.

Vou tentar caprichar ainda mais nas próximas aulas sobre a questão…

BOCUDO 1

Na democracia tem que provar o dito

Na democracia tem que provar o dito

Porto Alegre (pode até ser verdade…) – Mira, justiça precisa ser assim. Acusou? Tem obrigação de provar. O ex- Ministro da Educação Cid Gomes vai ter que indenizar Eduardo Cunha por ferir a moral do deputado (ver aqui). E não interessa como reputamos a moral do atual Presidente da Câmara.

Podemos até putar e reputar. Porém, se você quer vir a público e denunciar vai ter que demonstrar evidências do que está falando, ou pode ser condenado por falar mais do que tem direito. Nesses casos, inclusive crápulas, pessoas nefastas e repugnantes vão ganhar na justiça e poder se afirmar ofendidas.

Repito: pra mim, Cid foi burro (ele pode me processar por dizer isso…) Além de ser demitido menos de uma hora depois de bater boca no Congresso Nacional (coisa que Ministros não devem fazer), fragilizou o governo do qual participava – e defendia (?) – e ainda deu atestado de vítima pra Eduardo Cunha – que, na real, foi quem o demitiu… Enfim, quem ganhou com o pastelão protagonizado pelo ex-Ministro da Educação?

GREVE NO BLOG?

Mulheres: sou apaixonado pelas fortes - e tenho sorte de ter várias por perto

Mulheres: sou apaixonado pelas fortes

Porto Alegre (longo e tenebroso inverno…) – Faz um tempão. Múltiplos fatores conjunturais.

A greve na UFRGS, dediquei boas energias a ela, e houve enormes ganhos, todos não financeiros ou de estrutura trabalhista. Mas o acúmulo de forças, a mobilização, a organização e a elaboração coletiva foi grande.

O III Encontro Fineduca da qual participei intensamente da realização foi sucesso de público e de crítica. Gente do Brasil inteiro passando frio em Gramado, discutindo financiamento da educação com excelentes palestrantes e apresentando seus múltiplos e interessantes trabalhos de pesquisa. Concluí meu mandato na diretoria com sensação de missão cumprida, passando a bola para colegas maravilhosos.

A vida pessoal com solavancos, sempre inesperados, às vezes mais duros do que imaginamos ser possível. Bien, a tentativa é sair fortalecido, mais experiente. Tô nessa onda.

Esse mundinho tem muitas pessoas amáveis e capazes de fazer nossas vidas mais felizes. Tô convencido disso também.

E aviso: estou com gás, energizado, doidão, pronto pra muitas lutas!!!